Resumo da notícia
- O Chaco paraguaio se destaca na produção agropecuária de alta qualidade sem irrigação, mesmo com chuvas anuais entre 300 e 800 mm, servindo como modelo de resiliência climática para o Rio Grande do Sul.
- Cooperativas menonitas lideram 80% da produção de leite do Paraguai e mantém pecuária intensiva, aliando alta produtividade à preservação ambiental com 25% da área preservada por lei e fiscalização rigorosa.
- O uso estratégico de dados e gestão baseada em conhecimento técnico, aliado à capacitação promovida pela Fundação Ideagro, é fundamental para o sucesso e adaptação das propriedades no Chaco paraguaio.
O Chaco paraguaio produz grãos, leite e carne de alta qualidade sem irrigação e com chuvas escassas. A região recebe entre 300 e 800 milímetros de água por ano, mas mesmo assim se tornou um polo agropecuário que chama atenção internacional. Para o Rio Grande do Sul, que enfrenta estiagens recorrentes, o modelo paraguaio pode servir de referência.
A pesquisadora Soraya Tanure, da Ufrgs, ministrou um curso para técnicos de cooperativas do Chaco Central e viu de perto como a região superou décadas de desafios climáticos. “O modelo desenvolvido no Chaco paraguaio surge como um valioso exemplo de resiliência e adaptação”, afirma.
Como o Paraguai produz sem irrigar
A escassez de água marca a rotina da região. Até a água de consumo da população percorre mais de 500 quilômetros por dutos desde Assunção. Ainda assim, os produtores driblam a falta d’água e seguem entre os grandes exportadores do setor.
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Soraya ensinou modelagem estatística aplicada ao campo. As cooperativas já reúnem muitos dados sobre reprodução, manejo e sanidade animal, mas precisam transformá-los em decisões mais assertivas para melhorar a gestão das propriedades.

O que o RS pode aprender com o modelo paraguaio
Soraya destaca a forma como os paraguaios transformaram fazendas em verdadeiras empresas rurais. Produtores do Sul do país ganhariam ao adotar essa lógica de gestão baseada em dados, que ela considera um dos pilares da administração rural.
Segundo a pesquisadora, dados sozinhos não bastam. A análise de dados precisa caminhar junto com a experiência dos produtores para gerar modelos capazes de prever cenários futuros para o negócio.
O papel das cooperativas menonitas no sucesso do Chaco
As comunidades menonitas migraram para o Chaco há quase um século e construíram uma sólida rede de cooperativismo. Em cidades como Loma Plata, Filadélfia e Neuland, cerca de 90% dos empregos dependem das cooperativas locais, que ajudaram a vencer o isolamento geográfico da região.
Hoje, o grupo responde por 80% de toda a produção de leite do Paraguai e mantém uma pecuária de corte intensiva, com abates diários de até 800 animais voltados majoritariamente à exportação.
Produção alta anda ao lado da preservação ambiental
As cooperativas seguem uma legislação ambiental rigorosa, que obriga cada propriedade a manter 25% da área como reserva de vegetação nativa. Auditorias e inspeções constantes garantem que a regra seja cumprida na prática, não só no papel.
O Chaco investe em capacitação técnica por meio da Fundação Ideagro, financiada pelas cooperativas locais. A fundação treina consultores que ajudam produtores a superar gargalos como a escassez de mão de obra e de água. Soraya integra esse grupo e já ministra cursos no país pelo segundo ano consecutivo.