Resumo da notícia
- A diferença entre os preços da carne bovina e suína atingiu R$ 14,26 por quilo em março, maior patamar dos últimos quatro anos, refletindo dinâmicas opostas nos dois setores.
- A carne bovina sobe devido à oferta limitada de animais para abate e ao aumento das exportações, que reduziram a disponibilidade no mercado interno e pressionaram os preços para cima.
- A carne suína enfrenta queda de preços, com recuo de 2,8% em março, influenciado pela baixa demanda interna durante a Quaresma, que reduz consumo e gera acúmulo de oferta.
O mercado de proteínas animais iniciou 2026 com um cenário incomum: a diferença de preços entre a carne bovina e a suína atingiu o maior patamar dos últimos quatro anos.
Levantamento do Cepea/USP mostra que a distância chegou a R$ 14,26 por quilo em março. Esse movimento reflete dinâmicas completamente opostas entre os dois setores.
De um lado, a carne bovina segue em valorização. Do outro, a carne suína registra queda e ganha competitividade no mercado interno.
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Carne bovina sobe com oferta limitada
A alta da carne bovina tem um fator central: a baixa oferta de animais prontos para abate.
Com menos gado disponível, os frigoríficos enfrentam dificuldade para manter o ritmo de produção. Como resultado, os preços sobem. Em março, a carcaça casada bovina avançou 2,6% e atingiu média de R$ 24,32 por quilo na Grande São Paulo.

Além disso, a demanda internacional reforça essa pressão. O Brasil registrou exportações recordes no primeiro trimestre de 2026, com valores pagos até 18,7% maiores na comparação anual.
Esse cenário reduz ainda mais a disponibilidade de carne no mercado interno e sustenta a trajetória de alta.
Exportações ampliam pressão nos preços
O apetite externo pela carne brasileira continua aquecido. Países importadores mantêm forte demanda, o que incentiva frigoríficos a direcionarem parte da produção para o mercado internacional.
Como consequência, o consumidor brasileiro sente o impacto direto no bolso.
Além disso, essa combinação entre oferta restrita e exportações elevadas cria um ambiente de sustentação dos preços, sem sinais imediatos de recuo.
Carne suína segue caminho oposto
Enquanto a carne bovina sobe, a proteína suína enfrenta um cenário de pressão negativa.
Em março, a carcaça especial suína recuou cerca de 2,8%, fechando em R$ 10,06 por quilo. Esse movimento ocorre principalmente por conta da queda na demanda interna.
Durante a Quaresma, o consumo de carne suína tradicionalmente diminui. Como resultado, o mercado registra menor liquidez e dificuldade na comercialização.
Quaresma derruba consumo e preços
A sazonalidade exerce forte influência sobre o setor suíno.
Nesse período, muitos consumidores reduzem o consumo de carnes, especialmente a suína. Consequentemente, a procura cai tanto no mercado do animal vivo quanto no atacado.
Esse recuo gera acúmulo de oferta e pressiona os preços para baixo.
Além disso, a indústria demonstra menor interesse na compra de novos lotes, o que intensifica ainda mais a desvalorização.