Previsão indica chuva acima da média em áreas do Sul e Sudeste e calor em outras regiões, com impactos no plantio, na colheita e no manejo no campo
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Foto: Divulgação.

A reta final de 2026 deve ser marcada por contrastes no tempo em diferentes regiões brasileiras. O El Niño deve ganhar força entre outubro e dezembro, com previsão de chuva acima da média no Sul e em parte do Sudeste, enquanto áreas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste podem enfrentar períodos mais secos e temperaturas elevadas.

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Para o campo, essa diferença pode interferir diretamente no calendário agrícola. O excesso de chuva no Sul pode dificultar a entrada de máquinas, atrasar o plantio da safra de verão e prejudicar a colheita de culturas de inverno. Já no Centro-Oeste, a irregularidade das precipitações pode dificultar o início da safra de soja. No Norte e Nordeste, períodos mais secos e quentes podem aumentar o estresse hídrico das lavouras e a necessidade de água para a produção.

A combinação de chuva irregular e calor também exige atenção no Sudeste. Dependendo da distribuição das precipitações, o produtor pode enfrentar excesso de água em períodos curtos e intervalos secos entre as chuvas. Essa alternância interfere no planejamento das operações e no manejo do solo.

Sul: excesso de chuva pode atrasar plantio e colheita

O cenário de maior umidade merece atenção no Sul porque coincide com uma fase movimentada do calendário agrícola. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná aparecem entre as áreas com previsão de chuva acima da média no trimestre.

No Rio Grande do Sul, algumas áreas já apresentam níveis elevados de umidade no solo. Quando ocorre saturação, máquinas pesadas podem causar compactação e deixar de acessar determinadas lavouras. Além disso, a permanência de água favorece doenças e pode prejudicar a qualidade de produtos que ainda aguardam a colheita.

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O calendário de inverno também entra nessa conta. Onde a colheita de trigo e outras culturas ainda estiver em andamento, novas chuvas podem reduzir as janelas disponíveis para a retirada dos grãos do campo.

Já no Paraná, o impacto pode atingir duas etapas da produção ao mesmo tempo. O produtor começa o plantio da safra de verão enquanto ainda trabalha na colheita de culturas de inverno. Com chuva frequente, o solo pode permanecer inadequado para a entrada de máquinas, atrasando tanto a retirada das lavouras de inverno quanto a semeadura da próxima safra.

Santa Catarina também pode registrar episódios de chuva intensa, temporais, rajadas de vento e granizo. Nas propriedades rurais, esses eventos podem causar danos às plantas, erosão do solo e interrupção temporária das operações.

Sudeste: chuva irregular e calor exigem atenção ao manejo

A situação tende a ser mais irregular no Sudeste. São Paulo, Rio de Janeiro e o centro-sul de Minas Gerais aparecem com tendência de chuva acima da média no trimestre, mas isso não significa precipitações bem distribuídas ao longo dos meses.

Para o produtor, essa diferença é importante. Uma sequência de dias chuvosos pode dificultar a entrada de máquinas e aumentar a umidade das lavouras. Depois, um período de calor e pouca chuva pode elevar rapidamente a perda de água do solo.

Em São Paulo e Minas Gerais, essa alternância interfere no planejamento das culturas de verão. O produtor precisa aproveitar as janelas em que o solo tenha umidade suficiente, mas também ofereça condições para o trânsito de máquinas e a realização das operações agrícolas.

Além disso, temperaturas elevadas podem aumentar a evapotranspiração, ou seja, a perda de água do solo e das plantas para a atmosfera. Em áreas irrigadas, isso pode elevar a demanda por água.

Centro-Oeste: chuva irregular pode interferir no plantio da soja

A distribuição da chuva será o principal ponto de atenção para a agricultura do Centro-Oeste. Mato Grosso aparece entre as áreas com previsão de precipitação abaixo da média, enquanto Mato Grosso do Sul e o sul de Goiás têm tendência de chuva acima da média.

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Para quem prepara o plantio da soja, a chegada e a regularidade das chuvas são determinantes. Se a umidade do solo não se estabelecer de forma adequada, o produtor pode precisar esperar uma janela mais favorável antes de avançar com a semeadura.

O calor também aumenta a pressão sobre a água disponível no solo. Em períodos prolongados sem chuva, as temperaturas elevadas aceleram a perda de umidade e podem dificultar a implantação das lavouras.

Em Mato Grosso do Sul e no sul de Goiás, a previsão de maior disponibilidade de chuva pode favorecer as operações. Ainda assim, volumes muito concentrados não substituem uma distribuição regular, porque podem provocar erosão, encharcamento localizado e dificuldade para o tráfego de máquinas.

Norte: períodos mais secos aumentam a pressão sobre a produção

Na Região Norte, o cenário também será desigual. O oeste e o sul podem receber volumes mais elevados de chuva, enquanto grande parte da região apresenta tendência de precipitação abaixo da média.

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Para a agricultura e a pecuária, a menor disponibilidade de água pode se tornar um problema principalmente quando ocorre junto com temperaturas elevadas. O solo perde umidade mais rapidamente, as plantas aumentam a demanda hídrica e os produtores precisam acompanhar com maior atenção as fontes de água utilizadas na propriedade.

Roraima, o norte e leste do Amazonas, o norte e oeste do Pará e o Amapá aparecem entre as áreas com maior sinal de déficit de chuva no trimestre.

Além do impacto sobre lavouras e pastagens, períodos mais secos aumentam o risco de queimadas em áreas rurais. Por isso, a condição da vegetação e a umidade do solo também entram no planejamento das propriedades.

Nordeste: calor pode aumentar a demanda por água

Outubro ocorre em uma época de menor ocorrência de chuva em boa parte do Nordeste. A previsão indica precipitação abaixo da média principalmente no norte e no leste, embora alguns estados apresentem tendência diferente ao longo do trimestre.

Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas aparecem com possibilidade de chuva acima da média no período. Ainda assim, o produtor não deve interpretar essa previsão como garantia de chuva regular durante todo o trimestre.

O calor é outro fator importante para a produção. Temperaturas elevadas aumentam a evaporação e podem elevar a quantidade de água necessária para manter as lavouras em boas condições. Em áreas dependentes de irrigação, isso exige maior atenção ao uso dos recursos hídricos.

Na pecuária, a combinação de calor e menor disponibilidade de água também pode afetar a oferta de pastagem e aumentar a necessidade de manejo da água para os animais.

O que o produtor deve acompanhar até o fim do ano

Apesar de o El Niño afetar o padrão climático em escala nacional, o impacto sobre a agricultura será diferente entre as regiões. No Sul, o principal risco está no excesso de água e na perda de janelas para plantio e colheita. Já no Sudeste, a alternância entre chuva e calor pode dificultar o planejamento das operações.

A regularização das chuvas será importante para o avanço da safra de soja no Centro-Oeste. No Norte e no Nordeste, períodos de déficit de chuva combinados com temperaturas elevadas podem aumentar a pressão sobre a disponibilidade de água para lavouras, pastagens e animais.

Por isso, a previsão climática para outubro, novembro e dezembro serve como referência, mas não substitui o acompanhamento das condições meteorológicas de curto prazo. Uma região pode ter chuva acima da média no trimestre e, ainda assim, enfrentar períodos secos entre eventos de precipitação intensa.

Para o produtor, acompanhar essa mudança de cenário será importante para definir as janelas de plantio, colheita, aplicação de insumos e manejo da água ao longo da reta final de 2026.