Motor compacto da Cummins, de 49 a 74 hp, passa a ser fabricado no País e amplia aplicações em equipamentos agrícolas e mecanização no campo
Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

A Cummins anunciou a nacionalização do motor QSF 2.8 e sua entrada estratégica no segmento de tratores durante a 31ª Agrishow, em Ribeirão Preto (SP). A iniciativa visa ampliar a atuação da multinacional em equipamentos compactos, integrando motorização, sistemas de emissões e geração de energia em uma abordagem única para o setor. O movimento sinaliza um reforço na competitividade da engenharia brasileira e prepara a empresa para futuros requisitos regulatórios no país.

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Durante a coletiva de imprensa no evento, Mauricio Biadola, Daniel Malaman e Cora Reis apresentaram os detalhes da operação. Segundo os executivos, a estratégia combina o aumento da capacidade produtiva em solo nacional com uma evolução tecnológica voltada para a eficiência operacional e a redução do impacto ambiental. Além disso, a estreia em novos nichos de mercado demonstra o amadurecimento das soluções voltadas ao chamado “novo agro”.

Potência nacionalizada e foco industrial

A fabricação do modelo QSF 2.8 na planta de Guarulhos (SP) marca o ingresso da Cummins em uma faixa de potência inédita para a manufatura local. Este motor, que entrega entre 49 e 74 hp com torque de até 300 Nm, atende projetos de pequeno porte que demandam alta densidade energética. Consequentemente, a empresa fortalece a integração com fabricantes locais e reduz a dependência de componentes importados.

Conforme explicou Mauricio Biadola, diretor de Vendas Off-Highway: “Nosso objetivo é viabilizar a evolução da mecanização no campo com soluções que entreguem resultado no presente e estejam preparadas para o futuro. A produção nacional amplia a integração com fabricantes e fortalece a competitividade no setor agrícola”.

Mauricio Biadola, diretor de Vendas Off-Highway da Cummins Brasil – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

Além do ganho industrial, o motor já chega ao mercado adaptado para diferentes níveis de emissões. Essa flexibilidade permite que fabricantes utilizem o mesmo bloco em diversas configurações, simplificando a logística e a manutenção dos equipamentos no campo.

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Engenharia brasileira e inovação em tratores

Outro anúncio relevante foi a entrada oficial da Cummins no segmento de tratores através de um projeto estrutural. A equipe de engenharia brasileira desenvolveu uma aplicação baseada na plataforma de 4,5 litros com cárter estrutural integrado. Nesse modelo, o motor deixa de ser apenas o propulsor e passa a integrar a própria sustentação do veículo agrícola.

Essa mudança arquitetônica permite otimizar o design das máquinas e melhorar o desempenho estrutural geral. Para garantir a robustez necessária ao trabalho pesado, a companhia utilizou simulações avançadas e validações técnicas rigorosas. Dessa forma, as máquinas estão prontas para enfrentar as condições severas de operação comuns no agronegócio nacional.

Estratégia para emissões e infraestrutura de energia

No campo da sustentabilidade, a Cummins detalhou sua rota tecnológica para sistemas de pós-tratamento. Daniel Malaman, gerente geral da Cummins Emission Solutions, ressaltou que a previsibilidade nas regras do setor é fundamental para a indústria. Segundo ele: “Um avanço regulatório conduzido com base técnica e previsibilidade contribui para reduzir distorções no mercado e fortalecer a competitividade da indústria nacional”.

Paralelamente, a divisão de Power Generation atualizou sua linha de grupos geradores. Agora, os equipamentos contam com motores eletrônicos de maior eficiência e são compatíveis com misturas de biodiesel. Cora Reis, gerente de vendas da área, defende que parâmetros técnicos claros auxiliam quem produz: “Parâmetros técnicos bem definidos ampliam a previsibilidade para quem investe no campo e incentivam a adoção de tecnologias mais eficientes”.

Por fim, a Cummins reforçou sua estratégia de pós-venda utilizando análise de dados em tempo real. O sistema identifica as regiões com maior concentração de máquinas para otimizar o estoque de peças e o treinamento de técnicos. A empresa também investe na economia circular por meio de sua linha de remanufaturados, que promove o reaproveitamento de materiais e reduz o consumo de energia no ciclo industrial