Resumo da notícia
- A Epagri desenvolveu uma nova geração de tilápias após 12 anos de melhoramento genético, alcançando ganho de 5% no peso final e melhor adaptação para viveiros escavados em Santa Catarina.
- Pesquisadores usam microchips para identificação individual de mais de 4 mil peixes, acompanhando genealogia e desempenho para selecionar as famílias com melhores características.
- O programa foca na adaptação ao clima local, especialmente resistência ao frio, melhorando o desempenho das tilápias em condições típicas dos sistemas de produção catarinenses.
A ciência está por trás de uma nova geração de tilápias selecionadas para as condições de criação em Santa Catarina. O programa de melhoramento genético da Epagri chegou à quinta geração depois de 12 anos de pesquisa e, ao longo desse período, passou a selecionar características que podem melhorar o desempenho dos peixes em viveiros escavados.
O termo “supertilápia”, usado no título, resume de forma jornalística o resultado desse trabalho. Na prática, porém, não se trata de uma classificação científica da espécie ou da linhagem. Na quinta geração, a Epagri registrou ganho genético de aproximadamente 5% no peso final em relação à geração anterior.
Para alcançar esse resultado, os pesquisadores acompanharam milhares de peixes, controlaram a origem de cada animal e compararam o desempenho das diferentes famílias. Dessa maneira, conseguiram identificar os exemplares com características mais favoráveis para dar continuidade ao programa.
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Como funciona a seleção das tilápias
O trabalho utiliza microchips para identificar individualmente os peixes. Com essa identificação, os pesquisadores conseguem acompanhar cada animal durante as avaliações e, ao mesmo tempo, manter o controle da genealogia das famílias utilizadas no programa.
“Nessa quinta geração que foi lançada foram cerca de 52 famílias, mais de 4 mil animais marcados individualmente por microchip, que é o mesmo chip usado muitas vezes em gato e cachorro”, detalha o pesquisador da Epagri Bruno Silva.
Depois dessa etapa, os animais passam por testes de desempenho em viveiros escavados. Durante o período de avaliação, a equipe acompanha o crescimento dos peixes e compara os resultados dentro de cada família.
A partir desses dados, os animais que apresentam melhor desempenho são selecionados. Assim, eles podem contribuir para a formação das próximas gerações e transmitir características de interesse para a criação.
Além disso, o acompanhamento individual permite observar o desempenho dos peixes em condições semelhantes às encontradas nos sistemas de produção. Com isso, a seleção não fica restrita a uma característica isolada.
Genética busca adaptação ao clima de SC
O programa também considera características relacionadas à adaptação dos peixes às condições de Santa Catarina. Entre os aspectos acompanhados está a resposta dos animais às temperaturas mais baixas da água, uma condição que pode interferir no desenvolvimento da tilápia.
Segundo Jesus Pasco, gerente técnico de uma propriedade de Itajaí que trabalha com reprodução de peixes, a evolução genética contribuiu para melhorar o desempenho dos animais e sua adaptação ao frio.
Nesse contexto, o produtor Jean Schiochet e a família acompanham o trabalho da Epagri desde 2014. Eles atuam com reprodução de peixes em Itajaí há cerca de 20 anos e participam da cadeia de produção de alevinos.
Ainda assim, uma nova geração não surge rapidamente. Antes de selecionar os animais, os pesquisadores precisam acompanhar o crescimento, comparar os resultados e avaliar as características de cada família. Por isso, os ganhos aparecem de forma gradual ao longo das gerações.
Produção de tilápia cresce em Santa Catarina
O avanço do programa ocorre, por sua vez, em um momento de expansão da produção de tilápia catarinense. Segundo dados da Epagri, Santa Catarina produziu 60.273 toneladas de peixes em 2025, enquanto a produção de tilápia chegou a aproximadamente 50 mil toneladas.
Com o crescimento da atividade, aumentou também a busca por tecnologias capazes de melhorar o desempenho dos animais e adequá-los às condições encontradas nas propriedades.
Nesse cenário, a seleção genética representa uma das ferramentas disponíveis para a piscicultura. No caso da linhagem desenvolvida pela Epagri, os animais são avaliados em sistemas de cultivo semelhantes aos utilizados pelos produtores catarinenses.
Além do ganho de peso, portanto, o programa considera características relacionadas ao desempenho dos peixes nas condições locais. Dessa forma, a seleção busca aproximar o resultado da pesquisa das necessidades encontradas no campo.
Ao longo dos 12 anos do programa, esse trabalho avançou geração após geração. Agora, com a quinta geração, a equipe continua avaliando e selecionando os animais que apresentam características mais favoráveis para a criação.
No fim desse ciclo de seleção, o objetivo não é apenas obter peixes maiores. A pesquisa procura reunir características que possam contribuir para uma produção mais eficiente e adequada às condições encontradas nos viveiros de Santa Catarina.