Estudo alerta para os riscos das altas temperaturas à saúde de quem trabalha no campo e aos impactos na atividade rural
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Foto: Divulgação.

O calor extremo representa um desafio crescente para quem trabalha no campo. A exposição prolongada ao sol aumenta os riscos à saúde. Além disso, atividades como plantio, colheita e manejo de animais exigem esforço físico. Em dias muito quentes, essa combinação pode comprometer a segurança durante a jornada.

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As altas temperaturas também dificultam a recuperação do organismo e favorecem a desidratação. Por isso, proteger os trabalhadores rurais tornou-se uma preocupação para a agricultura mundial. Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgado em 22 de abril de 2026, alerta para os impactos do calor. O problema afeta a saúde, a produtividade agrícola e a pecuária.

Calor extremo ameaça saúde e produtividade

O relatório destaca a dimensão do problema. Segundo o documento, os trabalhadores agrícolas têm probabilidade 35 vezes maior de morrer por exposição ocupacional ao calor. A comparação considera os trabalhadores dos demais setores combinados.

Além disso, o calor extremo provocou a perda de 470 bilhões de horas de trabalho em todo o mundo em 2021. Esse é o ano mais recente com estatísticas citadas no levantamento.

Os números mostram que as altas temperaturas ameaçam tanto a saúde quanto a continuidade das atividades produtivas. Afinal, o calor limita o tempo de trabalho seguro. Esse risco aumenta quando as tarefas exigem esforço físico intenso e exposição direta ao sol.

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As mulheres rurais também podem enfrentar vulnerabilidades específicas. As condições de trabalho e o acesso a recursos de adaptação influenciam esses riscos. Por isso, as medidas preventivas precisam considerar as necessidades de diferentes grupos.

Brasil já enfrentou impactos do calor extremo

O relatório analisa um episódio severo de calor que atingiu grandes áreas do Brasil entre o fim de 2023 e 2024. O fenômeno ocorreu durante um período de El Niño, em um contexto de aquecimento de longo prazo. Em diferentes momentos e regiões, as temperaturas superaram em mais de 5 °C as médias registradas.

Na agricultura, o documento destaca os impactos sobre a soja na safra de 2023/2024. Inicialmente, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou uma colheita de 162 milhões de toneladas. Até maio de 2024, porém, a estimativa caiu para 147,7 milhões de toneladas. A diferença representa uma redução de quase 10% em relação à previsão inicial.

Segundo o relatório, o estresse térmico contribuiu para esse resultado. Entretanto, a diferença entre as estimativas não representa uma medição exclusiva das perdas provocadas pelo calor. Temperaturas elevadas durante fases sensíveis do desenvolvimento da soja também podem prejudicar a formação dos grãos e reduzir a produtividade.

A pecuária também enfrentou desafios durante o período. Animais sensíveis às altas temperaturas, como os suínos, podem sofrer estresse térmico severo. No setor leiteiro, o calor também pode comprometer a saúde e a produtividade dos animais.

As florestas igualmente sofreram impactos. No Pantanal, o calor e as condições favoráveis à propagação do fogo contribuíram para um cenário de queimadas severas. Ao mesmo tempo, trabalhadores agrícolas enfrentaram condições preocupantes de exposição térmica. Em determinadas regiões, os índices de estresse térmico ultrapassaram limites de segurança.

Esses índices consideram fatores como temperatura, umidade, vento e radiação solar. Portanto, a avaliação dos riscos não depende apenas da temperatura indicada nos termômetros.

Calor intensifica outros riscos climáticos

O calor extremo não atua de forma isolada. Pelo contrário, pode agravar a seca e aumentar o risco de incêndios florestais. Também pode prejudicar as pastagens e comprometer a disponibilidade de água. Quando esses fatores se combinam, os prejuízos atingem diferentes atividades agropecuárias.

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Uma mesma onda de calor pode afetar lavouras, rebanhos e ecossistemas. Além disso, coloca em risco as pessoas responsáveis pela produção. Consequentemente, as propriedades podem enfrentar vários problemas ao mesmo tempo.

Por isso, compreender os efeitos do calor exige uma análise mais ampla. É necessário considerar a duração da exposição, as condições de trabalho e os impactos sobre os recursos naturais.

Prevenção e adaptação ganham importância

Diante desse cenário, o relatório recomenda fortalecer os sistemas de previsão meteorológica e os alertas antecipados. Também destaca a importância de integrar essas informações ao planejamento agrícola. Assim, produtores e trabalhadores podem se preparar melhor para períodos de calor intenso.

Na rotina das propriedades, algumas medidas ajudam a reduzir os riscos. Entre elas estão a oferta de água potável e as pausas em locais protegidos do sol. Sempre que possível, os responsáveis também podem transferir as tarefas mais pesadas para horários menos quentes.

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Além disso, as equipes precisam receber orientações sobre o estresse térmico. Os empregadores também devem estabelecer procedimentos para interromper atividades quando as condições se tornarem inseguras.

A adaptação exige outras iniciativas. O desenvolvimento de cultivos e raças animais mais tolerantes ao calor pode ajudar a reduzir os impactos. Da mesma forma, o manejo eficiente da água e o uso de informações agrometeorológicas apoiam as decisões no campo. Essas medidas, contudo, não eliminam todos os riscos.

Desafio exige atenção ao futuro do agro

Os resultados apresentados pela FAO e pela OMM mostram que o calor extremo ameaça a saúde dos trabalhadores e a produção agropecuária. No Brasil, o episódio de 2023 e 2024 evidenciou os efeitos simultâneos sobre lavouras, pecuária, florestas e condições de trabalho.

Por isso, ampliar a prevenção e incorporar informações climáticas ao planejamento rural são medidas importantes. Essas ações podem reduzir a vulnerabilidade das propriedades. Ao mesmo tempo, a adaptação precisa caminhar junto com a mitigação das mudanças climáticas. Essa combinação é fundamental para limitar o agravamento dos riscos no longo prazo.

Nota sobre os dados

Os números apresentados referem-se aos períodos e às condições descritos no relatório da FAO e da OMM. No caso da soja brasileira, os dados correspondem à revisão da previsão inicial para a safra de 2023/2024. Portanto, não representam perdas atribuídas exclusivamente ao calor extremo.

Os resultados devem ser interpretados conforme a metodologia e o período de referência das fontes consultadas. Além disso, os dados históricos não representam automaticamente as condições atuais de todas as regiões brasileiras.