Resumo da notícia
- O Sindan propõe segregar as cadeias produtivas para atender às exigências da UE sobre antimicrobianos, mantendo o uso livre para mercados não europeus e evitando restrições amplas no Brasil.
- A monensina, defendida pelo Sindan, é usada há décadas na pecuária e traz ganhos produtivos, econômicos e ambientais, com redução significativa de emissões de metano e melhora na saúde animal.
- O setor promove capacitação de veterinários e orienta produtores para garantir conformidade com as novas regras europeias, reforçando a importância de critérios técnicos e científicos nas restrições.
O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) apresentou uma proposta para lidar com as novas exigências da União Europeia sobre importação de carne. A entidade quer segregar as cadeias produtivas em vez de restringir o uso de antimicrobianos veterinários em todo o país.
Nesse contexto, a proposta surge em meio à insegurança entre produtores brasileiros. Eles ainda não sabem quais produtos poderão seguir usando nas propriedades exportadoras.
Como funcionaria a segregação
A regulamentação europeia exige que países exportadores comprovem restrições no uso de certos antimicrobianos. Contudo, para o Sindan, isso não precisa virar proibição ampla.
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Por isso, a entidade propõe protocolos específicos apenas para a produção destinada à Europa. Assim, os demais mercados manteriam acesso aos produtos já autorizados no Brasil. Esse modelo já existe em programas do Mapa e tem precedentes em países como Austrália, Argentina, Canadá e Estados Unidos, que adotaram segregação sem banir os ionóforos.
Sindan defende segurança das substâncias
Segundo o Sindan, os antimicrobianos em discussão passaram por avaliações rigorosas. Os ativos foram avaliados pelo Codex Alimentarius e são aprovados em outros países importadores da carne brasileira.
Para a entidade, as substâncias contribuem para a saúde animal e a sustentabilidade da produção. Nesse sentido, Emilio Salani, vice-presidente executivo do Sindan, afirma que o atendimento às exigências europeias deve seguir critérios técnicos e científicos. Segundo ele, restrições generalizadas comprometeriam a competitividade do setor.
Monensina tem décadas de uso na pecuária
Entre as tecnologias defendidas está a monensina. O ionóforo é usado há décadas na bovinocultura brasileira e respaldado, segundo o Sindan, por mais de 6 mil estudos científicos.
De acordo com a entidade, o produto gera ganho adicional de uma arroba por animal ao ano. Também reduz de 15 a 20 dias o ciclo de terminação e traz ganho líquido de R$ 120 por animal em confinamentos de 100 dias. Os dados ainda apontam aumento de 1% a 1,5% no rendimento de carcaça, melhora de 4% a 10% na conversão alimentar e queda de 5% a 8% no custo da arroba.
Impactos ambiental e sanitário
O Sindan estima redução de 20% a 30% na emissão de metano entérico por unidade de peso ganho. Isso equivale a cerca de 8 milhões de toneladas de CO₂ evitadas por ano no Brasil. Além disso, a substância reduziria em até seis vezes a mortalidade por coccidiose e ajudaria a prevenir a acidose lática.
Vale ressaltar que monensina, salinomicina, lasalocida e narasina não têm uso na medicina humana. A Organização Mundial da Saúde (OMS) os classifica como substâncias não medicamente importantes.
Setor orienta produtores sobre novas regras
Em parceria com associações e empresas exportadoras, o Sindan capacita veterinários. A entidade também reúne orientações sobre quais moléculas continuam permitidas nas propriedades certificadas para exportar à União Europeia, buscando evitar uso inadequado e proteger a elegibilidade das fazendas.
Paralelamente, o Sindan negocia com o Mapa a adequação de regulamentos, dentro de um pacote mais amplo de ajustes às exigências europeias.