Circular Técnica reúne informações sobre principais insetos e ácaros que atacam o quiabeiro e orienta produtores sobre o Manejo Integrado de Pragas
Foto: Carlos Alberto Lopes/Embrapa

A Embrapa Hortaliças publicou a Circular Técnica nº 179, intitulada Recomendações para o controle de pragas do quiabeiro. O material apresenta estratégias para o manejo de insetos e ácaros que podem causar prejuízos à cultura, independentemente do sistema de produção adotado, convencional ou agroecológico.

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A publicação foi elaborada pelos pesquisadores Miguel Michereff Filho e Carlos Alberto Lopes, da Embrapa Hortaliças, e pelo professor Jorge Braz Torres, da Universidade Rural de Pernambuco. O conteúdo reúne descrições detalhadas, ilustrações e orientações sobre as principais pragas do quiabeiro e os métodos de controle recomendados.

A produção brasileira de quiabo é estimada em aproximadamente 120 mil toneladas. Minas Gerais, Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro estão entre os principais estados produtores.

Segundo os autores, a importância de cada praga pode variar conforme a região, a época de cultivo e o sistema de produção. Por isso, o manejo deve priorizar medidas capazes de reduzir a presença dos organismos na lavoura sem causar impactos econômicos, sociais e ambientais ao produtor.

Principais pragas do quiabeiro

Entre os insetos sugadores mais importantes para a cultura estão o pulgão-do-algodoeiro, a mosca-branca, o percevejo-manchador e os tripes. A circular apresenta informações para a identificação desses organismos e orientações sobre as respectivas formas de controle.

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O quiabeiro também pode ser atacado por diferentes espécies de ácaros. Entre os principais estão o ácaro-rajado, os ácaros-vermelhos, o ácaro-verde, o microácaro ou ácaro-da-erinose e o ácaro-branco.

As lagartas, que correspondem à fase larval do ciclo de vida de mariposas e borboletas, também podem provocar danos à cultura. Entre as espécies de maior relevância estão a lagarta-rosca, a lagarta-do-cartucho-do-milho, a lagarta-helicoverpa, a lagarta-heliothis e a lagarta-rosada.

Algumas famílias de besouros também podem ser encontradas em plantações de quiabo. Esses insetos atacam brotos, folhas e flores, mas, de acordo com a publicação, os danos costumam ocorrer de forma esporádica. Entre os exemplos estão adultos dos gêneros Colaspis e Diabrotica.

As abelhas sem ferrão nativas do Brasil, conhecidas regionalmente como arapuá, arapuã, irapuã, cupira, enrola-cabelo e abelha-cachorro, são mais comuns em lavouras orgânicas. Em sistemas convencionais, a pulverização pode afastar a visita dessas espécies.

Controle biológico e manejo integrado

O uso de inimigos naturais no controle de pragas é chamado de controle biológico. A estratégia aproveita a regulação natural das populações de insetos e ácaros que se alimentam das plantas.

Para os pesquisadores, o agricultor pode contribuir para esse processo ao preservar e ampliar a atuação dos inimigos naturais presentes no agroecossistema. Dessa forma, o controle de pragas não depende exclusivamente da aplicação de produtos químicos.

A circular destaca que o controle químico deve ser associado a outros métodos de manejo. Um profissional habilitado deve orientar a recomendação e o uso de defensivos agrícolas para evitar aplicações insuficientes ou excessivas.

Manejo Integrado de Pragas

O desenvolvimento de um programa de Manejo Integrado de Pragas (MIP) é considerado fundamental para a cadeia produtiva do quiabo. A estratégia busca garantir alimentos de qualidade e livres de contaminantes, além de preservar o meio ambiente e proteger a saúde dos consumidores e dos trabalhadores rurais.

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“É importante ressaltar que o desenvolvimento e a implementação de um programa de Manejo Integrado de Pragas (MIP) são importantes para a cadeia de valor do quiabeiro, especialmente para suprir a demanda por alimentos de qualidade e livre de contaminantes, respeitando-se o meio ambiente e a saúde do consumidor e do trabalhador rural”, resumem os pesquisadores.

Nesse contexto, o aprimoramento do manejo da cultura depende da integração entre pesquisa, assistência técnica e setor produtivo.

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