Setor responde por quase metade das vendas externas do Brasil e abre 525 novos mercados desde 2023
Foto: divulgação - Agência Brasil/Ricardo Botelho/Minfra

O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com resultados históricos. As exportações do setor somaram US$ 169,2 bilhões, crescimento de 3% em relação a 2024, e representaram 48,5% de todas as vendas externas do país. O desempenho recorde foi impulsionado sobretudo pela abertura e ampliação de mercados internacionais e pelo aumento de 3,6% no volume exportado, que compensou a leve queda de 0,6% nos preços médios.

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Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, os números refletem o sucesso da estratégia de diversificação de produtos e destinos, realizada em parceria entre o Mapa, Itamaraty, MDIC e ApexBrasil. “O agro brasileiro mostrou resiliência, garantindo abastecimento interno, emprego, renda e sustentabilidade”, afirmou.

Balança comercial do agro alcança superávit de US$ 149 bilhões

As importações agropecuárias totalizaram US$ 20,2 bilhões no ano passado, alta de 4,4%. Com isso, a balança comercial do agronegócio fechou 2025 com superávit de US$ 149,07 bilhões, o maior da história.

Somente em dezembro, o setor registrou exportações de US$ 14 bilhões, aumento de 19,8% sobre o mesmo mês de 2024, e importações de US$ 1,62 bilhão, resultando em saldo positivo de US$ 12,38 bilhões.

Diversificação e abertura de mercados fortalecem desempenho

Desde 2023, o Brasil abriu 525 novos mercados para produtos agropecuários. Essas aberturas já garantiram cerca de US$ 4 bilhões em receitas adicionais, segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua.

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A diversificação de produtos e destinos permitiu ao país mitigar os efeitos de turbulências globais, como tarifações, queda de preços e casos pontuais de influenza aviária.

A safra recorde de grãos 2024/2025 também foi determinante, alcançando 352,2 milhões de toneladas, alta de 17% sobre o ciclo anterior. No setor de carnes, a produção de bovina, suína e de frango também foi recorde, garantindo excedentes exportáveis sem comprometer o mercado interno.

China, União Europeia e EUA lideram as compras

A China manteve-se como principal destino, com US$ 55,3 bilhões (32,7% das exportações e alta de 11%), seguida pela União Europeia (US$ 25,2 bilhões, +8,6%) e pelos Estados Unidos (US$ 11,4 bilhões, -5,6%). Outros mercados em destaque foram Paquistão (+122%), Argentina (+29%), Filipinas, Bangladesh, Reino Unido e México.

Soja, carnes e café dominam a pauta exportadora

A soja em grãos manteve a liderança, com US$ 43,5 bilhões em receitas (+1,4%) e volume recorde de 108,2 milhões de toneladas (+9,5%).

A carne bovina registrou US$ 17,9 bilhões (+39,9%) e ganhou 11 novos mercados em 2025.

Na carne suína, o Brasil conquistou o posto de terceiro maior exportador mundial, com crescimento de 19,6% em valor e 12,5% em volume.

Já a carne de frango teve aumento de 0,6% no volume exportado, mesmo diante dos desafios sanitários do ano anterior.

O café apresentou alta de 30,3%, totalizando US$ 16 bilhões, impulsionado por preços internacionais historicamente elevados. Frutas, pescados, feijões e produtos regionais também registraram avanços expressivos.

Produtos não tradicionais ganham espaço

Diversos itens fora do grupo principal de commodities atingiram recordes em 2025. Entre eles estão:

  • Pimenta piper seca: US$ 517,8 milhões (+81,1%).
  • Óleo de amendoim: US$ 264,6 milhões (+147,4%).
  • Melões frescos: US$ 231,5 milhões (+24,9%).
  • Castanha de caju: US$ 75,8 milhões (+72,7%).
  • Feijões: US$ 443 milhões (+32% em valor e +55,5% em volume).

Destaque ainda para o gergelim, que movimentou US$ 195,1 milhões nas vendas para a China, após a abertura do mercado em novembro de 2024.

Apoio à internacionalização de produtores

Para ampliar a presença global do agro brasileiro, o governo lançou iniciativas como o AgroInsight, o Passaporte Agro e as Caravanas do Agro Exportador. O AgroInsight, criado em janeiro de 2025, já mapeou mais de 800 oportunidades de negócios em 38 países, aproximando produtores e cooperativas de novos mercados e consolidando a imagem do Brasil como potência agroexportadora.