Resumo da notícia
- A oca, tubérculo andino cultivado há séculos, ganhou nova função como base para uma bebida fermentada chamada “vinho de batata”, desenvolvida pelo agrônomo Manuel Choqque no Peru.
- O projeto une pesquisa agrícola e gastronomia, valorizando variedades nativas e levando o produto a restaurantes que destacam a biodiversidade e cultura alimentar dos Andes.
- A iniciativa gera oportunidades econômicas para comunidades rurais, incentivando a preservação de cultivos tradicionais e agregando valor a ingredientes típicos da agricultura local.
Um tubérculo tradicional dos Andes ganhou uma nova função e chegou à alta gastronomia peruana. A oca (Oxalis tuberosa), cultivada há séculos na região, tornou-se a principal matéria-prima de uma bebida fermentada que ficou conhecida como “vinho de batata”.

O agricultor e engenheiro agrônomo peruano Manuel Choqque desenvolve o produto na comunidade de Huatata, próxima a Cusco. Desde 2013, ele pesquisa diferentes variedades de tubérculos nativos e procura novas formas de valorizar esses cultivos.
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Apesar do nome popular, a bebida não é vinho de uva. O termo “vinho de batata” identifica uma bebida fermentada feita a partir de tubérculos, mas a matéria-prima principal é a oca, diferente da batata comum. No Brasil, a legislação reserva a denominação vinho às bebidas produzidas a partir da uva.
Oca ganha valor além da alimentação
A oca faz parte da diversidade de tubérculos cultivados nos Andes. O trabalho de Choqque procura ampliar as possibilidades de uso dessas variedades, que tradicionalmente chegam à mesa como alimento.
A oca também apresenta características que favorecem sua utilização em bebidas fermentadas. Segundo a Wine Enthusiast, o tubérculo possui açúcares naturais que permitem esse processo.
A partir dessas características, Choqque passou a trabalhar com diferentes variedades e desenvolveu produtos comercializados sob as marcas Miskioca e Oxalis. O trabalho une pesquisa agrícola e gastronomia para criar novas possibilidades de aproveitamento dos cultivos andinos.
Da produção rural aos restaurantes
A novidade chamou a atenção de chefs interessados em ingredientes nativos do Peru. Com isso, produtos desenvolvidos por Choqque chegaram a experiências gastronômicas que valorizam a biodiversidade e a identidade alimentar dos Andes.
Para o produtor rural, esse movimento representa uma
oportunidade de alcançar um mercado de maior valor agregado. Ao mesmo tempo, restaurantes e chefs encontram ingredientes pouco conhecidos fora da região.
A gastronomia também ajuda a contar a história desses cultivos. Um tubérculo tradicional passa, assim, a fazer parte de experiências ligadas ao território, à cultura e à agricultura andina.
Biodiversidade vira oportunidade
O trabalho de Choqque chama atenção ainda pela pesquisa com variedades nativas. A National Geographic informa que o produtor cultiva centenas de variedades e realiza cruzamentos manuais para desenvolver novos materiais.

Essa diversidade pode abrir novas oportunidades econômicas para a produção rural. Em vez de depender apenas do mercado tradicional, o agricultor pode encontrar formas de agregar valor a culturas que já fazem parte da agricultura local.
A valorização comercial também ajuda a manter o interesse por variedades tradicionais. Para as comunidades andinas, preservar esses cultivos significa manter uma parte importante do conhecimento agrícola transmitido entre gerações.
Inovação mantém a tradição
O chamado vinho de batata mostra que inovar no campo não significa abandonar práticas antigas. Neste caso, a novidade nasceu justamente do aproveitamento de um tubérculo tradicional e de variedades cultivadas nos Andes.
O trabalho de Manuel Choqque reúne agricultura, pesquisa, biodiversidade e gastronomia em uma mesma cadeia. O produto leva a oca para novos mercados e, ao mesmo tempo, reforça o valor dos cultivos tradicionais.
Mais do que uma curiosidade gastronômica, a iniciativa mostra como culturas nativas podem ganhar novas possibilidades comerciais. Para o campo, o exemplo peruano revela que a inovação também pode surgir da valorização de produtos que já fazem parte da história de uma região.