Resumo da notícia
- Os preços internacionais do cacau seguem em queda no início de 2026, pressionados pela fraqueza da demanda global e pela retração na moagem nas principais regiões processadoras, especialmente na Europa.
- A moagem de cacau na Europa caiu 8,3% no 4º trimestre de 2025, com retração anual acumulada de 6,1%, refletindo menor atividade e redução nas importações líquidas, que recuaram 5,6% no ano.
- Apesar da queda na demanda global, a América do Norte apresentou leve alta na moagem e importações firmes, mas o mercado mantém viés baixista devido à expectativa de melhora na produção e cautela dos investidores.
Os preços internacionais do cacau seguem pressionados no início de 2026, refletindo a continuidade do enfraquecimento da demanda global após as quedas registradas no final de 2025. De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, os contratos futuros de cacau encerraram a última semana cotados a US$ 5.076 por tonelada em Nova York e £ 3.712 por tonelada em Londres, acumulando mais uma semana de baixa.
O movimento foi influenciado pelos resultados de moagem do quarto trimestre de 2025. Que indicaram menor atividade nas principais regiões processadoras. Na Europa, maior polo mundial de processamento de cacau, dados da Associação Europeia do Cacau apontaram uma queda de 8,3% na moagem do período frente ao mesmo trimestre de 2024, encerrando o ano com retração acumulada de 6,1%. As leituras vieram acima das estimativas do mercado, reforçando o cenário de demanda enfraquecida e pressionando as cotações, que chegaram a cair para US$ 4.839/t em Nova York e £ 3.572/t em Londres no dia 15 de janeiro.
Importações europeias caem
Segundo Carolina França, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint, as reduções nas importações europeias corroboram a tendência de ajuste da demanda. “As importações líquidas de amêndoas de cacau na região recuaram 5,6% em 2025. Com queda de 8,9% apenas no quarto trimestre, após uma alta de 6,4% no trimestre anterior”, afirma.
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Embora o impacto direto sobre a moagem seja amortecido por estoques ainda relevantes, o ambiente de preços historicamente elevados e restrição de oferta limita a recomposição de estoques. A Hedgepoint destaca que, historicamente, o terceiro trimestre do ano tende a registrar entradas líquidas positivas, mas desde 2023 esse padrão se quebrou. Em 2025, o fluxo do T3 permaneceu negativo, ainda que atenuado pelo aumento das importações.
“Os preços elevados restringem a recomposição dos estoques. E tornam a moagem mais sensível à oferta de matéria-prima, mantendo a postura cautelosa do lado da demanda”, explica França. A Ásia também seguiu essa tendência, com queda de 4,82% na moagem do quarto trimestre, puxada pela Malásia, que apresentou resultados abaixo das expectativas.
Avanço na moagem
Na direção oposta, os números da Associação Nacional de Confeiteiros (NCA) mostram leve avanço na moagem da América do Norte. Ela subiu 0,35% no quarto trimestre na comparação anual. Nos Estados Unidos, as importações líquidas de cacau permaneceram firmes, somando 238,7 mil toneladas até outubro de 2025. Frente a apenas 42,5 mil toneladas no mesmo período de 2024.
De forma geral, o mercado de cacau mantém viés baixista diante da fraqueza do consumo global e das expectativas de melhora na produção no ciclo 2025/26. O aumento das posições líquidas vendidas nos mercados de Nova York e Londres confirma o tom mais cauteloso dos investidores.
Ainda assim, análises técnicas indicam que o Índice de Força Relativa (RSI) permanece próximo à zona de sobrevenda. O que abre espaço para correções pontuais de curto prazo. “Mudanças nas posições dos fundos, fatores técnicos ou variações climáticas nas origens produtoras podem gerar volatilidade e ajustes pontuais nos preços, mas não sinalizam, por ora, uma reversão estrutural da tendência de baixa”, conclui França.