Resumo da notícia
- O PIB do agronegócio brasileiro caiu 2,01% no primeiro trimestre de 2026, influenciado principalmente pela queda dos preços dos produtos agropecuários, apesar do aumento da produção em algumas atividades.
- Todos os segmentos do setor registraram retração, com destaque para o segmento primário que teve queda de 4,15%, enquanto a pecuária cresceu 0,70%, mas não foi suficiente para evitar o resultado negativo geral.
- A desvalorização dos preços superou os ganhos em volume produzido, evidenciando a importância das cotações para o desempenho econômico do agronegócio, que ainda mantém papel relevante na economia brasileira.
O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro caiu 2,01% no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
O resultado chama atenção porque ocorre depois de um avanço superior a 12% do setor em 2025. De acordo com os pesquisadores, a principal explicação para a retração está na redução dos preços de diversos produtos agropecuários, que acabou superando os ganhos esperados de produção em diferentes atividades.
- Agro pode gerar R$ 314 milhões em créditos de carbono até 2035
- Crédito rural despenca no início da safra 2026/27
Todos os segmentos agrícolas registraram queda
O recuo não ficou concentrado em apenas uma área da cadeia. Todos os segmentos que formam o PIB do agronegócio apresentaram resultado negativo nos primeiros três meses do ano.
O maior impacto veio do segmento primário, que reúne as atividades diretamente ligadas à produção agropecuária. A queda foi de 4,15%. Na sequência aparecem os insumos, com retração de 2,15%, os agrosserviços, com baixa de 1,25%, e a agroindústria, que recuou 1,03%.
Para o produtor rural, o cenário mostra que uma produção maior nem sempre significa aumento proporcional da receita. Isso acontece porque a valorização ou desvalorização dos produtos tem peso importante no resultado econômico de toda a cadeia.
Agricultura sente mais o impacto
Quando a análise é dividida entre os dois grandes ramos do agronegócio, a agricultura foi a principal responsável pela retração.
O PIB do ramo agrícola recuou 3,62% no primeiro trimestre de 2026. Já a pecuária apresentou comportamento diferente e registrou um crescimento de 0,70% no período.
A diferença ajuda a explicar por que o resultado geral do agro foi negativo mesmo com algumas atividades apresentando desempenho positivo. Afinal, o PIB do agronegócio considera uma cadeia ampla, que vai desde a fabricação de insumos até a produção no campo, a indústria e os serviços relacionados ao setor.
Preços pesaram sobre o resultado
Segundo o Cepea e a CNA, a expectativa para 2026 é de redução no valor da produção agropecuária. O principal fator apontado é justamente a queda dos preços, que superou os ganhos previstos em volume produzido em diferentes atividades agrícolas e pecuárias.
Na prática, isso significa que o aumento da produção esperado para algumas culturas e criações não foi suficiente para compensar a desvalorização dos produtos.
O cenário reforça a importância dos preços agrícolas para o desempenho econômico do setor. Mesmo com o Brasil mantendo uma posição de destaque na produção agropecuária, mudanças nas cotações podem afetar diretamente produtores, indústrias, fornecedores e empresas de serviços ligados ao campo.
Agro ainda representa uma parcela importante da economia
Apesar da queda, o agronegócio continua responsável por uma fatia expressiva da economia brasileira.
Considerando os resultados do primeiro trimestre e o desempenho do PIB nacional, a participação do setor é estimada em 22,8% da economia brasileira em 2026. Em 2025, essa participação havia sido calculada em 25,2%.
O PIB do agronegócio foi estimado em cerca de R$ 3,13 trilhões no período analisado. Desse total, aproximadamente R$ 1,88 trilhão corresponde ao ramo agrícola e R$ 1,25 trilhão ao ramo pecuário.