Resumo da notícia
- A Corteva Agriscience reuniu especialistas na Expodireto Cotrijal para discutir tecnologia na aplicação de defensivos e impacto das doenças iniciais da soja na produtividade da próxima safra.
- A empresa destacou programas de capacitação com treinamentos teóricos e práticos para aplicação correta de defensivos, beneficiando mais de 45 mil pessoas desde 2006.
- Foi apresentada a tecnologia do herbicida Enlist Colex-D, que reduz em até 90% a deriva, minimizando prejuízos e promovendo produtividade aliada à responsabilidade ambiental.
A Corteva Agriscience reuniu especialistas, produtores rurais e jornalistas durante a Expodireto Cotrijal 2026, em Não-Me-Toque (RS), para discutir dois temas centrais da próxima safra de grãos: a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas e o impacto das doenças iniciais da soja na produtividade. O encontro ocorreu no dia 11 de março e destacou a importância da inovação, do treinamento e das boas práticas agrícolas para reduzir perdas no campo.
Participaram da coletiva o professor Adriano Arrué Melo, da Universidade Federal de Santa Maria, o consultor agronômico Maurício De Bortoli, o produtor rural Pedro Basso, da região de Vacaria (RS), e Maxwell Borges, líder comercial de tratamento de sementes da empresa. Ao longo do debate, os convidados abordaram desafios técnicos da produção agrícola e estratégias para melhorar a eficiência das lavouras.
Além disso, representantes da companhia apresentaram projetos voltados à disseminação de conhecimento técnico no campo. A iniciativa busca aproximar pesquisadores, técnicos e produtores, ampliando o acesso a informações sobre manejo e aplicação correta de insumos agrícolas.
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Treinamento e tecnologia para aplicação responsável
Um dos focos da apresentação foi a difusão de boas práticas agrícolas. A empresa destacou programas de capacitação voltados à aplicação responsável de defensivos, com treinamentos teóricos e práticos para agricultores e operadores de máquinas.
Nesse contexto, uma das iniciativas utiliza uma caminhonete equipada para levar cursos diretamente às propriedades rurais. O objetivo é orientar trabalhadores sobre a pulverização correta, garantindo que o produto seja aplicado na dose adequada e atinja o alvo desejado.
Desde 2006, mais de 45 mil pessoas já participaram de mais de 2 mil treinamentos promovidos pela empresa em diferentes regiões do país. Os cursos têm duração de 16 horas, divididas entre teoria e prática, e abordam temas como regulagem de pulverizadores, segurança do trabalhador e manejo eficiente de defensivos.
Além disso, as ações fazem parte de uma estratégia baseada em cinco pilares: manejo integrado de plantas daninhas, manejo integrado de pragas, manejo integrado de doenças, tecnologia de aplicação e segurança do trabalhador rural.
Deriva
Outro ponto discutido foi a deriva de herbicidas, fenômeno que ocorre quando o produto aplicado se desloca para áreas vizinhas. Esse problema pode atingir outras culturas e gerar prejuízos para produtores rurais.
Para reduzir esse risco, a empresa apresentou tecnologias como o herbicida Enlist Colex-D, desenvolvido com sal colina. Segundo a companhia, a formulação reduz a volatilidade e pode diminuir o risco de deriva em até 90% durante a aplicação.
O professor Adriano Arrué Melo destacou que a evolução da tecnologia de aplicação tem papel decisivo para conciliar produtividade e responsabilidade ambiental. Segundo ele, defensivos agrícolas continuam sendo ferramentas importantes para o controle de pragas e doenças, desde que utilizados com critérios técnicos.
“A pesquisa busca garantir que os produtos sejam aplicados de forma eficiente. Assim, o agricultor evita perdas e a sociedade também se beneficia”, afirmou.
De acordo com o pesquisador, o Rio Grande do Sul foi pioneiro ao estabelecer normas específicas sobre tecnologia de aplicação em 2018. A regulamentação ampliou o controle sobre a atividade e estimulou programas de capacitação de operadores.
Hoje, segundo dados apresentados no encontro, o número de aplicadores cadastrados no Estado passou de 3.348 em 2022 para mais de 32 mil em 2026. Além disso, a certificação exige reciclagem a cada cinco anos.

Doenças iniciais da soja preocupam produtores
Outro tema discutido foi o impacto das doenças iniciais da soja, que podem comprometer o desenvolvimento das plantas logo nas primeiras fases da cultura. O consultor agronômico Maurício De Bortoli apresentou um panorama dos principais patógenos presentes na safra 2025/26 e destacou que fatores como solo, clima e qualidade das sementes influenciam diretamente o desempenho das lavouras.
Segundo ele, a janela de plantio considerada ideal no Rio Grande do Sul costuma ocorrer entre 20 de outubro e 20 de novembro. Esse período reúne condições favoráveis de temperatura e umidade para o estabelecimento inicial da cultura.
No entanto, variações climáticas podem trazer desafios adicionais ao produtor. Em muitas regiões, o início da safra apresenta temperaturas mais baixas e maior umidade. Já no final do ciclo, o cenário costuma mudar, com calor mais intenso e menor disponibilidade de água.
Por isso, especialistas defendem que o produtor adote estratégias preventivas para proteger a lavoura desde o início do cultivo. Nesse contexto, o tratamento de sementes surge como uma ferramenta fundamental para reduzir riscos e garantir melhor desenvolvimento das plantas.
Maxwell Borges, líder comercial de tratamento de sementes da Corteva, destacou que a proteção inicial da semente pode influenciar diretamente o estabelecimento da cultura no campo. Segundo ele, a adoção de tecnologias específicas ajuda a reduzir o impacto de patógenos presentes no solo.
Além disso, o manejo adequado contribui para fortalecer o sistema radicular das plantas e aumentar o potencial produtivo das lavouras.
Experiência no campo reforça importância do manejo
A visão prática do campo foi apresentada pelo produtor rural Pedro Basso, que cultiva soja na região de Vacaria (RS), área caracterizada por altitudes mais elevadas e variações climáticas frequentes.
Segundo ele, as lavouras enfrentam diferentes adversidades ao longo da safra, como frio, chuvas intensas e períodos de estiagem. Por isso, a escolha de tecnologias adequadas se torna decisiva para reduzir perdas.
Basso relatou experiências com doenças como a podridão radicular causada por Phytophthora sojae, patógeno que pode comprometer o desenvolvimento das plantas ainda nos estágios iniciais da cultura.
Para enfrentar esse cenário, o produtor afirmou que o tratamento de sementes tem se mostrado uma estratégia importante para aumentar a segurança da lavoura. Ele destacou resultados obtidos após testar a tecnologia LumiTreo.
Segundo o agricultor, o produto apresentou efeito mais duradouro em comparação ao manejo anterior. “Observamos cerca de 21 dias adicionais de proteção, o que trouxe mais segurança no estabelecimento da lavoura”, relatou.
Por fim, os participantes do encontro ressaltaram que a integração entre pesquisa, inovação tecnológica e capacitação de produtores será fundamental para enfrentar os desafios da próxima safra. A troca de conhecimento entre universidades, empresas e agricultores deve continuar impulsionando práticas mais eficientes e sustentáveis no agronegócio brasileiro.









