Resumo da notícia
- O setor cervejeiro brasileiro alcançou recordes em 2025 com 1.954 cervejarias ativas, superávit comercial de US$ 195 milhões e exportações acima de US$ 218 milhões para 77 países.
- A produção de cerveja sem glúten cresceu 418%, atingindo 367,9 milhões de litros, refletindo mudança no consumidor em busca de opções mais saudáveis e adaptadas a restrições alimentares.
- O portfólio cervejeiro brasileiro soma 56.170 rótulos, com destaque para estilos Lager Leve Clara e Pilsener, enquanto as cervejas sem álcool também tiveram aumento expressivo de 537% na produção.
O setor cervejeiro brasileiro encerrou 2025 com três marcas históricas simultâneas: maior número de cervejarias já registrado, recorde de valor exportado e superávit comercial inédito. Os dados constam no Anuário da Cerveja 2026, publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e pintam o retrato de uma indústria que se reinventa mesmo sob pressão econômica e climática.
O país chegou a 1.954 cervejarias ativas, distribuídas em 794 municípios. São quase 800 cidades onde a bebida gera emprego, renda e identidade local. No total, o setor emprega mais de 2,5 milhões de pessoas ao longo da cadeia produtiva e responde por mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Exportações e balança comercial em alta
Pela primeira vez na série histórica, o valor exportado ultrapassou US$ 218 milhões. Um resultado que reflete não apenas volume, mas também o aumento do prestígio da cerveja brasileira no exterior. O setor registrou superávit recorde de US$ 195 milhões na balança comercial e exportou para 77 países.
Para o presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), Márcio Maciel, o resultado confirma a capacidade de adaptação da indústria. “Os números do Anuário mostram um setor que segue evoluindo e ampliando sua presença no país. Nos cenários desafiadores que enfrentamos em 2025, a cerveja provou que pode se reinventar e se adaptar. O brasileiro faz questão da cerveja em seus momentos de celebração e conexão”, afirma.
Portfólio em expansão
O Anuário também registrou retomada no número de produtos registrados, que chegou a 44.212, e crescimento de 2,1% nas marcas de cerveja, totalizando 56.170 rótulos no mercado brasileiro. O dado sinaliza que, apesar da concentração em grandes grupos, o ecossistema de inovação segue ativo.
Os estilos preferidos do brasileiro continuam sendo as Lager Leve Clara, responsável por 58,3% da produção, seguida da Pilsener, com 32,4%, e de Outras Lagers, com 8,5%. Mas é nos nichos que o crescimento mais chama atenção.
Cerveja sem glúten cresce 418% em um ano
O dado mais surpreendente do levantamento é o crescimento de 417,6% na produção de cerveja sem glúten. O volume saltou de 71 milhões para 367,9 milhões de litros entre 2024 e 2025. Isso é o equivalente a 2,35% de tudo que o Brasil produziu na bebida no período. O avanço reflete uma mudança estrutural no comportamento do consumidor, que busca cada vez mais alternativas adequadas a restrições alimentares ou a um estilo de vida mais consciente.

Esse crescimento integra uma transformação mais ampla no perfil do consumidor brasileiro, que busca mais diversidade, qualidade e alternativas com menor teor alcoólico. Cervejas sem álcool também registraram alta expressiva. A produção sem álcool cresceu 536,9% no ano anterior, chegando a representar 4,9% do volume nacional, segundo o Anuário de 2025.
Interiorização como vantagem competitiva
A presença em quase 800 municípios não é coincidência. A lógica da cerveja favorece a produção próxima ao consumo: quanto mais fresco o produto, maior a qualidade percebida. Isso impulsiona a interiorização, o desenvolvimento regional e a criação de ecossistemas produtivos distribuídos pelo país. Um diferencial que poucos segmentos da indústria de alimentos conseguem replicar.
Dados de consumo fora do lar mostram que 63% dos brasileiros ainda consomem cerveja em bares e restaurantes, com São Paulo e Rio de Janeiro liderando com índices acima de 70%. Mesmo com uma leve retração no número de consumidores, as ocasiões de consumo fora de casa cresceram 20%, totalizando mais de 41,4 milhões de eventos. Ou seja, quem bebe, bebe mais vezes.
Um setor sob pressão, mas em movimento
O cenário não é apenas de euforia. A Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil) aponta que o consumo de cerveja no Brasil caiu 5% em 2025, pressionado pela ascensão dos drinks prontos para beber (Ready to Drink) e pela mudança de hábitos, especialmente entre consumidores mais jovens.
Ainda assim, os números do Anuário mostram que o setor respondeu com diversificação, inovação e internacionalização. E que a cerveja brasileira nunca esteve tão presente, nem tão variada.
