Resumo da notícia
- O programa de Flávio Bolsonaro foca em ampliar seguro rural, irrigação no Matopiba e Semiárido, e aumentar a capacidade de armazenagem para proteger e fortalecer a agropecuária diante de desafios climáticos.
- Propõe reduzir a dependência de fertilizantes importados com aumento da produção nacional e aposta em regularização fundiária para ampliar acesso a crédito e segurança jurídica no campo.
- Destaca investimentos de R$ 900 bilhões em infraestrutura, incluindo corredores de escoamento e ferrovias como Ferrogrão, além da incorporação de inteligência artificial para melhorar produtividade e gestão agrícola.
O programa de governo de Flávio Bolsonaro (PL) coloca seguro rural, irrigação e armazenagem entre as principais propostas para a agropecuária. Além dessas frentes, o documento aborda produção nacional de fertilizantes, regularização de propriedades, infraestrutura e uso de novas tecnologias no campo.
O seguro rural aparece como uma das ferramentas para reduzir a exposição do produtor às perdas provocadas pelo clima. Nesse sentido, a proposta é ampliar a cobertura e fortalecer os mecanismos de proteção da atividade.
Ao mesmo tempo, o programa prevê aumentar a capacidade de armazenagem de grãos. Esse é um ponto importante porque liga a política agrícola à infraestrutura disponível depois da porteira. Com mais espaço para estocar a produção, o setor pode enfrentar melhor os gargalos que aparecem, sobretudo, em períodos de safra elevada.
Já na irrigação, o plano direciona atenção para o Matopiba e o Semiárido. Nesse caso, a proposta é ampliar a área irrigada e avançar em obras relacionadas à disponibilidade de água para a produção.
Fertilizantes entram na estratégia
Outro eixo é a redução da dependência brasileira de fertilizantes importados. Para isso, o programa defende ampliar a produção nacional e trata o insumo como uma questão estratégica para a agropecuária.
A discussão, porém, vai além do custo para o produtor. A dependência externa também deixa o Brasil mais exposto a oscilações internacionais de preços, disponibilidade e logística.
Em outra frente, a regularização de propriedades rurais ganha espaço. O plano relaciona o avanço da regularização fundiária à possibilidade de ampliar o acesso ao crédito e dar maior segurança às atividades produtivas.
Infraestrutura ganha peso no programa
A logística, por sua vez, ocupa uma parcela relevante das propostas. O programa estabelece R$ 900 bilhões em investimentos em infraestrutura ao longo de quatro anos, considerando um conjunto de áreas que vai além da agropecuária.
Para o campo, entretanto, o documento cita corredores de escoamento e projetos ferroviários, entre eles Ferrogrão e Transnordestina. A intenção apresentada é melhorar a ligação entre regiões produtoras e os principais canais de distribuição e exportação.
Além disso, o plano incorpora inteligência artificial e novas tecnologias ao agronegócio. A proposta inclui ferramentas voltadas à produtividade, ao monitoramento e à tomada de decisão nas propriedades.
Produção e meio ambiente aparecem conectados
Na agenda ambiental, o programa estabelece a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2029. Dessa forma, regularização, fiscalização e produção agropecuária aparecem dentro de uma mesma discussão sobre o uso da terra.
O documento também trata de energia e de mudanças nas regras para o trabalho temporário. Embora sejam temas mais amplos, ambos podem alcançar diretamente diferentes cadeias produtivas.
Ao reunir as propostas, o programa concentra boa parte de sua estratégia para o agro na redução de riscos e na solução de gargalos estruturais. De um lado, o seguro busca proteger a produção e a irrigação reduzir a dependência das chuvas. De outro, armazenagem e logística tratam do escoamento, enquanto os fertilizantes entram na discussão sobre dependência externa.
Ainda assim, uma eventual execução exigiria transformar essas diretrizes em cronogramas, fontes de financiamento e projetos capazes de chegar às diferentes regiões produtoras.
Esta análise integra o especial “Eleições 2026 — O futuro do agro” e utiliza como fonte primária o programa de governo registrado pela candidatura no TSE. Propostas, metas e valores atribuídos a Flávio Bolsonaro têm como origem esse documento.