Resumo da notícia
- A Lei 15.464/26 reconhece Mara Rosa, em Goiás, como Capital Nacional do Açafrão, destacando sua importância histórica e socioeconômica no cultivo da Curcuma longa.
- O município produz cerca de 5 mil toneladas de açafrão por ano, cultivando 250 hectares e gerando mais de 3 mil empregos diretos e indiretos na região.
- Mara Rosa já possui selo de Indicação Geográfica, que certifica a qualidade do produto e abrange municípios vizinhos, reforçando a tradição local iniciada no século XVI.
O Governo Federal sancionou a Lei 15.464/26, que confere ao município de Mara Rosa, no norte de Goiás, o título de Capital Nacional do Açafrão. O Diário Oficial da União publicou a norma na última sexta-feira (10), oficializando em âmbito federal o que produtores da região já reivindicavam havia anos: o reconhecimento de Mara Rosa como o principal polo brasileiro de cultivo da especiaria.

A lei tem origem no Projeto de Lei 2522/21, apresentado pelo então deputado federal João Campos (GO), hoje vice-prefeito de Aparecida de Goiânia. A Câmara dos Deputados aprovou a proposta e a encaminhou ao Senado Federal, onde a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) analisou o texto. O senador Wilder Morais (PL-GO) relatou a matéria e apresentou parecer favorável, destacando o vínculo histórico, cultural e socioeconômico entre a cidade e o cultivo da Curcuma longa, nome científico do açafrão-da-terra.
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Ao justificar a proposta original, João Campos citou números que evidenciam a força da cultura na região. Mara Rosa respondia, à época, por cerca de 90% da produção goiana de açafrão e por aproximadamente 30% de toda a produção nacional.
Mara Rosa concentra a maior produção de açafrão do país
Localizada na microrregião de Porangatu, entre as bacias dos rios Araguaia e Tocantins, Mara Rosa tem população estimada em cerca de 10 mil habitantes. O clima tropical úmido da região, com estação chuvosa entre outubro e abril e período seco de abril a outubro, cria condições ideais tanto para o desenvolvimento da planta quanto para a secagem do produto colhido.

O município cultiva atualmente cerca de 250 hectares de açafrão e produz em torno de 5 mil toneladas por ano. A cadeia produtiva envolve mais de 300 famílias, muitas organizadas em cooperativas, caso da Cooperativa dos Produtores de Açafrão de Mara Rosa (Cooperaçafrão), fundada em 2003. Ela gera mais de 3 mil empregos diretos e indiretos. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) já havia concedido à região o selo de Indicação Geográfica (IG), que certifica a origem e a qualidade do produto e também abrange os municípios vizinhos de Amaralina, Alto Horizonte, Estrela do Norte e Formoso.
A relação entre Mara Rosa e o açafrão começou ainda no século XVI, quando bandeirantes usavam a planta para marcar trilhas até as minas e temperar alimentos. As primeiras sementes e mudas se incorporaram à vegetação nativa do cerrado goiano. E ao longo dos séculos, garimpeiros e escravos ampliaram o cultivo na região, hoje descrita por produtores locais como “o ouro do cerrado goiano”.
O que é o açafrão-da-terra e para que serve
Apesar do nome popular, o açafrão cultivado em Mara Rosa não é a espécie de origem europeia (Crocus sativus), e sim o açafrão-da-terra. Ele também é chamado de cúrcuma, açafrão-da-índia ou gengibre amarelo, uma raiz da família Zingiberaceae, nativa da Índia e cientificamente classificada como Curcuma longa. A indústria alimentícia utiliza a raiz, seca e moída em pó, como tempero, corante natural e ingrediente de mostardas, massas, molhos e margarinas. O produto também ganha espaço crescente nas indústrias farmacêutica e cosmética, impulsionado por pesquisas sobre suas propriedades funcionais.

Em Goiás, o açafrão já integra o cardápio típico. Pratos como o tradicional “franguinho com açafrão” e festas populares, entre elas a Feira do Açafrão de Mara Rosa, consolidaram a especiaria como patrimônio cultural imaterial do estado. Um reconhecimento que a Assembleia Legislativa goiana já havia formalizado por lei estadual em 2022.
Próximos passos para o setor
Com o título nacional em vigor, produtores da região esperam ganhos de visibilidade e novos incentivos para a cadeia produtiva, que hoje direciona a maior parte da produção ao mercado interno, mas já exporta volumes menores para países como Índia e Israel.
Assim, a expectativa de lideranças locais é que o reconhecimento federal amplie investimentos em infraestrutura, beneficiamento e comercialização do açafrão goiano.








