Mercado cresceu 13% em faturamento, enquanto produtos à base de aveia, amêndoas e castanhas ampliaram participação nas vendas
leite vegetal
Arte: Agro em Campo

Com diferentes matérias-primas e formulações, o leite vegetal conquistou espaço na indústria de alimentos e ampliou as opções disponíveis aos consumidores. Além da soja, fabricantes utilizam ingredientes como aveia, amêndoas e castanhas para desenvolver produtos com características variadas.

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Esse movimento acompanha a diversificação do mercado brasileiro. Em 2025, as vendas de leite vegetal no varejo alcançaram R$ 842 milhões, segundo estimativas da Euromonitor International divulgadas pelo Good Food Institute Brasil (GFI Brasil). O resultado representa um crescimento de 13% em relação ao ano anterior.

Apesar da alta no faturamento, o volume comercializado permaneceu praticamente estável, com pouco mais de 64 milhões de litros. Portanto, o aumento da receita não veio acompanhado de uma expansão equivalente na quantidade vendida.

Produtos sem soja ganham espaço

Outro destaque aparece na composição das vendas. Em 2018, os produtos elaborados com ingredientes diferentes da soja representavam 17% do faturamento da categoria. Em 2025, essa participação chegou a 61%.

A mudança mostra como a diversificação das matérias-primas ganhou importância para o setor. Aveia, amêndoas e castanhas passaram a ocupar espaço maior no portfólio das fabricantes, que buscam atender diferentes preferências de consumo.

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É importante observar, porém, que os percentuais se referem à participação no valor das vendas, e não ao volume comercializado. Assim, os dados demonstram uma mudança na composição do faturamento, mas não permitem concluir que os produtos sem soja representem 61% dos litros vendidos.

Mercado deve alcançar R$ 895 milhões em 2026

As perspectivas para este ano também apontam crescimento. Uma projeção da Euromonitor International, publicada em outubro de 2026, estima que o mercado brasileiro de produtos lácteos de origem vegetal alcance R$ 895 milhões em vendas, com alta nominal de 9%.

Esse indicador, entretanto, considera uma categoria mais ampla, que inclui leite, queijos e iogurtes de origem vegetal. Portanto, o valor não corresponde exclusivamente ao mercado de leite vegetal.

A projeção também aponta uma desaceleração em relação ao crescimento de 13% registrado em 2025 para o leite vegetal. Entre os desafios identificados pela consultoria estão os preços elevados no varejo e a pressão dos custos de produção e dos insumos.

Diante desse cenário, fabricantes precisam conciliar inovação e competitividade. A ampliação do portfólio, por si só, não garante maior consumo: o preço final continua sendo um fator importante para conquistar novos compradores.

Diferença de preço ainda é um desafio

O custo também aparece em uma pesquisa conduzida por especialistas da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e da Embrapa Gado de Leite, publicada em 2025 nos Cadernos de Ciência & Tecnologia.

O estudo reuniu 279 cotações de preços coletadas em maio e novembro de 2023. Na comparação, o leite de origem animal apresentou preço médio 107% inferior ao das alternativas vegetais avaliadas. Entre as opções de origem vegetal, a alternativa à base de soja foi a mais acessível entre as fontes de proteína analisadas.

Embora os preços pesquisados não representem necessariamente os valores atuais das prateleiras, o levantamento ajuda a compreender uma das barreiras à expansão do segmento: a diferença de custo em relação ao leite convencional.

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Indústria busca ampliar a competitividade

Os dados mostram que o leite vegetal já movimenta centenas de milhões de reais no varejo brasileiro. Ao mesmo tempo, a estabilidade do volume vendido em 2025 indica que o crescimento do faturamento não se traduziu em aumento expressivo da quantidade comercializada.

Nesse contexto, a indústria enfrenta o desafio de ampliar a eficiência produtiva, desenvolver formulações competitivas e oferecer preços mais acessíveis. A diversificação das matérias-primas também abre possibilidades para diferentes cadeias agrícolas, embora os dados disponíveis não permitam dimensionar o impacto dessa tendência sobre a produção rural.

Assim, o desempenho do segmento combina oportunidades de inovação com desafios relacionados ao preço e à ampliação do consumo. Nos próximos anos, a capacidade de tornar os produtos mais competitivos poderá influenciar o ritmo de expansão do mercado brasileiro.