Resumo da notícia
- A Wine South America 2026, de 12 a 14 de maio em Bento Gonçalves, promove rodadas de negócios que conectam produtores, compradores e investidores para ampliar a comercialização de vinhos brasileiros.
- O Projeto Comprador Nacional reúne cerca de 100 compradores e 150 vinícolas, fortalecendo negociações eficientes e revelando tendências de consumo no setor vitivinícola.
- O projeto Exporta Mais Vinhos conecta vinícolas brasileiras a compradores internacionais, impulsionando exportações e gerando US$ 640 mil em negócios previstos para 2025.
A Wine South America 2026 deve movimentar o setor vitivinícola ao reunir produtores, compradores e investidores entre os dias 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS). O evento aposta em rodadas de negócios e projetos estratégicos para ampliar a comercialização de vinhos brasileiros e fortalecer a presença no mercado nacional e internacional.

Antes mesmo de chegar às prateleiras, o vinho já passa por ambientes decisivos de negociação. Na feira, compradores e vinícolas participam de encontros direcionados que geram acordos comerciais, abrem novos mercados e antecipam tendências de consumo.
Rodadas nacionais conectam vinícolas e compradores
O Projeto Comprador Nacional reúne cerca de 100 compradores brasileiros e aproximadamente 150 vinícolas. O Sebrae-RS e o Consevitis-RS organizam os encontros, que têm duração média de 15 minutos e ocorrem com agendamento prévio.
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Nesse formato, produtores apresentam rótulos, condições comerciais e logística diretamente a decisores de compra. A dinâmica aumenta a eficiência das negociações e fortalece a conexão entre oferta e demanda.
Segundo Angélica Brandalise, do Sebrae-RS, o projeto também revela tendências do setor. “Os encontros mostram mudanças no perfil de consumo, nos estilos mais procurados e nas exigências comerciais”, afirma.
Entre as vinícolas participantes, cerca de 50 são gaúchas e integram o estande coletivo “Vinhos Gaúchos”. O espaço reúne pequenos produtores e valoriza Indicações Geográficas como Vale dos Vinhedos, Campanha Gaúcha e Altos de Pinto Bandeira.
Para a Vinícola Don Laurindo, a iniciativa abre portas estratégicas. O diretor Moisés Brandelli destaca que o contato direto com compradores fortalece relações comerciais e aumenta as chances de negócios futuros.
Exportações ganham força com compradores internacionais
A internacionalização do vinho brasileiro avança com o projeto Exporta Mais Vinhos, realizado pelo Wines of Brazil em parceria com a ApexBrasil. A iniciativa conecta vinícolas a compradores de mercados como Estados Unidos, China, Reino Unido, Japão, Canadá e Rússia.
Além das rodadas de negócios, o programa inclui visitas técnicas e experiências imersivas. Em 2025, as vinícolas participantes projetaram US$ 640 mil em negócios internacionais nos 12 meses seguintes ao evento.
Segundo Rafael Romagna, do Wines of Brazil, a estratégia prepara pequenas e médias vinícolas para exportar. “O projeto transforma planejamento em oportunidades reais no mercado externo”, afirma.
Neste ano, sete compradores internacionais e 22 vinícolas participam da ação.
Projeto internacional amplia oferta de rótulos no Brasil
O B2B Connection, também conhecido como Projeto Comprador Internacional, promove encontros entre cerca de 35 compradores brasileiros e 80 vinícolas estrangeiras. A iniciativa amplia o acesso a rótulos internacionais e fortalece o intercâmbio comercial. Em 2025, o Brasil importou mais de 165 milhões de litros de vinho, alta de 3,5% na comparação com 2024, com gastos que chegaram a US$ 558,7 milhões.
As reuniões seguem o mesmo modelo das rodadas nacionais, com suporte multilíngue para facilitar as negociações. A feira reúne mais de 20 países, com destaque para estreias como Nova Zelândia e Alemanha, além da forte presença de Itália, Portugal e Argentina.
A argentina Finca Flichman vê o projeto como estratégico para acessar novos clientes no Brasil. Já a portuguesa Adega de Azueira retorna ao evento após fechar negócios em edições anteriores, reforçando o potencial comercial da feira.
Entre os principais fornecedores, a Itália ganhou espaço e se consolidou como o quinto maior exportador em valor para o Brasil, atrás de Chile, Argentina, Portugal e França. No ano passado, as vendas italianas somaram US$ 49,2 milhões, avanço de 13,9% sobre 2024, enquanto o volume exportado ficou estável em cerca de 9,8 milhões de litros.
Valor agregado
Mais do que o crescimento em volume, o setor vive um movimento de premiumização. O consumidor brasileiro passou a buscar rótulos de maior valor agregado, o que amplia a demanda por vinhos de origem, espumantes, brancos, rosés e produtos de regiões menos conhecidas no país.
Para Milena Del Grosso, diretora da ICE no Brasil, a Itália representa de forma clara essa mudança de comportamento. Ela destaca que o volume exportado para o Brasil se manteve estável, mas o faturamento avançou, impulsionado pela valorização dos rótulos italianos no mercado nacional.

Nesse contexto, a Agência ICE organiza o Pavilhão Italiano na Wine South America 2026, que será realizada entre 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS). O espaço reunirá mais de 30 empresas e cerca de 300 rótulos de diferentes regiões vitivinícolas da Itália, com foco em novos terroirs, denominações de origem, espumantes, vinhos vulcânicos, brancos de altitude e produtores que buscam importadores e canais de distribuição qualificados.