Resumo da notícia
- O pangolim sofre intenso tráfico ilegal, com mais de 500 mil exemplares apreendidos em 75 países entre 2016 e 2024, segundo relatório da IUCN divulgado em 2025.
- As oito espécies vivem na África e Ásia, e são capturadas principalmente por suas escamas usadas em supostos remédios e pela carne, alimentando redes criminosas internacionais.
- Apesar da proteção internacional desde 2017, o comércio ilegal persiste; a reabilitação dos animais resgatados inclui atividades que estimulam a busca natural por alimento para garantir a sobrevivência.
O pangolim enfrenta forte pressão do tráfico internacional de animais silvestres. Entre 2016 e 2024, apreensões registradas em 75 países envolveram o equivalente a mais de 500 mil exemplares, segundo relatório divulgado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) em 2025.
As oito espécies conhecidas vivem na África e na Ásia. A captura atende principalmente mercados de escamas e carne, enquanto redes criminosas transportam grandes volumes entre diferentes países.
A proteção internacional aumentou em 2016, quando todas as espécies passaram ao Apêndice I da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES). A medida entrou em vigor em 2017 e restringiu fortemente o comércio internacional.
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Mesmo assim, o mercado ilegal continuou ativo.
Escamas que protegem o animal também atraem traficantes
O pangolim é o único mamífero conhecido com o corpo coberto por verdadeiras escamas de queratina. A estrutura funciona como uma proteção contra ameaças.
Quando percebe perigo, o animal enrola o corpo e protege a cabeça, as patas e a parte inferior com a própria cauda. A estratégia ajuda contra predadores, mas não impede a captura por seres humanos.

As oito espécies ocupam diferentes ambientes africanos e asiáticos. Além disso, alimentam-se principalmente de formigas e cupins, que encontram com o auxílio das garras e de uma língua longa e especializada.
A demanda por escamas ganhou dimensão internacional ao longo das últimas décadas. Em 2016, a IUCN estimava que mais de 1 milhão de pangolins haviam sido comercializados ilegalmente desde 2000.
A carne também entra nesse mercado. Já as escamas abastecem produtos que atribuem propriedades medicinais ao material. Não existem, porém, benefícios terapêuticos comprovados pela ciência que sustentem esses usos.
Reabilitação começa pela alimentação
Retirar um animal do tráfico representa apenas a primeira etapa da conservação. Muitos exemplares chegam debilitados e precisam recuperar comportamentos necessários para sobreviver na natureza.
A alimentação está entre os principais desafios. Esses mamíferos dependem principalmente de formigas e cupins e precisam localizar os insetos em diferentes pontos do ambiente.
Por isso, a Tikki Hywood Foundation utiliza atividades de forrageamento durante a reabilitação. Os cuidadores levam os animais para áreas com vegetação, troncos e outros locais que oferecem oportunidades para a busca natural de alimento.

A estratégia estimula comportamentos importantes antes da soltura. Ao mesmo tempo, a equipe acompanha o estado físico dos exemplares durante a recuperação.
A experiência da organização começou em 1994, quando Lisa Hywood recebeu seu primeiro pangolim. Desde então, a fundação ampliou o trabalho de resgate, reabilitação e conservação.
Tráfico continua mesmo com proteção internacional
A proibição internacional reduziu as possibilidades de comércio legal, mas não eliminou as redes clandestinas. O relatório mais recente da IUCN mostra que o tráfico continua envolvendo diferentes regiões e rotas.
Entre 2016 e 2024, apreensões envolveram mais de 500 mil pangolins estimados, distribuídos por 75 países e 178 rotas comerciais. A organização também aponta que a falta de dados populacionais atualizados dificulta calcular com precisão o impacto total do comércio ilegal sobre as populações selvagens.
A Nigéria aparece entre os principais pontos das rotas africanas. Entre 2021 e 2025, autoridades aduaneiras do país apreenderam mais de 28 toneladas de escamas. Segundo dados citados pela National Geographic, esse volume pode corresponder a até 135 mil animais.
A estimativa, contudo, não representa uma contagem direta de indivíduos. A quantidade de escamas por animal pode variar, por isso a conversão precisa ser tratada como aproximação.
Ainda assim, a escala das apreensões mostra que a proteção internacional não eliminou o comércio clandestino. A fiscalização precisa acompanhar as rotas utilizadas pelas redes criminosas e as mudanças na demanda.
Tecnologia acompanha animais depois da soltura
A conservação também avançou no monitoramento dos exemplares depois da reintrodução na natureza.
Pesquisadores desenvolveram e validaram o uso de acelerômetros, pequenos dispositivos capazes de registrar mudanças de movimento em três eixos. Um estudo publicado em 2024 analisou pangolins-terrestres no Zimbábue e mostrou que os dados ajudam a identificar comportamentos como caminhar, cavar, procurar alimento e descansar.
Com essas informações, a equipe consegue observar o comportamento dos animais com mais detalhes depois da soltura. O método também permite comparar os padrões registrados na natureza com aqueles observados durante a reabilitação.
A tecnologia, portanto, pode ajudar a aperfeiçoar protocolos de recuperação e soltura. Os pesquisadores também estudam maneiras de ampliar o uso desses equipamentos em diferentes espécies.
Proteção do habitat completa a estratégia
A conservação não depende apenas do resgate de animais traficados. A proteção dos ambientes naturais também determina se os exemplares reabilitados encontrarão condições para sobreviver.
No Zimbábue, programas de conservação combinam soltura, monitoramento e participação das comunidades locais. A Tikki Hywood Foundation e outras organizações atuam para reduzir ameaças aos animais em áreas protegidas.
No Quênia, iniciativas voltadas ao pangolim-terrestre-gigante trabalham para diminuir riscos relacionados ao habitat. Entre as ações estão medidas para reduzir o impacto de cercas elétricas e preservar áreas utilizadas pela espécie.
Assim, fiscalização, proteção do habitat, reabilitação e pesquisa formam diferentes frentes de conservação. Enquanto o tráfico continuar movimentando escamas e carne, as oito espécies permanecerão sob pressão.