Resumo da notícia
- O uso de sementes não certificadas em soja alcançou 9,6 milhões de hectares na safra 2025/2026, representando 20% da área cultivada e crescimento de 210% desde 2021/2022, segundo CropLife Brasil.
- Essa categoria inclui sementes reservadas para uso próprio, legalmente permitidas, e sementes comercializadas ilegalmente, mas o levantamento não separa os dados entre essas modalidades.
- Além da soja, sementes não certificadas ocuparam 47 mil hectares de algodão em 2025/2026, enquanto 78% da área de soja utilizou tecnologias biotecnológicas em sementes certificadas.
O avanço das sementes não certificadas nas lavouras brasileiras de soja ganhou força nos últimos anos. Na safra 2025/2026, essa categoria ocupou 9,6 milhões de hectares, cerca de 20% da área cultivada com a oleaginosa. Os dados da CropLife Brasil, divulgados com base na plataforma CropData, indicam crescimento de 210% em relação à temporada 2021/2022.
A dimensão dessa área chama a atenção para as mudanças no mercado de sementes. No entanto, para interpretar os números corretamente, é necessário considerar as diferentes modalidades incluídas nessa classificação.
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Uso próprio e comércio ilegal são diferentes
A categoria sementes não certificadas reúne tanto sementes reservadas pelo produtor para uso próprio quanto sementes comercializadas ilegalmente. Embora apareçam no mesmo grupo do levantamento, essas situações têm implicações distintas.
A legislação brasileira permite que o agricultor reserve sementes para plantar em sua própria área, desde que cumpra os requisitos legais. Portanto, essa prática não caracteriza automaticamente uma irregularidade.
Já a comercialização de sementes deve atender às exigências legais aplicáveis. Quando ocorre de forma ilegal, pode envolver problemas relacionados à procedência e à conformidade do material comercializado.
O levantamento não informa quanto dos 9,6 milhões de hectares corresponde a cada modalidade. Assim, o crescimento de 210% se refere ao conjunto das sementes não certificadas, e não exclusivamente à pirataria.
Algodão também registra presença
A soja concentra a maior área identificada, mas o fenômeno também aparece na cotonicultura. Na safra 2025/2026, as sementes não certificadas ocuparam 47 mil hectares de algodão, o equivalente a aproximadamente 2,4% da área plantada com a cultura.
A diferença entre as duas lavouras é expressiva. Enquanto a soja registrou 9,6 milhões de hectares nessa categoria, o algodão somou 47 mil hectares. Os dados mostram, portanto, que a ocorrência não se restringe à principal oleaginosa do país.
Biotecnologia nas lavouras de soja
O levantamento também apresenta indicadores sobre a adoção de biotecnologia agrícola. Na safra 2025/2026, tecnologias que combinam resistência a insetos e tolerância a herbicidas estavam presentes em 38 milhões de hectares de soja, segundo a CropLife Brasil. O número corresponde a 78% da área total cultivada com a cultura.
Essas características auxiliam o manejo de determinadas pragas e plantas daninhas. Entretanto, o percentual se refere às áreas com sementes certificadas e não pode ser aplicado automaticamente aos hectares classificados como não certificados, pois a fonte não apresenta o mesmo detalhamento para esse grupo.
Produção agrícola cresce em ritmo superior à área
Os dados históricos sobre soja e algodão também mostram mudanças expressivas na agricultura brasileira. Entre a safra 1998/1999 e a temporada 2025/2026, a produção conjunta passou de 31,3 milhões para 184,6 milhões de toneladas.
No mesmo intervalo, a área plantada aumentou de 13,7 milhões para 50,6 milhões de hectares. A série apresentada pela entidade indica crescimento médio anual de 6,8% na produção, diante de 5% na área cultivada.
A evolução mostra que a produção avançou em ritmo superior à expansão da superfície plantada. Contudo, esses números históricos não explicam, isoladamente, por que as sementes não certificadas ganharam espaço nas últimas quatro safras.
Diante desse cenário, conhecer melhor a composição dessa categoria é fundamental para avaliar o mercado. A separação entre sementes salvas para uso próprio e sementes comercializadas ilegalmente permitiria dimensionar cada modalidade com maior precisão e compreender melhor a evolução registrada na sojicultura brasileira.


