Tecnologias voltadas ao manejo fisiológico ajudam citricultores a reduzir perdas causadas por calor e estresse hídrico
Exportações de suco crescem, mas receita recua na safra. Volume embarcado de suco de laranja aumenta 4% na safra 2025/26.
Foto: Jaelson Lucas / AEN

O avanço das altas temperaturas e os períodos prolongados de estiagem têm aumentado a pressão sobre a citricultura brasileira. Em meio ao cenário de instabilidade climática, produtores passaram a buscar estratégias para reduzir perdas na florada e garantir a manutenção da produtividade dos pomares. Durante a 51ª Expocitros, realizada entre os dias 26 e 29 de maio, em Cordeirópolis (SP), a Fortgreen apresentou tecnologias voltadas ao manejo fisiológico das plantas para minimizar os efeitos do estresse hídrico e térmico.

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Segundo o gerente comercial da empresa, Silvio Cezar Gregório, os impactos do calor excessivo atingem diretamente o desenvolvimento fisiológico dos citros. Como consequência, ocorre o abortamento das flores e a queda prematura dos frutos, comprometendo a produtividade final do pomar.

“A planta entra em um processo de oxidação e cria hormônios que causam o abortamento das flores. Cada flor que a planta deixa de segurar representa uma laranja a menos dentro da caixa”, afirma.

Ainda de acordo com o executivo, o problema se intensificou nos últimos anos devido às oscilações climáticas provocadas por fenômenos como El Niño e La Niña. O cenário, segundo ele, tem levado muitos produtores a reconsiderarem áreas de cultivo em busca de regiões menos suscetíveis às temperaturas extremas.

Entre os destaques levados para a feira estão as tecnologias Black Gold e CoMoNi Dry, utilizadas em conjunto durante o período de florada e fixação dos frutos. O manejo busca reduzir o chamado estresse oxidativo da planta, diminuindo a produção hormonal ligada ao abortamento floral.

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“O objetivo é mitigar esse estresse fisiológico justamente na fase mais importante da cultura, que é o nascimento da fruta”, explica Gregório.

Manejo exige atenção desde a pré-florada

O gerente destaca que o momento de aplicação varia conforme a variedade cultivada. Enquanto algumas laranjas possuem ciclo precoce, outras apresentam desenvolvimento tardio. Por isso, o manejo precisa ser ajustado de acordo com o estágio fisiológico de cada pomar.

“A recomendação normalmente ocorre na pré-florada, na flor aberta e também no fechamento do chumbinho, que é o terceiro estágio”, detalha.

Além da redução das perdas provocadas pela seca e pelo calor, a empresa afirma que os produtores conseguem observar ganhos em uniformidade e qualidade da produção. Dados acompanhados em propriedades comerciais e em instituições de pesquisa indicam incremento de produtividade entre 15% e 20% com o uso das tecnologias.

“A gente procura validar as soluções com consultorias, instituições de pesquisa e faculdades antes de levar a tecnologia ao campo”, ressalta.

Gregório pondera, no entanto, que o manejo fisiológico não atua sozinho. Segundo ele, o equilíbrio nutricional e o controle fitossanitário continuam indispensáveis para alcançar altos índices produtivos, principalmente em regiões de maior déficit hídrico.

Entre os desafios enfrentados atualmente pela citricultura também estão doenças que comprometem o desenvolvimento dos pomares e elevam os custos de produção. Nesse cenário, o produtor passou a adotar um manejo cada vez mais técnico e integrado.

“Não basta apenas nutrir. Hoje estamos muito dependentes das condições climáticas. É preciso trabalhar solo, nutrição e sanidade da planta de forma equilibrada”, diz.

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Rentabilidade impulsiona profissionalização do setor

Além das tecnologias voltadas à florada, a Fortgreen também apresentou outros produtos do portfólio durante a Expocitros. A programação do estande contou ainda com a participação do engenheiro agrônomo e consultor Leandro Fukuda, sócio-proprietário da Farm Atac, que conduziu um bate-papo técnico sobre manejo avançado de pomares cítricos.

Para Gregório, o atual cenário climático acelerou a profissionalização da atividade. Segundo ele, o citricultor passou a atuar cada vez mais como empresário, com maior controle sobre custos, produtividade e planejamento de investimentos.

“O produtor sabe exatamente quanto custa produzir uma caixa de laranja. Hoje, produzir bem significa garantir rentabilidade, independentemente das oscilações de preço do mercado”, conclui.