Cultivares desenvolvidas pelo IAC já são plantadas em mais de 15 estados
Cultivares Maracujá resistentes a fusariose
Foto: Gabriel Faria/Embrapa

O Instituto Agronômico (IAC-APTA), de Campinas (SP), vem ampliando a presença de cultivares de maracujá voltadas à produção de polpas em diferentes regiões do Brasil. As variedades IAC 275 Maravilha e IAC 1013 Laureado se destacam pelo rendimento industrial e pela produtividade, características que podem aumentar a competitividade da cadeia e criar novas oportunidades para pequenos e médios produtores.

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Foto: Rodarte/Agência Agro em Campo

Em 2025 e no primeiro semestre de 2026, considerando pomares já produtivos e aqueles ainda em formação, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão e Paraná lideraram o plantio das cultivares do IAC destinadas à indústria.

Também houve registros no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Tocantins, Alagoas, Pernambuco, Pará, Bahia, Rondônia, Acre e Distrito Federal.

Em São Paulo, os cultivos estão distribuídos por diferentes municípios, com destaque para Fartura, próximo à divisa com o Paraná.

“Em 2025 e 2026, fornecemos sementes para produtores de Americana, Areias, Bauru, Campina do Monte Alegre, Conchas, Cruzeiro, Guaratinguetá, Iacanga, Iguape, Itaí, Itaporanga, Jarinu, Jundiaí, Louveira, Óleo, Santos, São Paulo e Sertãozinho”, afirma José Luiz Hernandes, pesquisador do IAC.

Maracujá vira alternativa para pequenos produtores

Nas lavouras paulistas, o cultivo tem atraído pequenos produtores familiares. Segundo o IAC, uma das vantagens é a facilidade de adoção, já que o sistema de plantio e manejo é semelhante tanto para frutos destinados à indústria quanto para aqueles comercializados in natura.

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Em agosto, os produtores paulistas entram na fase final da produção. Quem realiza duas safras no mesmo plantio inicia a limpeza e se prepara para a poda entre o fim de agosto e o começo de setembro.

Já os produtores que trabalham com apenas uma safra começam a retirar as plantas que produziram durante o ciclo e preparam o solo e o sistema de condução para o cultivo seguinte.

“Aqueles que realizam duas safras no mesmo plantio iniciam a limpeza e se preparam para a poda no fim de agosto e início de setembro. Já quem trabalha com apenas uma safra começa a eliminar as plantas que produziram neste ciclo, preparando o solo e o sistema de condução para o próximo cultivo”, explica Hernandes.

O que a indústria busca no maracujá?

Para a produção de polpa, tamanho e aparência do fruto deixam de ser os principais critérios de qualidade. A indústria busca características diretamente relacionadas ao aproveitamento da matéria-prima.

Entre elas estão rendimento de polpa acima de 50%, teor de sólidos solúveis superior a 12 graus Brix — preferencialmente acima de 14 — e polpa de coloração alaranjada intensa.

“As características buscadas pela indústria e plenamente atendidas pelas nossas cultivares são o rendimento de polpa acima de 50%, teor de sólidos solúveis acima de 12 graus Brix, sendo desejável acima de 14, e coloração alaranjado intenso da polpa”, afirma o pesquisador.

O ciclo relativamente rápido da cultura também favorece o retorno econômico. Além disso, o processamento da fruta agrega valor à produção e permite a geração de renda durante boa parte do ano.

Cultivares podem chegar a 17 graus Brix

Atualmente, o IAC disponibiliza sementes de quatro cultivares de maracujá azedo amarelo. A IAC 275 Maravilha e a IAC 1013 Laureado são direcionadas à produção de polpa, enquanto a IAC 273 e a IAC 277 são destinadas principalmente ao mercado de frutas de mesa.

As duas variedades industriais podem atingir 17 graus Brix, além de apresentarem alto rendimento e polpa de coloração alaranjada intensa. Na IAC 1013 Laureado, a tonalidade tende a ser ainda mais acentuada.

A recomendação dos pesquisadores é cultivar a IAC 275 Maravilha e a IAC 1013 Laureado juntas, na proporção de 50% para cada variedade.

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“A combinação das características dessas duas cultivares permite os melhores parâmetros de qualidade para produção de polpa em rendimento, Brix e coloração da polpa”, explica Hernandes.

A IAC 275 Maravilha produz frutos de tamanho médio e formato predominantemente alongado, embora também possam ser arredondados. A IAC 1013 Laureado, por sua vez, apresenta principalmente frutos médios e redondos, com ocorrência de exemplares alongados. Ambas possuem casca fina.

Na região Sudeste, o amadurecimento ocorre principalmente entre janeiro e julho. O período tende a ser mais longo no Norte e Nordeste e mais curto no Sul, devido às diferenças na quantidade de luz disponível em cada região.

Agroindústria próxima ajuda a reduzir custos

Um dos pontos fundamentais para a viabilidade da produção é a existência de agroindústrias próximas às lavouras. A comercialização dos frutos destinados à fabricação de polpa costuma ocorrer diretamente entre produtores e unidades processadoras.

A proximidade reduz despesas com transporte e facilita entregas frequentes.

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“Como o maracujá é colhido diariamente por cerca de seis meses do ano nas lavouras paulistas, com muitas entregas ao longo desse período, a proximidade da indústria é essencial para facilitar o escoamento frequente da produção”, afirma Hernandes.

Cooperativas regionais e agroindústrias familiares também funcionam como canais de comercialização. Parte da produção brasileira de polpa e suco ainda é destinada à exportação, inclusive para mercados europeus.

Além do suco e da polpa, a cadeia permite o aproveitamento de cascas e sementes, que podem ser utilizadas na fabricação de ração animal, óleos e insumos para a indústria de cosméticos.

Polinização pode definir produtividade da lavoura

As flores do maracujazeiro também desempenham papel essencial na produtividade. As mamangavas estão entre as principais responsáveis pela polinização natural da cultura.

Por serem maiores, esses insetos conseguem transportar o pólen no dorso entre diferentes flores. Assim, quando a polinização é insuficiente, os frutos podem apresentar menor qualidade e formação incompleta.

Para preservar os polinizadores, a recomendação é que eventuais pulverizações sejam realizadas pela manhã, antes da abertura das flores e do período de maior atividade desses insetos, que ocorre à tarde.

Em regiões onde não há quantidade suficiente de mamangavas, a alternativa é recorrer à polinização manual.

O maracujá azedo (Passiflora edulis) representa cerca de 90% dos pomares brasileiros e é o tipo mais consumido no país. A fruta é utilizada na produção de sucos concentrados, integrais e néctares, além de produtos cosméticos e fitoterápicos.

Onde encontrar as sementes

Produtores e viveiristas interessados nas cultivares podem procurar o Instituto Agronômico pelos contatos [email protected] e [email protected].

O IAC também fornece material de propagação ao Serviço de Produção de Sementes e Mudas da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI).