Pesquisa da UFSCar investiga fungos do intestino da lagarta capazes de degradar isopor, resíduo de difícil reciclagem
lagarta
Helicoverpa armigera - Foto: CRUZ, Ivan/Embrapa

Uma das principais pragas agrícolas do Brasil pode ajudar a ciência a enfrentar um problema ambiental. A Helicoverpa armigera, conhecida pelos prejuízos que causa em culturas como soja e algodão, despertou o interesse de pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) por uma característica pouco comum.

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Os cientistas descobriram que a lagarta consegue consumir poliestireno expandido (EPS), material conhecido popularmente como isopor. A partir dessa observação, a equipe passou a investigar quais mecanismos permitem ao inseto lidar com esse tipo de resíduo.

Fungos do intestino chamam a atenção

Durante a pesquisa, os pesquisadores identificaram fungos no sistema digestivo da lagarta. Alguns desses microrganismos apresentaram potencial para participar da degradação do poliestireno.

Esses organismos podem produzir substâncias capazes de alterar a estrutura do material. Por isso, a equipe avalia se os microrganismos associados à Helicoverpa armigera poderão contribuir, no futuro, para desenvolver novas estratégias de tratamento de resíduos plásticos.

O resultado chama atenção pelo contraste. A Helicoverpa armigera preocupa agricultores porque suas lagartas atacam diversas culturas e podem provocar perdas nas lavouras. Ao mesmo tempo, a espécie oferece uma pista para pesquisadores que buscam alternativas contra um problema ambiental.

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Isopor ainda desafia o reaproveitamento

O isopor aparece em embalagens, recipientes e diversos produtos usados no dia a dia. Embora tenha baixo peso e grande capacidade de isolamento, o material apresenta desafios para coleta, reaproveitamento e reciclagem.

Nesse cenário, a descoberta abre uma nova frente de investigação. Em vez de depender apenas de métodos físicos ou químicos, os pesquisadores estudam mecanismos biológicos que possam ajudar a degradar o material.

No entanto, a pesquisa ainda não permite afirmar que será possível utilizar lagartas para eliminar grandes volumes de isopor. O estudo precisa avançar antes que qualquer aplicação prática possa ser considerada.

Ciência ainda precisa testar o potencial

Agora, os pesquisadores precisam entender com mais precisão quais fungos participam do processo e quais substâncias eles produzem. Além disso, a equipe deve avaliar em quais condições esses microrganismos conseguem atuar com maior eficiência.

Essa etapa é fundamental porque uma descoberta feita em laboratório não se transforma automaticamente em uma tecnologia disponível para uso. Antes disso, os cientistas precisam confirmar a eficiência do processo, sua segurança e a possibilidade de aplicação em escala maior.

Por enquanto, portanto, o trabalho representa uma possibilidade científica que ainda depende de novas etapas de pesquisa.

De praga agrícola a fonte de descoberta

A pesquisa mostra como organismos considerados prejudiciais podem revelar características de interesse para a ciência. No caso da Helicoverpa armigera, o contraste ganha ainda mais força porque a espécie possui importância econômica justamente pelos danos que provoca na agricultura.

Ao investigar o sistema digestivo da lagarta, os pesquisadores encontraram microrganismos que podem ajudar a explicar como o inseto lida com o poliestireno.

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Se as próximas etapas confirmarem esse potencial, os fungos associados à Helicoverpa armigera poderão contribuir para o desenvolvimento de soluções biotecnológicas voltadas a resíduos de difícil reaproveitamento.

A descoberta, assim, coloca uma conhecida praga agrícola no centro de uma investigação que pode aproximar agricultura, biotecnologia e meio ambiente.