O turismo rural no Alto Vale do Itajaí está revolucionando a vida de agricultores familiares. Com apoio da Epagri, produtores transformam suas propriedades em destinos turísticos, gerando renda extra e valorizando a cultura local. A região já conta com 59 empreendimentos na rota Caminhos do Campo, programa que atrai visitantes em busca de experiências autênticas no campo.

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O 3° Encontro de Turismo da Agricultura Familiar (Etraf), realizado em maio em Agrolândia, reuniu 110 agricultoras. O evento superou as expectativas, mostrando o crescente interesse pelo turismo rural.

“O limite era 100 vagas, mas o sucesso da rota Caminhos do Campo motivou mais produtoras a participar”, afirma Katiucia Visenteiner, extensionista da Epagri. Ela destaca que as mulheres são as principais incentivadoras da mudança nas propriedades.

Histórias de sucesso: do cultivo à hospedagem

Um dos destaques é Fernanda Vanzuita, de Ibirama. Antes funcionária urbana, ela e o marido, Aristeu, decidiram investir no Chalé Rústico Encanto, uma hospedagem temática para casais.

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“Trabalhar com a natureza é desafiador, mas compensador. Hoje, até em dias úteis temos hóspedes”, comemora Fernanda, que deixou um emprego de 25 anos para se dedicar ao negócio.

O chalé oferece:

  • Pacotes personalizados (noivado, lua de mel)
  • Passeios de bicicleta vintage
  • Noites com fogueira e vinhos
  • Banheiras com sais aromáticos

A estratégia deu certo: o empreendimento entrou para a rota Caminhos do Campo em 2024 e já planeja expansão.

Lei Geral do Turismo impulsiona o setor

Uma mudança recente na Lei Geral do Turismo reconhece produtores rurais como prestadores de serviços turísticos. A medida facilita a formalização e acesso a crédito, impulsionando negócios como os da rota Caminhos do Campo.

“Essa atualização é um avanço. Agora, o agricultor pode diversificar renda sem perder benefícios da agricultura familiar”, explica Pedro Rigo, superintendente do Sebrae/ES.

Apesar do crescimento, o turismo rural ainda enfrenta obstáculos:

  • Burocracia na legalização (pode levar de 3 meses a 1 ano)
  • Falta de infraestrutura em algumas propriedades
  • Necessidade de capacitação em gestão e marketing
  • Para superar essas barreiras, a Epagri e a Amavi oferecem cursos em:
  • Gastronomia rural
  • Gestão de hospedagem
  • Normas sanitárias

Futuro promissor: selo sustentável e expansão

A Amavi lançou o Selo Caminhos Sustentáveis, que classifica propriedades em ouro, prata ou bronze conforme práticas ambientais e sociais. A meta é expandir a rota para mais municípios em 2025.

“Queremos qualificar ainda mais o turismo rural, gerando renda e preservando a cultura local”, diz Fabiana Dickmann, assessora da Amavi.

O turismo rural no Alto Vale do Itajaí prova que é possível unir tradição e inovação. Com políticas públicas, capacitação e histórias inspiradoras como a de Fernanda, a região se consolida como um destino que valoriza o campo e seus protagonistas.

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