Foto: divulgação - Embrapa/Paulo Lanzetta

A Embrapa lançou a cultivar de batata BRS F21, voltada ao processamento industrial de chips e batata-palha.
Desenvolvida após mais de dez anos de pesquisa, a nova batata combina alta produtividade, resistência a doenças e excelente aptidão para fritura.

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A cultivar recebeu o apelido de Braschips devido ao elevado rendimento industrial e à qualidade superior dos chips produzidos. Segundo a Embrapa, a BRS F21 apresenta alta matéria seca e baixo teor de açúcares, fatores essenciais para fritura de qualidade. Essas características garantem chips mais secos, crocantes e com coloração clara e uniforme, preferida pelos consumidores.

O pesquisador Giovani Olegário, da Embrapa Hortaliças, explica que a combinação desses atributos evita a caramelização durante a fritura. Além disso, a batata apresenta textura firme, sabor característico, polpa amarelo-clara e formato ovalado dos tubérculos.

Esses fatores contribuem diretamente para o desempenho industrial e a padronização do produto final.
A cultivar também registra baixa incidência de desordens fisiológicas, como manchas internas e rachaduras nos tubérculos. Com isso, a indústria reduz perdas no processamento e amplia o aproveitamento da matéria-prima.
Testes preliminares, realizados em parceria com a indústria, aprovaram o uso da BRS F21 para chips e batata-palha. Na fase atual, avaliações em maior escala analisam a aceitação entre produtores fornecedores da indústria.

Alta produtividade e estabilidade

Foto: divulgação – Embrapa

A BRS F21 chega ao mercado com potencial para superar cultivares concorrentes em produtividade e estabilidade produtiva. A batata apresenta ampla adaptação às principais regiões produtoras do País, incluindo o Triângulo Mineiro. Essa região concentra o maior volume de fornecimento de batata para as agroindústrias brasileiras.

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O vigor vegetativo e o alto potencial produtivo reduzem o custo da matéria-prima destinada ao processamento.
Segundo Olegário, o ciclo produtivo é ligeiramente mais longo, porém favorece maior acúmulo de amido nos tubérculos. Esse fator atende às exigências da indústria por níveis adequados de matéria seca.

No momento da colheita, a dessecação seguida de cerca de dez dias é considerada etapa essencial.
Nesse período, ocorre a conversão de açúcares em amido, favorecendo chips de coloração clara.
O pesquisador destaca que o monitoramento da lavoura ajuda a definir o ponto ideal de colheita.

Resistência ao vírus PVY

A resistência ao vírus PVY representa uma das principais vantagens competitivas da cultivar BRS F21.
O PVY é a virose de maior impacto socioeconômico na cultura da batata no Brasil. A doença provoca amarelecimento, enfraquecimento das plantas e queda significativa da produtividade.

Como a batata se propaga por tubérculos, o vírus compromete diretamente a qualidade das sementes.
Com baixa suscetibilidade ao PVY, a nova cultivar mantém o vigor das plantas ao longo dos ciclos produtivos.
Esse avanço fortalece a produção e amplia a segurança fitossanitária da cadeia.

A BRS F21 também demonstrou boa resistência à requeima e à pinta-preta. Essas doenças foliares afetam especialmente regiões produtoras do Sul do País.

Portfólio diversificado de cultivares

O Programa de Melhoramento Genético de Batata da Embrapa desenvolve cultivares para diferentes segmentos de mercado. As variedades atendem às condições tropicais e subtropicais do Brasil.
Segundo a pesquisadora Caroline Castro, o programa considera consumidor, produtor e indústria no desenvolvimento das cultivares. A oferta contempla tanto o consumo fresco quanto o uso industrial. Cada cultivar recebe indicação específica para assar, fritar ou utilizar em saladas.

A Embrapa também avalia a adaptação a sistemas de produção diferenciados, como o cultivo orgânico.
Nos últimos dez anos, a pesquisa lançou quatro cultivares além da BRS F21. Entre elas estão a BRS F63 Camila, a BRS F183 Potira, a BRS F50 Cecília e a BRS Gaia. Essas variedades atendem desde o mercado gourmet até a indústria de pré-fritos congelados.

Segundo a pesquisadora, a limitação de cultivares adaptadas ao calor reduz janelas de cultivo no Brasil.
Nesse cenário, a Embrapa atua no desenvolvimento de materiais adaptados às condições climáticas nacionais.
O trabalho envolve parceria entre a Embrapa Clima Temperado e a Embrapa Hortaliças.

As avaliações ocorrem em estações experimentais de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
Produtores parceiros e indústrias de diferentes regiões também participam das validações.

Onde encontrar

Os primeiros licenciados da cultivar BRS F21 foram selecionados por edital público no início do ano.
Esses produtores serão responsáveis pela multiplicação de batata-semente da nova cultivar.
Todos possuem cadastro no Registro Nacional de Sementes e Mudas, junto ao Ministério da Agricultura.