Produtividade cresce 3,6 vezes mais rápido que o rebanho e consolida avanço sustentável da pecuária nacional
carne bovina assada
Foto: Rodarte/Agro em Campo

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) apresentou em Brasília a 11ª edição do Beef Report, publicação que reúne os principais indicadores da pecuária de corte brasileira. O presidente da entidade, Roberto Perosa, conduziu o lançamento ao lado dos diretores da ABIEC, durante coletiva de imprensa com jornalistas.

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Elaborado em parceria com a Athenagro Consultoria, o relatório confirma que 2025 marcou um ano histórico para a pecuária nacional. O país produziu 12,35 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC), abateu 47,79 milhões de bovinos e movimentou R$ 1,159 trilhão. As exportações somaram 3,5 milhões de toneladas de carne bovina para 177 países, com faturamento recorde de US$ 18 bilhões. Esse desempenho consolidou o Brasil, pela primeira vez, como o maior produtor mundial de carne bovina e manteve o país na liderança das exportações globais.

O Beef Report também evidencia os avanços da produtividade brasileira. Entre 1990 e 2025, a produção nacional de carne bovina cresceu 146,6%, ritmo 3,6 vezes superior ao crescimento do rebanho, que avançou 40% no mesmo período. O rebanho brasileiro atingiu 195,5 milhões de cabeças, o maior rebanho comercial do mundo, e o país passou a responder por 16,1% de toda a produção global de carne bovina.

Exportações atingem novo recorde histórico

As exportações alcançaram um novo recorde em 2025, com crescimento de 20,6% em volume e de 40% em receita na comparação com 2024. A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, seguida por Estados Unidos, Chile, União Europeia e Rússia. A participação das exportações na produção nacional atingiu 36,7%, o maior patamar da série histórica.

Carne na tábua
Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

A cadeia da pecuária de corte movimentou R$ 1,159 trilhão em 2025, valor equivalente a cerca de 9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O mercado interno absorveu 7,87 milhões de TEC, correspondentes a 63,3% da produção nacional, enquanto o consumo per capita atingiu 37,04 quilos equivalente carcaça por habitante ao ano.

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Estabelecimentos sob Serviço de Inspeção Federal (SIF) processaram 63,6% dos bovinos abatidos e responderam por 66,5% de toda a carne produzida no país.

Setor amplia produtividade e reduz área de pastagens

Os números do Beef Report mostram que a pecuária brasileira segue baseando seu crescimento no aumento da produtividade e no uso mais eficiente da terra. Nos últimos 30 anos, a produtividade cresceu 183%, enquanto a área de pastagens recuou 18%, chegando a cerca de 160 milhões de hectares. Nesse período, o setor converteu aproximadamente 27,9 milhões de hectares de pastagens para agricultura e outras atividades. Atualmente, a vegetação nativa cobre 64% do território brasileiro, enquanto as pastagens ocupam cerca de 19% da área do país.

O relatório também destaca o avanço da intensificação da produção. Em 2025, os sistemas de confinamento e Terminação Intensiva a Pasto (TIP) responderam por 23% dos bovinos abatidos, e cerca de 19 milhões de animais receberam dietas com altos níveis de concentrado. Um indicador do avanço tecnológico da pecuária brasileira e de seu potencial para ampliar a produção sem expandir a área ocupada. O documento aponta ainda participação recorde das fêmeas no abate formal (46,8%), reflexo do avanço do descarte técnico e dos ganhos de produtividade dos rebanhos.

O estudo de descarbonização incorporado ao Beef Report estima que a modernização da pecuária poderá reduzir em pelo menos 79,9% a intensidade das emissões por quilo de carne até 2050. Com desmatamento zero, adoção das tecnologias do Plano ABC+, redução da idade de abate e uso de aditivos para mitigação de metano, essa redução poderá alcançar 92,6%.

Projeção de expansão de 23% na produção até 2035

Além de retratar o desempenho atual da cadeia, o Beef Report traça perspectivas para o futuro da pecuária brasileira. As projeções indicam que a produção poderá atingir 15,18 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC) até 2035, crescimento de cerca de 23% em relação a 2025. As exportações deverão avançar de 4,53 milhões para 7,09 milhões de TEC, alta de 56,5%. Mesmo diante da expectativa de acomodação da produção em 2026, o relatório destaca que o Brasil reúne as melhores condições para responder ao crescimento da demanda mundial por carne bovina, sustentado pelos ganhos de produtividade, competitividade e abertura de mercados.

Ao comentar os resultados, Roberto Perosa afirmou que o Beef Report retrata um dos momentos mais importantes da história da pecuária brasileira. Segundo o presidente da ABIEC, os números comprovam que o setor consegue produzir mais com maior eficiência, sustentabilidade e competitividade. Uma evolução que consolidou o Brasil como maior produtor e exportador mundial de carne bovina. E que posiciona o país para atender à crescente demanda global por proteína de qualidade.