Resumo da notícia
- O preço do etanol hidratado subiu 7,27% em uma semana nas usinas paulistas, acumulando alta de cerca de 29% desde julho, refletindo uma valorização rápida na origem do combustível.
- Nos postos, o etanol atingiu média nacional de R$ 4,08 por litro, com grande variação regional; em São Paulo, principal mercado, a média foi R$ 3,77, enquanto Roraima registrou R$ 5,38.
- Apesar do aumento, o etanol mantém vantagem econômica frente à gasolina em 11 estados e no Distrito Federal, com preço médio nacional representando 62,39% do valor da gasolina.
O preço do etanol voltou a acelerar em setembro e o movimento já aparece em diferentes pontos da cadeia. Nas usinas paulistas, o hidratado subiu 7,27% em apenas uma semana, enquanto o consumidor brasileiro encontrou o combustível a uma média de R$ 4,08 por litro nos postos.
O avanço na origem chama atenção pela velocidade. O Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado passou de R$ 2,4622 para R$ 2,6412 por litro entre as semanas de 7 a 11 e de 14 a 18 de setembro.
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Já o etanol anidro, misturado à gasolina, subiu 2,29%, de R$ 2,8475 para R$ 2,9128 por litro no mesmo intervalo.
Mais do que uma alta isolada, os números mostram uma sequência. No fim de julho, o hidratado estava em R$ 2,0454 por litro nas usinas paulistas. Desde então, acumulou valorização próxima de 29%.
Alta começa a aparecer na bomba
O movimento também chegou ao varejo.
O levantamento mais recente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostra que o etanol hidratado custou, em média, R$ 4,08 por litro no Brasil entre 13 e 19 de setembro.
Em São Paulo, principal mercado produtor e consumidor, a média ficou em R$ 3,77. Já Roraima apresentou o maior preço médio estadual, de R$ 5,38. O menor valor encontrado individualmente pela pesquisa foi de R$ 3,09, em São Paulo.
Há, portanto, uma diferença importante entre os dois indicadores. O Cepea acompanha o mercado nas usinas paulistas, enquanto a ANP pesquisa os preços efetivamente encontrados pelo consumidor nos postos.
Por isso, uma alta de 7,27% na usina não significa que o mesmo percentual chegará imediatamente à bomba.
Entre os dois pontos estão distribuição, logística, estoques, impostos e margens comerciais.
Etanol sobe, mas ainda mantém vantagem
Mesmo mais caro, o etanol continua competitivo em uma parcela importante do país.
Segundo o levantamento da ANP, o combustível apresentou relação favorável diante da gasolina em 11 estados e no Distrito Federal. Na média nacional, o preço do etanol correspondeu a 62,39% do valor da gasolina.
Em São Paulo, essa relação ficou ainda menor: 59,37%.
Pela referência tradicional de 70%, portanto, o biocombustível ainda apresenta vantagem econômica para muitos motoristas flex. O resultado real, entretanto, varia conforme o consumo de cada veículo.
Mercado entra em nova fase
A trajetória das últimas semanas mostra que o mercado mudou rapidamente.
No início de agosto, o Indicador Cepea/Esalq estava em R$ 2,0457 por litro. Depois, o hidratado passou por sucessivas semanas de valorização até alcançar os atuais R$ 2,6412.
Ao mesmo tempo, a demanda continua relevante. Dados da ANP mostram que o etanol permanece competitivo diante da gasolina em importantes mercados consumidores.
Agora, o ponto de atenção passa a ser a velocidade com que a valorização observada na saída das usinas será transmitida para distribuição e postos.
Se o hidratado continuar subindo na origem, a diferença de preço diante da gasolina pode diminuir. Por outro lado, estoques, ritmo da moagem e comportamento da demanda também poderão limitar esse repasse.
Para o consumidor, portanto, as próximas pesquisas da ANP serão importantes para mostrar se a disparada registrada nas usinas paulistas ficará concentrada na indústria ou ganhará força também na bomba.