Após duas décadas de pesquisa e melhoramento genético, variedade inédita no Brasil avança para registro e futura comercialização
Pesquisador da UEPG desenvolve semente de abóbora sem casca única no Brasil — Foto: Jessica Natal/UEPG

Um trabalho desenvolvido no Laboratório de Melhoramento Genético da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) resultou na criação de uma variedade inédita de semente de abóbora sem casca. Cultivadas na fazenda-escola da instituição, as sementes apresentam elevado potencial produtivo e comercial e já se encontram na etapa final de pesquisas antes da entrada no mercado.

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Ao destacar os resultados obtidos, o professor José Raulindo Gardingo, coordenador do estudo, afirma que a diferença entre a nova variedade e as sementes convencionais é facilmente percebida.

“A nossa semente é inteiramente sem casca, não precisa tirar a casca com o dente ou com a unha, e já vem pronta para ser usada na indústria alimentícia”, explica.

 

Pesquisadores da UEPG exibem sementes de abóbora desenvolvidas por melhoramento genético — Foto: Jessica Natal/UEPG

Além da praticidade, a inovação também oferece vantagens funcionais. Segundo o pesquisador, as sementes possuem maior concentração de cucurbitacina, composto reconhecido por sua ação vermífuga.

“Essa semente tem uma quantidade maior de uma substância chamada cucurbitacina, que funciona como vermífugo, e você pode extrair o óleo ou consumir a semente in natura”, destaca.

Além disso, um estudo divulgado pela Embrapa em 2019 já indicava a ação vermífuga das sementes de abóbora, especialmente quando consumidas sem casca. Dessa forma, a nova variedade desenvolvida pela UEPG elimina a necessidade do descascamento, facilitando o aproveitamento do produto.

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Raulindo ressalta que a literatura científica também aponta potencial de utilização das sementes em pesquisas relacionadas ao combate a tumores.

Foto: Jessica Natal/UEPG

Parceria internacional

A característica da variedade brasileira surgiu a partir de uma parceria de mais de duas décadas entre pesquisadores da UEPG e cientistas da Áustria. No país europeu, sementes assim já eram produzidas desde o século passado.

“Recebi algumas sementes e já comecei os cruzamentos por aqui, com o objetivo de produzir um genótipo de abóbora brasileira que conseguisse produzir essa semente”, relata o professor.

Quando uma abóbora apresenta naturalmente sementes sem casca, a ciência considera o fenômeno uma mutação genética. A partir dessa característica, os pesquisadores realizam sucessivos cruzamentos para estabilizar o traço desejado nas novas populações.

“Depois de 20 anos, chegamos em um resultado mais satisfatório, com sementes que nascem todas sem casca, dentro de diferentes populações e tipos de abóbora”, comemora Raulindo.

Pequenos produtores e mercado agroindustrial

Outro aspecto importante observado pelos pesquisadores é a capacidade de germinação das sementes. Segundo o professor Rodrigo Mattielo, integrante da pesquisa, todas as sementes desenvolvidas apresentam germinação normal no solo.

Agora, a equipe trabalha na conclusão dos testes laboratoriais. Em seguida, o material será submetido ao processo de registro junto ao Ministério da Agricultura. Após essa etapa, ocorrerá a avaliação oficial da viabilidade comercial da cultivar.

Mercado promissor

De acordo com Raulindo, a nova variedade também se diferencia pelo sabor mais agradável em comparação a sementes tradicionais comercializadas atualmente.

“Vemos muitas sementes com cascas mais escuras, que têm um sabor até mais amargo, e a nossa tem um sabor muito agradável. Estamos num caminho positivo para disponibilizar as sementes para dentro e fora do Brasil e até para extração do óleo”, afirma.

O pesquisador elogia as sementes e avalia seu potencial — Foto: Jessica Natal/UEPG

Nos testes realizados em laboratório, os resultados confirmaram as expectativas da equipe. Ao abrirem os frutos, os pesquisadores verificaram que todas as sementes apresentavam a característica desejada.