Resumo da notícia
- O monitoramento por colares identifica intensidade e duração do cio, aumentando em até 33% a taxa de prenhez ao orientar o melhor momento para inseminação.
- Dados do comportamento reprodutivo auxiliam na escolha genética, permitindo usar sêmen de melhor qualidade e selecionar receptoras para transferência de embriões.
- A avaliação da fertilidade deve considerar outros fatores como saúde, produção e estresse, usando os monitores como complemento para decisões mais precisas no manejo do rebanho.
O monitoramento contínuo do comportamento das vacas pode ajudar o produtor a avaliar a intensidade e a duração do cio. Estudos realizados no Brasil, no Canadá, na Alemanha e em outros países associam cios mais intensos a taxas de prenhez de 10 a 12 pontos percentuais superiores.
Segundo os dados apresentados, esse resultado pode representar um aumento relativo de aproximadamente 33% na prenhez. As informações foram apresentadas pelo professor Ronaldo Luis Aoki Cerri, da University of British Columbia, durante palestra da Nedap no Agroleite 2026, em Castro (PR).
Tecnologia identifica intensidade do cio
Colares de monitoramento acompanham a atividade individual das vacas e comparam as mudanças de comportamento com o padrão habitual de cada animal. Dessa forma, o sistema identifica não apenas a ocorrência do cio, mas também sua intensidade e duração.
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A tecnologia ainda ajuda a apontar o início do período fértil e pode orientar o melhor momento para a inseminação. Com isso, a equipe consegue avaliar se o procedimento deve ocorrer pela manhã ou à tarde.
“A grande vantagem do monitor de atividade é detectar melhor quando começou o cio. Ele dá mais precisão para decidir se a inseminação será feita pela manhã ou à tarde, mas a palavra-chave é simplificar o processo”, afirmou Cerri.
Dados apoiam decisões genéticas
Além de orientar a inseminação, o histórico reprodutivo pode contribuir para decisões relacionadas à genética do rebanho. Vacas que retomam a ciclicidade mais cedo após o parto ou apresentam cios mais intensos podem receber atenção especial na escolha do sêmen.
Esses animais também podem ser considerados na transferência de embriões. “Se você sabe que esse animal já apresentou cio e tende a ser mais fértil, pode colocar um sêmen melhor, utilizá-lo para transferência de embriões ou tomar outra decisão”, explicou o especialista.
Pesquisas citadas na palestra também relacionam a maior intensidade do cio a melhores resultados na transferência de embriões. Por isso, a informação pode ajudar na seleção de receptoras.
Avaliação deve considerar outros fatores
Apesar da importância dos alertas, o produtor não deve analisar a intensidade do cio de forma isolada. Condição corporal, número de lactações, produção de leite, saúde, problemas nos cascos e nas pernas, estresse térmico e lotação dos currais também influenciam a fertilidade.
Assim, os dados dos monitores devem complementar a avaliação da equipe e o histórico de cada animal. “Os monitores de atividade podem ajudar muito na inclusão desse tipo de dado, não só como acompanhamento ao longo do tempo, mas como parte do processo de decisão”, concluiu Cerri.