Já a expectativa de safra recorde de milho pressiona preços e reduz ritmo das negociações
Foto: Tony Oliveira/Sistema CNA/Senar

As cotações da soja avançaram no mercado brasileiro diante do ritmo intenso dos negócios. A demanda externa seguiu firme e as indústrias nacionais ampliaram as compras nos últimos dias. Além disso, a desvalorização do real frente ao dólar aumentou a competitividade da soja brasileira no mercado internacional. Mesmo assim, a ampla oferta global limitou altas mais expressivas nos preços.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reforçam esse cenário. O órgão elevou a estimativa da produção mundial de soja na safra 2025/26 para 429,2 milhões de toneladas, novo recorde histórico. O volume projetado supera em 0,4% a previsão anterior e fica 0,3% acima da temporada passada.

Entre os principais produtores, o Brasil deve colher 180 milhões de toneladas de soja. A estimativa do USDA ficou ligeiramente abaixo das 180,25 milhões de toneladas projetadas pela Conab.

Na Argentina, o USDA elevou a previsão para 50 milhões de toneladas. O volume representa alta de 4,2% frente à estimativa de maio. Apesar do aumento, a produção argentina ainda ficará 2,2% abaixo da safra anterior.

O Brasil também deve manter a liderança global nas exportações de soja. Para a safra 2025/26, o USDA projeta embarques de 115 milhões de toneladas.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Oferta de milho pressiona mercado

No mercado de milho, a expectativa de maior oferta tem pressionado as cotações em grande parte do país. Embora a colheita esteja concentrada em poucos estados, agentes do mercado já consideram o aumento da disponibilidade do cereal nas próximas semanas.

Segundo o Cepea, compradores reduziram o volume de negociações enquanto aguardam possíveis quedas mais acentuadas nos preços.

Ao mesmo tempo, vendedores adotaram maior flexibilidade para fechar negócios. Muitos reduziram preços pedidos ou ajustaram condições de entrega e pagamento. O objetivo é acelerar o escoamento da produção neste início de colheita.

A postura mais cautelosa dos consumidores ganhou força após as novas projeções divulgadas pela Conab e pelo USDA. Os relatórios apontam aumento da produção brasileira na safra 2025/26 e expansão da oferta mundial na temporada 2026/27.

De acordo com o Cepea, o crescimento da produção brasileira resulta da melhora da safra de verão.

No cenário internacional, países como a Índia devem ampliar a produção de milho. Como consequência, os estoques globais também tendem a crescer, aumentando a pressão sobre os preços.