Resumo da notícia
- Brasil repatria 127 canários-da-terra à Venezuela após apreensão da Polícia Federal no Amazonas, evitando comércio ilegal e protegendo a biodiversidade local.
- Análises científicas confirmaram que as aves são originárias da Venezuela, descartando soltura em território brasileiro para evitar desequilíbrios ecológicos.
- Operação envolveu cooperação diplomática e ambiental entre Brasil e Venezuela, reforçando o combate internacional ao tráfico de fauna silvestre.
Uma operação conjunta entre o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e autoridades venezuelanas resultou na repatriação de 127 canários-da-terra (Sicalis flaveola flaveola) à Venezuela, entre os dias 9 e 12 de dezembro. As aves foram interceptadas pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, na capital amazonense, em uma ação de combate ao tráfico internacional de fauna silvestre.
As aves estavam sendo transportadas ilegalmente para Guarulhos, em São Paulo, onde seriam comercializadas no mercado negro de animais silvestres. Após a apreensão, os canários foram encaminhados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres do Amazonas (Cetas/AM), unidade do Ibama especializada no atendimento de fauna apreendida.
No Cetas, os animais receberam atendimento veterinário especializado e foram submetidos a rigorosos protocolos de avaliação sanitária e monitoramento, garantindo as condições adequadas para a repatriação.
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Análises científicas comprovam origem venezuelana
Em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e a Polícia Federal, a equipe do Ibama realizou análises morfológicas detalhadas e estudos de isótopos estáveis nos espécimes apreendidos. Os resultados foram conclusivos: os canários-da-terra possuem distribuição natural exclusiva no território venezuelano e não fazem parte da fauna nativa brasileira.
Diante dessa constatação científica, a soltura das aves em território nacional foi descartada. Segundo especialistas, a introdução de espécies exóticas no ambiente pode causar sérios desequilíbrios ecológicos, incluindo competição com espécies nativas, transmissão de doenças e alteração de ecossistemas locais.
Diplomacia ambiental em ação
Com base nos laudos técnicos, o governo brasileiro iniciou as tratativas diplomáticas com as autoridades ambientais venezuelanas para viabilizar o retorno dos animais ao seu habitat de origem. O processo envolveu articulação entre órgãos ambientais dos dois países e seguiu protocolos internacionais de cooperação em biodiversidade.
A entrega oficial dos 127 canários-da-terra aos representantes do órgão ambiental venezuelano ocorreu na quinta-feira, 11 de dezembro, concluindo com sucesso a missão de repatriação.
Compromisso contra o tráfico de animais
A operação reforça a atuação do Ibama no combate ao tráfico internacional de fauna e destaca a importância da cooperação entre países para a proteção da biodiversidade. De acordo com o instituto, a destinação ambientalmente adequada de animais apreendidos é prioridade, assegurando que retornem ao seu ambiente natural sempre que possível.
O tráfico de animais silvestres é considerado a terceira atividade ilegal mais lucrativa do mundo, movimentando bilhões de dólares anualmente. No Brasil, o comércio ilegal de fauna é crime ambiental previsto na Lei 9.605/98, com penas que variam de seis meses a um ano de detenção, além de multas.
Conscientização é fundamental
O Ibama reforça o alerta à população: não compre animais silvestres. Ao recusar o comércio ilegal, cada cidadão contribui diretamente para a preservação da fauna brasileira e combate redes criminosas que lucram com o sofrimento animal e a destruição da biodiversidade.
Para denunciar o tráfico de animais silvestres, a população pode utilizar a Linha Verde do Ibama pelo telefone 0800-61-8080 ou fazer denúncias online através do portal do instituto.









