Resumo da notícia
- Ronaldo Caiado propõe um Plano Safra com horizonte de cinco anos, ampliando financiamento e proteção ao produtor contra perdas climáticas, com fundos garantidores e crédito privado.
- O programa prevê criar um sistema nacional de seguro rural moderno, com seguros paramétricos, monitoramento por satélite e resseguro para eventos climáticos extremos.
- Plano inclui recuperação de pastagens degradadas, expansão da integração lavoura-pecuária-floresta, uso de tecnologia avançada e fortalecimento da Embrapa para aumentar produtividade sustentável.
Ronaldo Caiado (PSD) propõe criar um Plano Safra com horizonte de cinco anos e ampliar a proteção do produtor contra perdas provocadas por eventos climáticos. O programa de governo também prevê recuperar pastagens degradadas, aumentar a armazenagem e reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados.
As propostas fazem parte do plano registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o período de 2027 a 2030.
No documento, o agronegócio aparece dentro de uma estratégia que combina produção de alimentos, bioenergia, tecnologia e abertura de mercados. Além disso, o programa pretende ampliar a produtividade em áreas já abertas, sem expansão ilegal da fronteira agrícola.
Plano Safra teria horizonte de cinco anos
Uma das principais mudanças está no financiamento. Em vez de concentrar o planejamento em ciclos anuais, Caiado propõe um Plano Safra plurianual, com horizonte de cinco anos.
Ao mesmo tempo, o programa prevê direcionar recursos públicos para garantias, seguro, irrigação e armazenagem. Também propõe criar um fundo garantidor para ampliar a participação do crédito privado no financiamento de safras e projetos de longo prazo.
Nesse modelo, instrumentos como Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), Fiagro, debêntures, securitização e Cédula de Produto Rural (CPR) ganhariam espaço como complemento ao crédito oficial.
O programa também prevê apoio à modernização de máquinas e implementos, com crédito e redução do custo de capital.
Seguro rural ganharia nova estrutura
Outra frente é a gestão dos riscos da produção. Caiado propõe criar um sistema nacional de seguro rural, com participação dos setores público e privado.
Entre as medidas estão seguros paramétricos baseados em índices, monitoramento por satélite e resseguro para eventos climáticos extremos. Além disso, o plano prevê modernizar o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), incluir o seguro de renda e regulamentar o Fundo de Catástrofe.
A proposta busca, portanto, ampliar a cobertura do seguro e reduzir a exposição financeira do produtor diante de secas, enchentes e outros eventos extremos.
Pastagens e tecnologia entram no plano de produtividade
Na produção, o programa propõe recuperar pastagens degradadas e ampliar sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta. A estratégia busca elevar a produtividade sem avançar ilegalmente sobre novas áreas.
Além disso, o documento prevê estratégias de longo prazo para proteínas, grãos, biocombustíveis e bioinsumos.
A tecnologia também ocupa espaço relevante. Satélites, inteligência artificial e extensão rural digital seriam usados para orientar o manejo e o uso do solo. O programa estabelece ainda metas de conectividade rural até 2030.
Caiado também propõe fortalecer a Embrapa e criar um Programa Nacional de Biotecnologia Tropical. Outra medida seria instalar centros de excelência em inteligência artificial aplicada ao agro.
Nesse campo, o programa cita pesquisas em melhoramento genético vegetal e animal, desenvolvimento de cultivares adaptadas às mudanças climáticas e tecnologias para aumentar a eficiência da pecuária.
Logística mira estradas, ferrovias e armazenagem
Para reduzir os gargalos no escoamento da produção, o programa propõe um planejamento decenal para a logística do agronegócio.
Entre as medidas estão ampliar a armazenagem próxima às regiões produtoras e manter hidrovias de forma permanente. O documento também cita projetos como Ferrogrão, Ferrovia Norte-Sul, Fiol e Malha Norte, além da BR-163 e de hidrovias das regiões Centro-Oeste e Norte.
A proposta combina, dessa forma, diferentes modais para reduzir custos e melhorar a ligação entre as áreas produtoras e os mercados consumidores.
Fertilizantes e bioenergia entram na estratégia
O plano também pretende diminuir a dependência brasileira de insumos externos. Para isso, prevê executar o Plano Nacional de Fertilizantes e ampliar a produção doméstica de potássio e nitrogenados.
Ao mesmo tempo, propõe diversificar fornecedores internacionais e incentivar a produção nacional de ingredientes ativos considerados estratégicos. O programa ainda prevê estimular bioinsumos.
Na energia, Caiado propõe um Plano Decenal de Bioenergia, reunindo etanol, biodiesel, biometano e bioeletricidade.
O documento também prevê financiar projetos de bioenergia ligados às propriedades rurais e ampliar combustíveis de baixa emissão, incluindo combustível sustentável de aviação e alternativas destinadas ao transporte marítimo.
Regularização e rastreabilidade
Na área ambiental, o programa propõe avançar na validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e criar um sistema de rastreabilidade da propriedade até o consumidor.
Além disso, prevê desenvolver o Selo Brasil Sustentável, ampliar pagamentos por serviços ambientais e criar uma certificação brasileira para créditos de carbono.
O plano também propõe um mutirão de orientação técnica e jurídica para pequenos produtores, agricultores familiares e comunidades que buscam regularização ambiental.
Por outro lado, o documento afirma que não haverá anistia para danos ambientais dolosos ou reincidentes.
Outra frente envolve o uso de satélites, drones, inteligência artificial e bases fundiárias para monitorar desmatamento, incêndios e recursos hídricos.
Agricultura familiar ganha ações específicas
A agricultura familiar, por exemplo, aparece em diferentes pontos do programa. Entre as medidas estão assistência técnica, cooperativismo, seguro, armazenagem, regularização fundiária e processamento local da produção.
O plano também prevê fortalecer as compras de produtos da agricultura familiar destinadas à merenda escolar e a outros programas de alimentação.
Para o Nordeste, Caiado propõe o Pacto Nordeste 2030, que reuniria projetos de segurança hídrica, produtividade, energia, indústria, logística e inovação.
No Semiárido, o documento cita cisternas, reservatórios, adutoras, poços regularizados, dessalinização, reuso da água e irrigação eficiente. Além disso, prevê pesquisas com sementes adaptadas, manejo de solo e água e pecuária mais resistente às condições climáticas da região.
O programa também apresenta ações voltadas às mulheres no campo. Entre elas estão formação, extensão rural, sucessão familiar, acesso a ativos produtivos, empreendedorismo e crédito.
Exportações e defesa agropecuária
No comércio exterior, Caiado propõe diversificar mercados no Sudeste Asiático, Oriente Médio e África. Para isso, pretende reforçar a atuação dos adidos agrícolas e ampliar acordos comerciais, sanitários e fitossanitários.
Já na defesa agropecuária, o programa prevê integrar sistemas federais e estaduais, ampliar a rastreabilidade animal e vegetal e aumentar a rede de laboratórios.
Além disso, inteligência artificial e monitoramento em tempo real seriam usados para identificar e conter focos de doenças com maior rapidez.
Por fim, o próprio programa estabelece indicadores para acompanhar a política agrícola. Entre eles estão produtividade por hectare, cobertura do seguro rural, capacidade de armazenagem, área irrigada, custo logístico, dependência de fertilizantes, renda da agricultura familiar e abertura de mercados.
Assim, o plano de Caiado para o agro combina planejamento de longo prazo, gestão de riscos, tecnologia, infraestrutura e aumento da produção em áreas já abertas.
Leia também:
- Eleições 2026: o que os candidatos propõem para o agro
- Renan Santos propõe mudanças na reforma agrária e fertilizantes
- Flávio Bolsonaro propõe ampliar seguro rural e irrigação
- Lula propõe ampliar crédito rural, seguro e agricultura familiar
- Augusto Cury propõe 10 mil agroindústrias e 100 usinas de etanol de milho
Esta reportagem integra o especial do Agro em Campo “Eleições 2026 — O futuro do agro”. O conteúdo tem como base o programa de governo registrado pela candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Metas, números, propostas e projeções atribuídos ao candidato têm como origem esse documento, salvo quando indicada outra fonte.