Resumo da notícia
- Os preços das hortaliças subiram em setembro de 2026, com o tomate liderando a alta de 48,9%, seguido por batata, cebola e alface, afetados pelas chuvas nas regiões produtoras do Sul e Sudeste.
- As chuvas dificultaram a colheita e o escoamento da produção, reduzindo a oferta nos mercados atacadistas e pressionando os preços das hortaliças mais afetadas.
- Apesar das condições climáticas adversas, a cenoura teve queda de 16% nos preços, mostrando que o clima pode impactar as culturas de formas distintas no mercado hortigranjeiro.
Os preços das hortaliças subiram em setembro de 2026 nas principais Centrais de Abastecimento (Ceasas) do país. O preço do tomate liderou os aumentos, com alta de 48,9% na média ponderada das cotações no atacado. Além dele, a batata, a cebola e a alface também registraram valorização, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
De acordo com o 10º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), divulgado em 27 de outubro, as chuvas nas regiões produtoras do Sul e do Sudeste dificultaram os trabalhos no campo. Com isso, os produtores enfrentaram obstáculos para colher e escoar parte da produção, o que afetou a oferta de hortaliças nos mercados atacadistas.
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Por outro lado, algumas culturas seguiram na direção contrária. A cenoura ficou mais barata no período, apesar das dificuldades climáticas enfrentadas pelos produtores.
Chuvas pressionam os preços do tomate
O preço do tomate registrou a maior alta entre as hortaliças analisadas pela Conab. Em setembro, a média ponderada das cotações no atacado avançou 48,9%.
As chuvas frequentes nas regiões produtoras do Sul e do Sudeste dificultaram a colheita e atrasaram a maturação dos frutos. Dessa forma, os mercados atacadistas receberam volumes menores do produto, o que contribuiu para elevar os preços no atacado.
A batata também apresentou forte valorização. Depois de dois meses consecutivos de queda, o produto subiu 32,88% na média ponderada nacional. Nesse caso, o excesso de chuva prejudicou os trabalhos no campo e interferiu na oferta de batata.
A cebola acompanhou o movimento de alta, com avanço de 29,31%. Embora diferentes regiões participem do abastecimento nacional, as condições climáticas dificultaram a colheita e limitaram a disponibilidade do produto em setembro.
Já a alface registrou aumento de 15,69% na média ponderada das Ceasas pesquisadas. Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), a alta chegou a 48,3% em relação a agosto.
Cenoura fica mais barata no atacado
Enquanto tomate, batata e cebola ficaram mais caros, a cenoura apresentou queda de 16% na média ponderada dos preços em setembro.
Segundo a Conab, as chuvas também afetaram a produção e a qualidade das raízes. Mesmo assim, as cotações da cenoura recuaram no período. O levantamento ainda identificou a continuidade dessa tendência na primeira quinzena de outubro.
Esse comportamento mostra que o clima na produção agrícola não influencia todas as culturas da mesma maneira. A chuva pode reduzir a oferta de determinadas hortaliças e, consequentemente, elevar os preços. Em outras situações, problemas de qualidade e mudanças na dinâmica de comercialização contribuem para movimentos diferentes.
Por isso, acompanhar as condições de produção e o volume disponível nas centrais de abastecimento ajuda a compreender as oscilações do mercado hortigranjeiro.
Melancia, mamão e banana também registram queda
O levantamento da Conab também apontou recuos nos preços das frutas em setembro.
A melancia ficou 11,06% mais barata na média ponderada. O aumento da produção em Uruana, em Goiás, contribuiu para ampliar a oferta após a melhora das condições climáticas.
O mamão registrou queda de 8,92%. A maior disponibilidade da variedade papaia ajudou a pressionar as cotações para baixo, embora o mamão formosa ainda apresentasse oferta mais restrita.
A banana também ficou mais barata, com redução de 2,63% na média ponderada dos preços em relação a agosto.
Em contrapartida, a maçã subiu 11,99%. O avanço ocorreu em um período de consumo dos estoques armazenados após o encerramento da colheita da safra 2025/26, o que reduziu a disponibilidade do produto para comercialização.
A laranja, por sua vez, registrou alta de 3,28% no mesmo período.
Clima exige atenção dos produtores
As condições climáticas continuam no radar dos produtores, principalmente nas regiões que enfrentam chuvas frequentes durante o ciclo das culturas.
No caso da batata, por exemplo, o excesso de precipitação pode atrasar o plantio e modificar o calendário de colheita. Consequentemente, essas mudanças podem alterar o volume de produtos que chega às centrais de abastecimento ao longo dos próximos meses.
Além disso, as condições de colheita, transporte e armazenamento influenciam a qualidade e a disponibilidade dos alimentos, com reflexos no abastecimento de hortaliças.
Os dados de setembro mostram, portanto, um mercado de hortifruti com comportamentos distintos. Enquanto a menor oferta contribuiu para elevar os preços do tomate, da batata e da cebola, outros produtos registraram recuos.
Para acompanhar essas mudanças, a Conab monitora as cotações e o abastecimento nas principais Ceasas do país por meio do Prohort.


