Altitude, solo basáltico e uvas com 27 °Brix: entenda os segredos do terroir que coloca Monte Belo do Sul no mapa dos grandes vinhos do mundo
Foto: Divulgação

A uva Merlot sempre ocupou lugar central na história dos vinhos finos brasileiros. Originária de Bordeaux, na França, a variedade encontrou na Serra Gaúcha um dos melhores terroirs fora da Europa. E dentro da região, um município se destaca cada vez mais: Monte Belo do Sul, considerada a maior produtora per capita de uvas viníferas da América Latina.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
Foto: Divulgação

O município integra a Indicação de Procedência Monte Belo e parte da Denominação de Origem Vale dos Vinhedos. A combinação de altitude elevada, solos bem drenados e significativa amplitude térmica cria condições ideais para o amadurecimento lento e completo da Merlot, uma variedade sensível ao excesso de umidade e ao vigor vegetativo descontrolado.

“O solo basáltico e semi argiloso de Monte Belo propicia melhor absorção de nutrientes e confere profundidade às raízes das videiras. Aliada à altitude e à brisa constante nos vinhedos, essa combinação permite conduzir o amadurecimento sem grandes riscos”, explica Felipe Marques Pereira, vinhateiro e proprietário da Casa Marques Pereira.

A Quinta da Orada e o segredo do Cru Jerivás

Os vinhedos da Quinta da Orada, propriedade da família Marques Pereira, ocupam 15 hectares entre 466 e 543 metros de altitude. O relevo acidentado favorece a circulação de ar e acelera a dissipação da umidade. Enquanto as encostas garantem exposição solar equilibrada ao longo do ciclo vegetativo.

Foto: Divulgação

O destaque da propriedade é a parcela Cru Jerivás, situada na parte mais alta do vinhedo. Ali, onde a ventilação é maior e o subsolo revela ágatas, ametistas e cristais de quartzo, a Merlot atinge concentrações fora do comum.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Safra 2026 histórica: 27 °Brix raramente vistos no Brasil

A safra de 2026 marcou um novo patamar para a vitivinicultura gaúcha. Em algumas parcelas da Casa Marques Pereira, a Merlot alcançou até 27 °Brix, índice de maturação raramente registrado para a variedade no país. O resultado foi impulsionado por um inverno frio e prolongado. Isso assegurou boa dormência das videiras, seguido de um período de amadurecimento com baixa incidência de chuvas. O que garantiu concentração, sanidade e qualidade superior das uvas.

8 medalhas de ouro e reconhecimento nacional

O desempenho no campo se refletiu diretamente nas avaliações especializadas. Na edição de 2026 da Grande Prova Vinhos do Brasil, uma das principais avaliações às cegas do país, promovida pelo crítico Marcelo Copello, a Casa Marques Pereira conquistou oito medalhas de ouro.

Entre os rótulos premiados, o Casa Marques Pereira Merlot Reserva 2022 recebeu medalha de ouro, consolidando o reconhecimento tanto da vinícola quanto do município como referências na produção da variedade no Brasil.

O avanço técnico de Monte Belo do Sul, aliado às condições naturais excepcionais do terroir, coloca a região entre as que mais evoluíram na Serra Gaúcha nos últimos anos. E a Merlot segue como protagonista dessa história.