Teresina, capital do Piauí, é classificada como terceiro município com melhor qualidade de vida nas regiões norte e nordeste pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Além da indústria, um dos destaques da cidade é sua contribuição com o setor agropecuário. E neste lugar se localiza a Fazenda África, propriedade de Rossana e Eduardo Aboud. Especializada em pecuária de corte, ela abre suas porteiras para iniciativas de empreendedorismo, gestão e capacitação na região.

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Após 12 anos vivendo em países como Angola, Moçambique, África do Sul, Tanzânia e Quênia, a advogada e empreendedora Rossana Aboud decidiu junto com seu marido que era o momento de retornar ao Brasil. “Frente à pandemia nos questionamos se valia a pena passar tanto tempo fora e longe da família. Isso nos levou a refletir sobre esse momento pessoal”, conta Rossana.

Rossana Aboud, da Fazenda África

Motivados pelo sonho e pela experiência em gestão corporativa, os executivos contrataram um consultor para ensinar os manejos da pecuária de corte. Em 2021, inauguraram a propriedade de 20 hectares. Passaram também a compartilhar o cotidiano no campo nas redes sociais.

Reconhecimento e inovação

Desde então, a empreitada tem conquistado diferentes formas de reconhecimento. Em três anos, a página da Fazenda África já soma 20 mil seguidores no Instagram. Em 2023, Rossana foi uma das produtoras reconhecidas no Prêmio Mulheres do Agro. O prêmio é uma iniciativa idealizada pela Bayer em parceria com a Abag (Associação Brasileira do Agronegócio) — que está com inscrições abertas para novas interessadas até o dia 31 de julho.

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Focada em incentivar mais mulheres a mostrarem sua jornada no campo, a produtora passou a compartilhar, investindo na transparência dentro da porteira, conteúdo sobre suas práticas que englobam a dedicação ao cuidado animal que resulta na qualidade da carne. Com grande preocupação com a qualidade da alimentação, água, vacina e manejo sanitário, a propriedade busca aperfeiçoar a produção de capim e o modelo de irrigação. “Dentro da Fazenda África entendemos que a sustentabilidade segue um tripé social, econômico e ambiental. Entre nossas ações, captamos a água da chuva para otimizar nosso modelo de irrigação de gotejamento, e conseguimos economizar recursos hídricos com eficiência”, conta.

Responsabilidade social

A Fazenda África compartilha nas redes sociais sua rotina de participação em eventos, dicas de infraestrutura, sustentabilidade e silagem além de técnicas de bem-estar animal, como o curral antiestresse. A propriedade também promove cursos de gestão. Além disso, defende um modelo de gestão transparente, oferecendo oportunidades para que seus colaboradores se especializem e tenham oportunidades de crescimento. Essa estratégia é também uma forma de retenção de talentos que gera motivação nos profissionais.

Logo da Fazenda Africa
Reprodução – Redes Sociais

Com pouco mais de um ano de atividade da Fazenda África, Rossana soube da iniciativa Prêmio Mulheres do Agro, que busca dar espaço e valorizar o trabalho das mulheres que fazem a diferença no campo, reconhecendo suas iniciativas na gestão sustentável de suas propriedades, com foco nos pilares de governança, social e ambiental, e se inscreveu. Desde então, a produtora expandiu sua atuação abrindo as porteiras. “Vi que me comunicar e me posicionar proporcionou mais experiência e vivências voltadas a responsabilidade social. Hoje integro projetos como o ‘Movimento Mulheres de Fibra’ e o ‘Instituto Cultivar Progresso’ ”.

Dentro dessas iniciativas, Rossana soma esforços para a construção de uma clínica escolar para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) que vai beneficiar mais de 300 crianças no sul do estado do Piauí. Esse projeto também auxiliará a comunidade local, com espaço para cursos, aulas de educação ambiental e uma agrofloresta. “Queremos impactar a vida das crianças e de suas famílias, e atrair parceiros para a região, fomentando o empreendedorismo”, acrescenta.

Liderança e inspiração

Já no Movimento Mulheres de Fibra, do Instituto Cultivar Progresso, Rossana é uma das líderes do projeto ao lado das produtoras de grãos Lúcia Bortolozzo e Ani Sanders, com objetivo de difundir uma corrente de ideias ligadas a transformação social. Dentro do projeto, a rede cria produtos e serviços no município de Sebastião Leal. A cidade é um dos polos do agronegócio do Piauí, oferecendo oficinas e capacitações voltadas ao desenvolvimento local.

Com os aprendizados da participação nesses projetos e após ter realizado no progresso à frente da Fazenda África, a produtora voltou a se inscrever no Prêmio Mulheres do Agro em 2023, quando foi reconhecida na categoria de Pequena Propriedade. “O prêmio trouxe muita validação pessoal e profissional. Me sinto mais segura representando o Piauí e defendo a importância de as mulheres reconhecerem suas conquistas”, diz ela.

A produtora convoca as mulheres do setor que ainda não se inscreveram na premiação a também se inscreverem e conhecerem de perto a iniciativa. “O prêmio é importante para balizar o que estamos fazendo em nossas fazendas, reforçar práticas e se apropriar desse espaço. Mostrem seu belíssimo trabalho nas redes sociais, invistam nessa comunicação. Apliquem para suas iniciativas porque ele é um divisor de águas para o nosso desenvolvimento e para nos sentirmos especiais.”

As inscrições para produtoras rurais no Prêmio Mulheres do Agro se encerram na próxima quarta-feira, 31 de julho. E podem ser realizadas por meio do site da premiação.