Resumo da notícia
- A colheita de trigo na Argentina atingiu 33,9% da área cultivada, com produção revisada para 25,5 milhões de toneladas, estabelecendo um recorde histórico para o país.
- A alta produção argentina pressiona os preços do trigo no Brasil, que caíram 8,2% no Rio Grande do Sul e 1,6% no Paraná em novembro, com valores no menor patamar em anos recentes.
- A valorização do real frente ao dólar reforça a queda dos preços internos, impactando diretamente o mercado brasileiro devido à forte dependência da oferta argentina.
Agentes brasileiros acompanham de perto a colheita de trigo na Argentina, principal fornecedora do cereal ao Brasil. Pesquisadores do Cepea destacam que o desempenho argentino influencia diretamente o mercado brasileiro do grão.
Dados da Bolsa de Cereales, divulgados em 27 de novembro, indicam avanço significativo da colheita no país vizinho. Até a data, a Argentina havia colhido 33,9% da área cultivada com trigo. Além disso, a entidade revisou a produção para 25,5 milhões de toneladas. Esse volume supera em 1,5 milhão de toneladas a estimativa anterior da própria bolsa. Consequentemente, o país registra um novo recorde histórico na produção do cereal. O número também supera o recorde anterior, de 22,4 milhões de toneladas, obtido na safra 2021/22.
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Enquanto isso, os preços do trigo caíram no mercado brasileiro ao longo de novembro. Segundo o Cepea, a perspectiva de oferta elevada na Argentina pressiona as cotações internas. Além disso, a valorização do real frente ao dólar reforçou o movimento de desvalorização do trigo. No Rio Grande do Sul, o preço médio atingiu R$ 1.044,82 por tonelada em novembro. Esse valor representa queda de 8,2% em relação a outubro de 2025.
Além disso, o preço recuou 17,1% frente a novembro de 2024. Com isso, o estado registrou o menor valor mensal desde fevereiro de 2018. Todas as comparações consideram valores reais corrigidos pelo IGP-DI.
No Paraná, o preço médio fechou novembro em R$ 1.196,69 por tonelada. O valor representa recuo mensal de 1,6%. Na comparação anual, a queda alcançou 15,9%. Assim, o estado anotou o menor patamar desde outubro de 2023. Desse modo, o avanço da safra argentina segue como fator-chave para o mercado brasileiro de trigo.