A Reforma Tributária, aprovada em 2023 e com implementação gradual a partir de 2026, está transformando a forma como os impostos são calculados no Brasil. Um dos principais impactos será no controle rigoroso da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), que se tornou obrigatória para produtores rurais desde fevereiro de 2025.

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Com a substituição de PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS pelo IVA dual (composto pelo IBS – Imposto sobre Bens e Serviços – e CBS – Contribuição sobre Bens e Serviços), todas as operações do agronegócio, desde a venda até a compra de insumos, deverão ser registradas digitalmente.

Por que a NF-e é tão importante agora?

A NF-e será o principal documento para:

  • Comprovar créditos tributários – permitindo o ressarcimento de impostos pagos na cadeia produtiva.
  • Garantir rastreabilidade – evitando fraudes e irregularidades fiscais.
  • Manter a competitividade – quem não emitir corretamente pode perder direito a benefícios e enfrentar multas.
Viviane Morales, diretora administrativa da Lastro Agronegócios. Foto: Divulgação

Segundo Viviane Morales, diretora da Lastro Agronegócios, muitos produtores ainda não se adaptaram:  “Antes de falarmos sobre a Reforma Tributária, precisamos olhar para a situação atual, que ainda não é satisfatória. A NF-e não é mais opcional, é obrigatória”.

Riscos para quem não se adequar

O não cumprimento das regras pode levar a:

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  • Perda de créditos fiscais – sem a NF-e, o produtor não consegue comprovar impostos pagos.
  • Multas e inadimplência – a Receita Federal já está fiscalizando a emissão digital.
  • Dificuldade em vender para grandes compradores – empresas e cooperativas exigem notas fiscais regulares.
Gustavo Venâncio, diretor comercial da Lastro Agronegócios. Foto: Reprodução

Gustavo Venâncio, diretor comercial da Lastro, alerta: “As notas de entrada e saída serão a base da apuração tributária. Não é mais uma escolha, é uma exigência legal”.

Cronograma de mudanças e novas regras

  • Julho 2025 – início dos testes em homologação para o novo layout da NF-e, incluindo campos de IBS, CBS e IS.
  • Outubro 2025 – versão final disponível em produção, ainda não obrigatória.
  • Janeiro 2026 – obrigatoriedade do novo formato, com risco de rejeição para notas fora do padrão.

Além disso, a Nota Técnica 2025.002 trouxe mudanças como:

  • Novos campos para crédito e débito de impostos.
  • Validações automáticas para evitar inconsistências.
  • Padronização nacional da NF-e de serviços (NFS-e).

Como o produtor rural deve se preparar?

  • Capacitar equipes – treinar colaboradores para emissão correta da NF-e.
  • Buscar consultoria tributária – ajustar processos antes de 2026.
  • Investir em sistemas digitais – garantir que softwares estejam atualizados.

A Reforma Tributária exige que o agronegócio se modernize, e a NF-e é peça-chave nessa transição. Quem se antecipar evitará prejuízos e garantirá competitividade no mercado.

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