Resumo da notícia
- O sorgo se consolidou na segunda safra de Mato Grosso do Sul, com crescimento de mais de 7.700% em cinco safras, impulsionado pela demanda das usinas de etanol de milho e contratos estáveis.
- A expansão estratégica do sorgo ocorre em regiões com restrições climáticas para o milho, garantindo segurança econômica e eficiência no planejamento agrícola da safrinha.
- A resistência do sorgo a intempéries e doenças, aliada à estrutura logística das usinas, viabilizou seu crescimento como cultura econômica e ferramenta de gestão de risco no Estado.
O sorgo ganhou protagonismo na segunda safra de Mato Grosso do Sul e se firmou como peça estratégica no planejamento agrícola do Estado. O avanço da cultura, impulsionado pela demanda das usinas de etanol de milho, transformou o sorgo em uma escolha econômica planejada, e não mais em solução emergencial.
Dados do SIGA (Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio), ferramenta gerida pelo Governo do Estado por meio da Semadesc em parceria com a Aprosoja, mostram que a área cultivada saltou de pouco mais de 5 mil hectares para quase 400 mil hectares em apenas cinco safras. Um crescimento superior a 7.700%.
Expansão estratégica guiada pelo mercado
O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, destaca que o avanço do sorgo “não é casual, é estratégia”. Segundo ele, a expansão reflete a força do mercado e a demanda das usinas de etanol instaladas em Mato Grosso do Sul. “O fator decisivo foi o surgimento de uma demanda estruturada, com contratos de compra que garantem previsibilidade e segurança econômica ao produtor”, afirma.
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De acordo com o SIGA, o salto mais expressivo começou na safra 2021/2022, quando o sorgo passou a ocupar áreas maiores e ganhar escala rapidamente. Após ajustes de adaptação, a cultura voltou a crescer com força em 2024/2025, praticamente dobrando sua área. Verruck explica que essa consolidação mostra que o sorgo já faz parte do planejamento da safrinha, especialmente em regiões de maior risco climático e janela curta após a soja.
A consolidação das usinas de etanol de milho no Estado foi um divisor de águas para a cultura. Antes limitada pela falta de mercado, a produção de sorgo encontrou sustentação nas indústrias que agora firmam contratos diretos, garantem escala e oferecem condições logísticas adequadas. “O mercado passou a dar sustentação e a criar um ciclo virtuoso de crescimento”, ressalta Verruck.
Mapa do avanço: regiões com maior expansão
Os dados mais recentes do SIGA mostram que dez municípios concentram metade da área plantada de sorgo na segunda safra sul-mato-grossense. Entre os principais estão Ponta Porã, Maracaju, Bonito, Bela Vista e Sidrolândia.
Esses polos agrícolas correspondem justamente às regiões onde o milho enfrenta maiores restrições de clima ou janela de plantio, e o sorgo surge como ferramenta eficaz de gestão de risco produtivo.
Resistência e viabilidade garantem espaço
Para o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta, o crescimento do sorgo comprova sua viabilidade técnica e econômica na segunda safra. “Por ser mais resistente às intempéries e doenças, o sorgo se adapta melhor a áreas marginais, onde o milho teria mais dificuldade”, explica.
Beretta acrescenta que a estrutura proporcionada pelas usinas, com contratos, mercado garantido e armazenagem, eliminou os maiores obstáculos históricos da cultura. “Essas condições dão segurança ao produtor e consolidam o sorgo como uma opção sólida dentro da rotação agrícola”, afirma.
Mato Grosso do Sul entre os maiores produtores
No cenário nacional, a Conab projeta que o Brasil ultrapasse 6,6 milhões de toneladas de sorgo na safra 2025/2026, com Mato Grosso do Sul ocupando a quarta posição entre os principais estados produtores.
Para Verruck, o caso de sucesso do sorgo em MS reflete o potencial da integração entre produção agrícola, bioenergia e sustentabilidade. “Quando há mercado, contratos e visão de longo prazo, a produtividade cresce, o risco cai e o desenvolvimento se consolida”, resume.
