Bovinos criados como pets chegam às clínicas e levam profissionais a oferecer tratamentos antes comuns para cães e gatos
Mini vaca em fazenda aguardando atendimento veterinário

Elas têm pelos longos, chifres e aparência de bicho de pelúcia. As chamadas mini vacas ganharam espaço como pets nos Estados Unidos e agora começam a mudar até a rotina de clínicas veterinárias.

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O movimento aparece principalmente em pequenas propriedades. Nesses locais, alguns bovinos deixaram de ter finalidade exclusivamente produtiva e passaram a receber cuidados semelhantes aos destinados aos animais de companhia.

Com isso, clínicas acostumadas a cães e gatos começam a enxergar uma nova demanda. A tendência foi relatada pela Today’s Veterinary Business, publicação especializada em gestão e medicina veterinária.

Além do potencial comercial, porém, o fenômeno exige cuidados. Especialistas alertam que tamanho reduzido não elimina as necessidades de um bovino. A seleção genética também merece atenção.

Mini vacas começam a chegar aos consultórios

Um dos casos relatados ocorreu no estado do Missouri. Uma bezerra Highland em miniatura apresentava uma lesão na coluna e precisava de atendimento.

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Os proprietários procuraram a Orchard Hills Veterinary Clinic em busca de uma segunda opinião. No entanto, havia uma diferença importante em relação ao manejo tradicional de bovinos destinados à produção.

Para aquela família, a bezerra era um animal de companhia. “Este é o nosso animal de estimação. Não vamos abater o nosso pet”, disseram os proprietários durante o atendimento.

Mini vaca em atendimento veterinário
Foto: Todays Veterinary Business

 

Diante da decisão, a médica-veterinária Hannah Gawf, proprietária da clínica, avaliou alternativas para tratar o animal.

Uma das possibilidades envolvia um medicamento manipulado. Além disso, o produto poderia receber um sabor mais atrativo para facilitar sua administração.

“Com certeza. Podemos mandar manipular um medicamento e dar a ele sabor de melaço”, afirmou Gawf à Today’s Veterinary Business.

O caso ajuda a explicar por que algumas clínicas começam a olhar para esses bovinos de outra maneira.

De animal de produção a pet

Segundo Gawf, a procura por um atendimento individualizado para animais de grande porte vem crescendo. Dessa forma, os veterinários encontram proprietários dispostos a buscar alternativas que antes poderiam não fazer sentido econômico em sistemas produtivos.

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“Muitos tutores modernos estão buscando um atendimento mais compassivo e personalizado para seus animais de grande porte, em vez de uma abordagem tradicional voltada à produção”, explicou a veterinária.

Essa mudança não envolve apenas as mini vacas. Cabras, ovelhas, aves e outros animais mantidos em pequenas propriedades também aparecem entre os novos pacientes.

Ao mesmo tempo, nem todas as regiões possuem profissionais preparados para atender diferentes espécies. Portanto, a distância até um veterinário pode se tornar um problema para os proprietários.

Médica veterinária com cavalos
Foto: Todays Veterinary Business

Nesse cenário, clínicas que ampliam os serviços conseguem atender uma demanda ainda pouco explorada.

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Highland chama atenção pela aparência

Entre os bovinos que ganharam popularidade estão os Highlands e animais selecionados para apresentar menor porte.

A raça Highland tem origem na Escócia. Segundo a Highland Cattle Society, entidade responsável pelo registro genealógico da raça no Reino Unido, esses bovinos se desenvolveram em condições ambientais difíceis e ficaram conhecidos pela rusticidade.

A pelagem longa é uma de suas características mais marcantes. Além disso, os chifres ajudam a criar a aparência facilmente reconhecida nas redes sociais.

Nos animais menores, essas características ganharam ainda mais apelo.

Vídeos mostram bezerros sendo escovados, recebendo carinho e acompanhando seus proprietários. Consequentemente, o interesse ultrapassou o universo tradicional da pecuária.

O crescimento já havia chamado atenção fora dos Estados Unidos. Em 2024, a emissora pública australiana ABC mostrou um criatório que registrou aumento de 30% nas vendas de Highlands em miniatura em um ano.

Apesar da aparência, entretanto, especialistas alertam que esses animais continuam sendo bovinos.

Mini vaca exige estrutura adequada

O tamanho reduzido não significa que uma mini vaca possa ser criada nas mesmas condições de um cachorro.

O animal precisa de espaço, água limpa, alimentação adequada e cercas capazes de garantir segurança. Além disso, a propriedade deve oferecer estrutura para o manejo veterinário.

Outro ponto importante é o tamanho adulto.

Um bezerro pequeno não necessariamente permanecerá com aquelas dimensões. Por isso, avaliar somente a aparência nos primeiros meses pode levar compradores a conclusões erradas.

Nesse sentido, conhecer os pais e o histórico do animal ajuda a estimar seu desenvolvimento.

Da mesma forma, vacinação, controle de parasitas e acompanhamento veterinário continuam necessários. O manejo também deve considerar idade, condição corporal, alimentação e ambiente.

Genética das mini vacas preocupa especialistas

Além dos cuidados de rotina, a popularidade dos bovinos menores trouxe uma discussão sobre genética.

A professora Imke Tammen, da Sydney School of Veterinary Science, da Universidade de Sydney, alertou para variantes genéticas associadas à condrodisplasia em alguns bovinos comercializados como miniatura.

A condrodisplasia afeta o desenvolvimento de cartilagens e ossos. Portanto, dependendo da variante genética e do cruzamento realizado, podem surgir problemas importantes para a saúde dos animais.

“Se um animal herdar duas cópias do gene, isso resulta em uma manifestação muito mais grave, e eles frequentemente nascem mortos”, explicou Tammen à ABC.

Por isso, a procedência ganha importância no momento da compra.

Criadores responsáveis precisam acompanhar características genéticas e evitar cruzamentos que aumentem o risco de problemas hereditários. Além disso, selecionar animais apenas pelo menor tamanho pode comprometer o bem-estar.