Resumo da notícia
- A presidente da OIV elogiou a qualidade dos sucos de uva brasileiros e destacou o potencial do país para contribuir com o avanço da vitivinicultura mundial.
- Ela ressaltou a sustentabilidade econômica das pequenas propriedades familiares da Serra Gaúcha e a necessidade de explorar esse tema junto à OIV.
- Van der Merwe afirmou que o Brasil pode liderar a troca de tecnologias para enfrentar as mudanças climáticas, reforçando a importância da cooperação internacional no setor.
A presidente da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), a sul-africana Yvette van der Merwe, elogiou a qualidade dos sucos de uva brasileiros durante visita ao Consevitis-RS, em Bento Gonçalves. Segundo ela, o país tem potencial para contribuir com o avanço da vitivinicultura mundial.

Na ocasião, a dirigente conheceu as características da produção nacional e acompanhou os desafios que o setor enfrenta diante das mudanças climáticas.
“Eu absolutamente amo os sucos de uva brasileiros”
Durante a visita, Van der Merwe degustou sucos elaborados com cultivares BRS, desenvolvidas pelo programa de melhoramento “Uvas do Brasil”, da Embrapa. A experiência despertou entusiasmo na dirigente, que resumiu a impressão em poucas palavras: “Eu absolutamente amo os sucos de uva brasileiros”.
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No Rio Grande do Sul, os produtores destinam cerca de metade da uva colhida à fabricação da bebida, hoje um dos principais produtos da vitivinicultura gaúcha.
Pequenas propriedades surpreendem a presidente da OIV
Além do sabor dos sucos, a sustentabilidade econômica de pequenas propriedades familiares chamou a atenção da dirigente, sobretudo na Serra Gaúcha, onde muitas delas atuam vinculadas a cooperativas. Para Van der Merwe, esse é um tema que a OIV ainda precisa explorar com mais profundidade.
“É preciso que toda novidade na área seja acompanhada pelo aspecto econômico”, destacou. Segundo ela, o desafio não é exclusivo dos produtores brasileiros, e por isso os países precisam somar esforços.
Brasil pode liderar troca de tecnologia contra mudanças climáticas
Diante dos efeitos das mudanças climáticas, o Brasil também reúne know-how para compartilhar com outros países, avalia Van der Merwe. Ela lembrou, inclusive, que a própria Europa já busca referências brasileiras no tema.
“Podemos aprender muito com vocês e vocês conosco. Sem dúvida, o Brasil tem muito a ensinar e a contribuir em diversas áreas, e a OIV está aberta e atenta a isso”, afirmou.
Pesquisa brasileira ganhou destaque no encontro
Antes da degustação, o diretor executivo do Consevitis-RS, Eduardo Piaia, apresentou um panorama da vitivinicultura nacional. Ele explicou as diferenças entre os três principais sistemas produtivos do país: a viticultura tradicional do Sul, o cultivo em ciclo de inverno no Sudeste e a viticultura tropical no Nordeste.
Na sequência, os pesquisadores Marcos Botton e Henrique Pessoa dos Santos, da Embrapa Uva e Vinho, apresentaram estudos recentes da instituição, com estratégias para lidar com os desafios climáticos, como novas formas de manejo do solo e uso de tecnologia. Piaia defendeu ainda mais aproximação entre pesquisa e mercado, além de maior intercâmbio internacional em áreas como a genética de cultivares.
O encontro reuniu também o presidente do Consevitis-RS, Maicon Galiotto, representantes de entidades e empresas do setor e integrantes da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Vinho, Uvas e Derivados, ligada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A passagem de Van der Merwe pela Serra Gaúcha faz parte de sua agenda no EnoMeeting by ConceptWine, Congresso Internacional de Enologia e Viticultura.