A Amazônia se torna referência para sistemas agroflorestais que combinam conhecimento tradicional e ciência. A Verthic, empresa que atua há mais de uma década na região, já implantou mais de 110 Sistemas Agroflorestais (SAFs) a partir dessa combinação.

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Segundo a empresa, o segredo está em entender as características de cada território. Por isso, a Verthic constrói projetos que unem saberes locais, capacidade técnica e planejamento.

Além disso, cresce o interesse por sistemas produtivos que povos indígenas e comunidades tradicionais desenvolvem há gerações. Na Amazônia, essas comunidades combinam espécies agrícolas e florestais e criam experiências que servem de referência para modelos mais adaptados aos territórios. Contudo, isso não significa substituir o conhecimento científico nem transformar práticas tradicionais em soluções universais.

Ciência valida os saberes tradicionais

A própria Embrapa reconhece que comunidades indígenas, caboclas e ribeirinhas desenvolveram diferentes sistemas agroflorestais na Amazônia. A partir dessas experiências, pesquisadores sistematizaram conhecimentos agronômicos, ecológicos e econômicos. Assim, desenvolveram novos arranjos adaptados às necessidades das comunidades rurais.

O conceito também encontra respaldo em iniciativas internacionais. A FAO define a agrofloresta como a integração deliberada de árvores, cultivos agrícolas e animais. Segundo a organização, essa integração diversifica a produção e a renda, melhora a saúde do solo e a gestão da água, e aumenta a resiliência às mudanças climáticas.

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“Conhecimento não é receita pronta”, diz Verthic

Para Fernando Vincenti, fundador da Verthic, o conhecimento tradicional funciona como uma fonte de informação sobre o território, e não como uma fórmula pronta.

“O conhecimento das comunidades não deve ser tratado como uma receita pronta, mas como uma fonte importante de informação sobre o território. Temos o desafio de criar projetos que consigam integrar esse conhecimento à ciência e às necessidades econômicas e ambientais de cada região, sempre com participação efetiva das comunidades”, afirma Vincenti.

Projetos recentes ampliam a abordagem

Essa lógica já orienta iniciativas em curso. Em 2024, a Embrapa iniciou, em parceria com o Fundo Vale e outras instituições, um projeto em território indígena no Maranhão. A iniciativa busca conhecer experiências locais de sistemas agropecuários e conservação florestal, além de mapear desafios de produção a partir do conhecimento tradicional.

Já em 2025, FAO, MCTI e Instituto Mamirauá se uniram para desenvolver, com comunidades locais, metodologias para recuperar cerca de 26 mil hectares de florestas alagáveis da Amazônia. O projeto também prevê capacitação das comunidades e o desenvolvimento de iniciativas ligadas à cadeia produtiva da restauração.

Participação local aumenta chances de continuidade

Para a Verthic, essas experiências mostram que o desenvolvimento sustentável na Amazônia depende de conectar conhecimento territorial, ciência, políticas públicas, financiamento e execução em campo.

“Quando um projeto é construído com participação de quem vive no território, aumentam as possibilidades de que ele seja adequado à realidade local e tenha continuidade. O objetivo não é romantizar o conhecimento tradicional, mas reconhecê-lo como um dos elementos que podem contribuir para projetos tecnicamente consistentes e economicamente viáveis”, completa Vincenti.