Resumo da notícia
- Acordo UE-Mercosul reduz tarifas e amplia acesso ao mercado europeu, criando novas oportunidades para produtos brasileiros, especialmente a cachaça, que pode crescer nas exportações.
- Tensões comerciais com os EUA impulsionaram aproximação entre Mercosul e União Europeia, acelerando negociações e motivando o Brasil a rever sua política comercial protecionista.
- Além do comércio, o acordo fortalece cooperação política e ambiental, e ajuda a reposicionar a imagem do Brasil no exterior, destacando a cachaça como símbolo cultural e econômico.
As tensões comerciais entre Estados Unidos, Europa e América do Sul abriram espaço para uma nova dinâmica no comércio internacional. E a cachaça brasileira surge como uma das beneficiadas desse movimento.
A política tarifária adotada pelo governo Trump acelerou uma aproximação entre União Europeia e Mercosul. Com isso, destravando negociações históricas e criando oportunidades para produtos brasileiros no mercado europeu.
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Para produtores de cachaça, o cenário já começa a se traduzir em expectativa de crescimento. “O avanço pode ser enorme, desde que consigamos superar as barreiras iniciais”, afirma Assja Schymura, destiladora da Pindorama.
Acordo UE-Mercosul impulsiona exportações
Em maio, União Europeia e Mercosul avançaram em um acordo comercial aguardado há décadas. O tratado reduz tarifas sobre centenas de produtos, incluindo a cachaça, e amplia o acesso ao mercado europeu.
O Mercosul reúne Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. A Bolívia, que aderiu ao bloco posteriormente, deve integrar o acordo nos próximos anos.
A assinatura ganhou força após os dois blocos sofrerem impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo o ex-diplomata brasileiro Roberto Jaguaribe, a instabilidade nas relações com os EUA levou países a buscar novos parceiros comerciais.
Cachaça ganha espaço na Europa
Mesmo com reconhecimento em competições internacionais, a cachaça ainda enfrenta baixa penetração no mercado europeu. Altos impostos de importação e desconhecimento do produto limitaram sua expansão por anos.
Com a redução tarifária, produtores enxergam uma oportunidade concreta de ampliar exportações e consolidar a bebida como um produto competitivo fora do Brasil.
Mudança na política comercial brasileira
O movimento também reflete uma mudança mais ampla na estratégia comercial do Brasil. Historicamente marcado por tarifas elevadas, o país passa por uma reavaliação diante de choques recentes, como disputas comerciais e efeitos da pandemia.
Para a ex-integrante do governo Larissa Wachholz, o momento marca uma virada. “Vivemos uma mudança importante na política comercial. Não vejo retorno a um modelo totalmente protecionista”, afirma.
Além do acordo com a União Europeia, o Mercosul acelerou negociações com outros mercados. O bloco já firmou parceria com países europeus fora da UE e mantém diálogo com Canadá, Japão e Emirados Árabes Unidos.
Além do comércio: imagem e cultura
O acordo também inclui compromissos com democracia e o Acordo de Paris, reforçando a cooperação política entre os blocos.
Para o setor de cachaça, os ganhos vão além das exportações. Produtores destacam o potencial de reposicionar a imagem do Brasil no exterior.
“As pessoas ainda associam o Brasil apenas ao carnaval”, afirma Rafael Daló, diretor criativo da Pindorama. “Quando conhecem a cachaça, conhecem também o território, os aromas e a história por trás da produção.”









