Resumo da notícia
- A Faculdade de Medicina de Botucatu inaugurou o primeiro biotério de zebrafish da Unesp, com status sanitário SPF, garantindo animais livres de patógenos específicos para pesquisas.
- A Fapesp investiu cerca de R$ 2 milhões para modernizar o biotério, alinhando-o às normas do Concea e aos padrões de centros de referência como o Instituto Butantan.
- O zebrafish é modelo ideal para testes pré-clínicos e ecotoxicológicos, permitindo estudos que integram saúde humana, animal e ambiental, conforme o conceito de Saúde Única.
A Unidade de Pesquisa Experimental da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) inaugurou em agosto de 2024 o primeiro biotério de zebrafish da Unesp. A instalação também se destaca como o primeiro biotério da instituição a produzir animais com status sanitário SPF (livre de patógenos específicos).
A Fapesp destinou aproximadamente R$ 2 milhões ao projeto em outubro de 2024. O recurso permite que o biotério atualize suas instalações conforme as exigências do Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal (Concea) e alcance os padrões de centros de referência como o Instituto Butantan.
A Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) de Botucatu sedia oficialmente o projeto, mas a iniciativa reúne pesquisadores de outras unidades da Unesp e instituições estaduais paulistas.
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O peixe que revoluciona a pesquisa científica
O zebrafish (Danio rerio) mede no máximo 5 centímetros e vive em água doce. Suas listras lembram uma zebra ou a bandeira paulista, o que rendeu ao peixe o apelido de “paulistinha”.
A espécie compartilha 71% do genoma com os seres humanos, característica que a transforma em modelo ideal para experimentos científicos. Pesquisadores utilizam o zebrafish em ensaios pré-clínicos de novas moléculas, testes de toxicidade de defensivos agrícolas e estudos que avaliam efeitos de substâncias em organismos.
“Se uma substância causa malefício ao zebrafish, eu posso entender que ela afeta o ecossistema como um todo”, explica Lilian Cristina Pereira, professora da Faculdade de Medicina de Botucatu e coordenadora do Núcleo de Avaliação do Impacto Ambiental sobre a Saúde Humana da Unesp, que abriga o biotério.
Conceito de Saúde Única orienta pesquisas
O zebrafish ocupa posição estratégica na cadeia alimentar e funciona como indicador ecotoxicológico na natureza. A professora Lilian destaca que o peixe se alinha ao conceito de Saúde Única, que integra saúde humana, animal e ambiental.
“O zebrafish marca a saúde humana porque conseguimos extrapolar resultados dos experimentos para nós, mas também indica saúde animal e ainda funciona como marcador ambiental”, afirma a docente.
Avanço nos testes pré-clínicos
O professor Benedito Barraviera, pesquisador da fábrica-escola de biofármacos V-BioPharma no campus de Botucatu, considera a modernização um salto na capacidade da Universidade de conduzir testes de fase pré-clínica. Esses experimentos preliminares ocorrem in vitro e com animais para determinar se uma molécula pode avançar para ensaios em humanos.
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“A toxicologia é importante para saber se os componentes desses fármacos podem causar malefícios ao ser humano”, destaca Barraviera.
Aplicações na agricultura
Caio Antonio Carbonari, diretor da Faculdade de Ciências Agronômicas, enxerga na modernização uma oportunidade para empregar o paulistinha em avaliações ecotoxicológicas e testes com insumos agrícolas, especialmente defensivos.
“Enquanto diretor da FCA, comemoramos muito do ponto de vista institucional. Mas eu também sou pesquisador da área de defensivos agrícolas, então tenho um interesse técnico pela importância dessa ferramenta”, conclui Carbonari.
A modernização posiciona a Unesp como referência nacional na área de biotérios e amplia significativamente as possibilidades de pesquisa científica de ponta no campus de Botucatu.
Fonte: Jornal da Unesp