Pesquisa aponta avanço da participação feminina na propriedade e na gestão dos negócios rurais, além do maior uso de tecnologias no campo
mulher no campo
Foto: Arquivo

As mulheres já representam 40% dos 10,7 milhões de produtores rurais considerados decisores no Brasil, segundo pesquisa da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), divulgada nesta sexta-feira (2), durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF).

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O levantamento, realizado com participação da Serasa Experian e da Fran6 Pesquisa, mostra que a presença feminina avançou na propriedade e na gestão dos negócios rurais ao longo da última década. Entre as entrevistadas na etapa quantitativa, 91% afirmaram ser proprietárias, total ou parcialmente, do empreendimento rural.

O percentual representa um avanço de 10 pontos percentuais em relação ao registrado dez anos atrás. Com isso, a pesquisa mostra que as mulheres ampliaram sua participação tanto na propriedade quanto na administração dos negócios no campo.

Tecnologia ganha espaço na gestão rural

A pesquisa também identificou maior presença de ferramentas digitais nas propriedades administradas por mulheres. Drones, telemetria, sistemas de gestão e outras tecnologias fazem parte da rotina de 71% das gestoras entrevistadas.

As produtoras afirmaram utilizar essas ferramentas de forma independente ou parcialmente independente. Dessa maneira, a participação feminina aparece não apenas na propriedade, mas também nas decisões relacionadas à gestão e às atividades realizadas nas fazendas.

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Produtoras registram menor inadimplência em recortes da pesquisa

O estudo também cruzou dados de crédito da Serasa Experian. Nos recortes apresentados pela pesquisa, as produtoras rurais registraram taxas de inadimplência inferiores às observadas entre os homens.

Entre as grandes proprietárias, a taxa ficou em 6,85%. Na Região Sul, por sua vez, a inadimplência entre as mulheres chegou a 5,4%.

Esses números correspondem aos recortes analisados no levantamento. Portanto, eles não devem ser tratados como uma taxa geral de inadimplência de todas as produtoras rurais brasileiras.

Pesquisa cruza dados ambientais e trabalhistas

O levantamento também analisou informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR), dados de desmatamento do Prodes e registros relacionados a trabalho análogo à escravidão.

Segundo a pesquisa, 77% das ocorrências relacionadas a trabalho escravo e 67% dos registros de desmatamento identificados pelo Prodes estavam associados a CPFs masculinos. Entre as mulheres, as participações foram de 5% e 20%, respectivamente.

Os percentuais mostram a distribuição encontrada nas bases analisadas. Sozinhos, porém, esses dados não permitem estabelecer uma relação de causa e efeito entre gênero e ocorrência de irregularidades.

Barreiras ainda fazem parte da rotina das produtoras

Além da etapa quantitativa, a pesquisa realizou 25 entrevistas em profundidade com produtoras, pecuaristas e representantes da agroindústria de diferentes regiões do país.

As participantes apontaram barreiras culturais, dupla jornada e necessidade de redes de apoio entre os desafios enfrentados pelas mulheres no setor.

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O levantamento mostra, portanto, que a presença feminina ganhou espaço na propriedade e na gestão rural, enquanto as produtoras ainda lidam com obstáculos que podem limitar sua atuação no campo.