Óleo técnico obtido nas usinas substitui parte dos componentes fósseis usados na pavimentação de ruas e rodovias
Desde o ano passado, a Petrobras começou a produzir cimento asfáltico de petróleo (CAP) com conteúdo renovável, utilizando um resíduo das agroindústrias de milho (Foto: Reprodução/Agência Petrobras)

Um coproduto das usinas de etanol de milho ganhou um destino que vai muito além do campo. O óleo técnico de milho, conhecido pela sigla TCO, passou a integrar a produção de asfalto com conteúdo renovável da Petrobras.

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O material resulta do processamento e da fermentação do cereal nas unidades que fabricam etanol. Na Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP), ele substitui parte dos diluentes de origem fóssil usados na fabricação do cimento asfáltico de petróleo (CAP).

Desde 2025, a estatal amplia a produção de asfaltos com componentes de base vegetal. Neste ano, o TCO começou a ser usado no processo industrial da refinaria paulista, criando uma nova conexão entre a expansão do etanol de milho e a cadeia de pavimentação.

Como o resíduo do milho entra no asfalto

Apesar do nome, o TCO não é o mesmo óleo de milho encontrado nas cozinhas. O produto apresenta alto nível de acidez e características que permitem seu uso como diluente na composição do asfalto.

Esses diluentes ajudam a reduzir a viscosidade do cimento asfáltico e facilitam sua penetração nas superfícies. Com isso, o óleo técnico de milho pode ocupar o lugar de parte dos componentes minerais de origem fóssil sem mudar a finalidade do produto.

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O CAP funciona como o ligante que une os agregados minerais do concreto asfáltico aplicado em ruas e rodovias. A Petrobras afirma que os produtos com conteúdo renovável mantêm as especificações técnicas e o desempenho dos asfaltos convencionais.

Petrobras já produziu 95 mil toneladas de asfalto renovável

A Petrobras já produziu 95 mil toneladas de CAP com conteúdo renovável. Segundo estimativa divulgada pela companhia, esse volume seria suficiente para pavimentar uma distância equivalente a uma viagem de ida e volta entre São Paulo e Rio de Janeiro.

A parcela vegetal ainda representa entre 1% e 2% das matérias-primas empregadas no produto. Embora a participação seja pequena, a escolha do TCO acompanha a busca por insumos renováveis com oferta regular e capacidade de atender à produção em larga escala.

O asfalto faz parte da linha CAP Pro, fabricada na Revap. Antes de chegar ao mercado, a formulação passou por testes no Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras (Cenpes), por uma etapa semicomercial e por aplicações experimentais em vias da Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro.

Além de incorporar conteúdo vegetal, a nova composição permite à refinaria utilizar uma proporção maior de petróleos do pré-sal, que apresentam menor intensidade de emissões durante o processamento. A redução total da pegada de carbono do produto ainda está em avaliação.

Expansão do etanol garante oferta de óleo técnico de milho

A disponibilidade do TCO cresce junto com a indústria brasileira de etanol de milho. Dados da União Nacional do Etanol de Milho (Unem) mostram que a capacidade instalada do setor avançou 7.121% em dez anos.

Em média, cada tonelada de milho processada gera aproximadamente 18 quilos de óleo técnico. O aumento do número de usinas, especialmente no Centro-Oeste, transforma esse coproduto em uma alternativa com oferta crescente para diferentes segmentos industriais.

“O TCO está em um bom momento de oferta, complementar ao etanol de milho”, afirmou Carolina Oliveira, gerente de Planejamento de Marketing e Inteligência de Mercado da Petrobras.

A estatal firmou contrato para comprar o insumo da Inpasa, maior produtora de etanol de milho do país. O preço do TCO gira em torno de R$ 6,5 mil por tonelada e se mantém competitivo diante de alternativas como o óleo de soja.

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A Inpasa projeta elevar sua capacidade anual de produção do óleo técnico das atuais 340 mil toneladas para 450 mil toneladas até 2027. A expansão considera duas novas usinas e o aumento da capacidade de uma terceira unidade.

Coproduto também abastece outros combustíveis renováveis

O uso no asfalto abre mais uma frente de demanda para um produto que já atende às indústrias de biodiesel, diesel verde e combustível sustentável de aviação, o SAF.

Para as usinas, a diversificação aumenta o valor obtido com o processamento do grão. Para a indústria de pavimentação, amplia o acesso a uma matéria-prima nacional e renovável capaz de substituir uma fração dos componentes fósseis.

Assim, o mesmo milho que chega às usinas para produzir etanol, ração animal e energia também passa a integrar o pavimento das rodovias brasileiras.

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