Resumo da notícia
- A Embrapa Milho e Sorgo e a Nascente desenvolveram o SiloBio, um silo biorreator que usa ozônio para higienizar grãos em larga escala, reduzindo micotoxinas, fungos e pragas de forma sustentável.
- Testes laboratoriais e industriais mostraram redução de até 88% nas fumonisinas e 96% nos fungos, mantendo a qualidade dos grãos e atendendo aos limites de segurança da Anvisa e do setor produtivo.
- O SiloBio utiliza apenas ar e eletricidade, eliminando a necessidade de insumos químicos, promovendo uma solução ecológica que agrega valor à produção e aumenta a segurança sanitária dos alimentos.
A Embrapa Milho e Sorgo apresenta ao mercado uma tecnologia sustentável para reduzir micotoxinas em grãos. A unidade desenvolveu o sistema em parceria com a empresa Nascente (NCT). O novo silo biorreator, chamado SiloBio, higieniza grãos em larga escala com uso de ozônio. Além disso, a solução amplia a segurança sanitária e agrega valor à produção.
Tecnologia com ozônio elimina toxinas e fungos
O SiloBio combina armazenamento de silo com ambiente controlado de biorreator. O equipamento trata grãos em escala industrial com aplicação controlada de gás ozônio. O sistema elimina micotoxinas, fungos, pragas e resíduos químicos. Com isso, garante ração animal mais segura, sustentável e de alto desempenho.
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A equipe iniciou o desenvolvimento ao validar a aplicação de ozônio na pós-colheita do milho. Os pesquisadores focaram na redução de fumonisinas, micotoxinas produzidas por fungos do gênero Fusarium. O grupo iniciou os estudos entre 2012 e 2013 com aplicação direta do gás nos grãos. Eles utilizaram protótipos que simulavam silos em escala laboratorial. Os testes indicaram redução de até 88% das fumonisinas totais.
Além disso, os ensaios apontaram redução de até 96% de fungos Fusarium e Penicillium. O ozônio não comprometeu a qualidade dos grãos, mesmo após 60 horas de aplicação. Os pesquisadores mantiveram níveis normais de água, proteínas, lipídeos e cinzas.
Escalonamento industrial do SiloBio
A equipe desenvolveu um biorreator específico para o escalonamento industrial. O equipamento movimenta os grãos por meio de rosca helicoidal interna. Anéis com injetores distribuíram o ozônio de forma homogênea na massa de grãos. Os testes utilizaram lotes de milho naturalmente contaminados.
Os pesquisadores mediram a eficiência pela redução percentual das fumonisinas. Em seguida, compararam os resultados com os Limites Máximos Tolerados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A Anvisa estabelece limite de 5.000 µg/kg para fumonisinas em milho não processado.
Já cadeias de suínos e aves adotam limites mais restritivos, de até 1.000 µg/kg. A indústria de alimentação humana também trabalha com faixas semelhantes ou menores. Os experimentos atingiram níveis exigidos por esses segmentos produtivos.
Parceria integra pesquisa e engenharia industrial
A Nascente ingressou no projeto após demanda de produtores de suínos mineiros. Os produtores buscavam soluções para tratar milho armazenado com ozônio. A empresa conectou sua engenharia industrial ao rigor científico da Embrapa.
O diretor Leonardo Tuschi destacou o potencial de transformar pesquisa em solução comercial. Ele afirmou que o agronegócio ainda depende de tratamentos químicos tradicionais. Por isso, a empresa buscou alternativa alinhada às exigências por processos sustentáveis.
O SiloBio funciona com ar e eletricidade, sem uso de insumos químicos adicionais. O sistema capta oxigênio do ambiente e o converte em ozônio por energia elétrica. Após a desinfecção, o ozônio retorna à forma de oxigênio.
Assim, o processo opera com resíduo zero e reduz riscos ambientais.
Inovação amplia escala no tratamento de grãos
O uso de ozônio em grãos já ocorre em outros países. No entanto, a inovação está na engenharia de aplicação e escalonamento. O SiloBio pode processar diferentes grãos, mas prioriza o milho.
A pesquisa concentra esforços na nutrição animal de aves e suínos. A equipe também registra avanços em sorgo, soja e farelos processados. Segundo a empresa, o produtor adota tecnologias com retorno comprovado.
O SiloBio apresenta potencial de retorno sobre investimento inferior a dois anos. A estimativa considera redução de químicos e melhoria no desempenho animal.
O chefe-adjunto Frederico Botelho reforçou a importância da viabilidade econômica. Ele destacou que a tecnologia agrega valor e amplia adoção no mercado.
A Embrapa apresentará o SiloBio durante a celebração de 50 anos da unidade. A instituição afirma que a inovação reforça padrões de segurança e sustentabilidade no agronegócio. O SiloBio atende demandas por processos alinhados aos conceitos de ESG e Saúde Única. Com isso, a Embrapa reafirma compromisso com produção mais segura e sustentável.