Resumo da notícia
- As chuvas aumentam a umidade e o acúmulo de barro, elevando o risco de mastite, infecções nos cascos e leptospirose em vacas leiteiras, afetando a produção e a rentabilidade.
As chuvas que marcam o início da estação em diversas regiões do Brasil aumentam o risco de doenças em vacas leiteiras. O excesso de umidade, o acúmulo de barro e a maior exposição a agentes infecciosos favorecem a mastite, infecção nos cascos e a leptospirose, com impacto direto sobre a produção e a rentabilidade.
A principal preocupação é a mastite, inflamação que atinge a glândula mamária e compromete a qualidade do leite. Por isso, a doença pode gerar perdas econômicas relevantes. Segundo análise da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com base no Projeto Campo Futuro, diferentes cenários da doença em uma propriedade leiteira típica de Uberlândia (MG) poderiam causar prejuízos anuais entre R$ 8 mil e R$ 14,4 mil. O estudo foi realizado em parceria com o Cepea/ESALQ-USP.
Na simulação, essas perdas corresponderiam a 55% a 98% da margem bruta anual da propriedade analisada. Além disso, o levantamento também indica que a mastite subclínica pode reduzir a produção em 0,18 a 0,88 litros de leite por dia, por teto afetado, dependendo do agente causador.
Como a forma subclínica não altera visivelmente o leite nem o úbere, o problema pode avançar sem chamar a atenção do produtor. Por isso, o acompanhamento da contagem de células somáticas (CCS) e exames complementares, quando indicados, ajudam a identificar e monitorar os casos.
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Risco cresce com umidade
Durante o período chuvoso, água e matéria orgânica acumuladas nas instalações aumentam a exposição das vacas a bactérias ambientais, como a Escherichia coli. Esses microrganismos podem causar infecções na glândula mamária, sobretudo em áreas de descanso úmidas, com drenagem deficiente ou falhas de higiene.
“A mastite é um dos principais desafios sanitários da pecuária leiteira, e as condições ambientais têm influência direta sobre a exposição dos animais aos agentes causadores da doença. Durante as chuvas, é fundamental reforçar a higiene das instalações e da ordenha, além de acompanhar de perto a saúde mamária do rebanho. A prevenção e a identificação precoce dos casos são essenciais para reduzir perdas produtivas e preservar a qualidade do leite”, explica Daniel Miranda, gerente de produtos da linha de leite da Zoetis Brasil.
A doença pode ocorrer de forma clínica, com grumos no leite e inflamação no úbere, ou subclínica, sem sinais aparentes. Para reduzir o risco, o produtor deve manter as áreas de descanso limpas e secas, evitando o acúmulo de barro, garantir o escoamento da água da chuva e higienizar corretamente os tetos antes e depois da ordenha.
Cascos e leptospirose exigem atenção
Além da mastite, as chuvas favorecem outros problemas sanitários. A dermatite digital, infecção bacteriana que provoca lesões dolorosas nos cascos, pode dificultar a locomoção dos animais. Um estudo científico apontou que vacas com a doença produziram, em média, 0,7 kg menos de leite por dia, em medida ajustada pelos teores de gordura e proteína, em comparação com animais saudáveis.
A leptospirose também merece vigilância. Animais infectados podem transmitir a doença bacteriana pela urina, que contamina água, solo e alimentos. Como consequência, a enfermidade pode provocar problemas reprodutivos, incluindo abortos, além de representar riscos à saúde humana.
Assim, o aumento da umidade ainda pode favorecer determinados parasitas e a proliferação de insetos. Nesse cenário, o manejo das pastagens, a limpeza das instalações e a observação constante do comportamento das vacas ajudam a reduzir a exposição aos agentes causadores.
“Durante o período chuvoso, o produtor precisa olhar para a saúde do rebanho de forma integrada. Além da mastite, problemas nos cascos, doenças infecciosas e parasitoses podem comprometer o bem-estar dos animais e a eficiência produtiva. Por isso, é importante manter um calendário sanitário atualizado, observar mudanças no comportamento das vacas e contar com orientação veterinária para definir as medidas preventivas mais adequadas a cada propriedade”, destaca Daniel.
Diagnóstico orienta tratamento
Mesmo com prevenção, doenças podem atingir o rebanho no período chuvoso. O diagnóstico precoce e a escolha adequada do tratamento reduzem os efeitos sobre a saúde e a produtividade dos animais.
A escolha de tratamentos e protocolos de vacinação deve ser feita com orientação do médico-veterinário. Ademais, considerando as condições da propriedade, as indicações de bula e os períodos de carência aplicáveis.


