Entidade também propõe aumento no seguro rural e critica baixa execução dos recursos atuais

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) quer um Plano Safra mais robusto em 2025/26. A entidade propôs ao Ministério da Agricultura o repasse de R$ 594 bilhões para o crédito rural. O valor representa um aumento de quase 25% em relação aos R$ 477 bilhões da safra atual.

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Além disso, a CNA solicita R$ 25 bilhões para equalização de juros, frente aos R$ 14 bilhões previstos atualmente. A entidade não especificou as taxas pretendidas, mas defende juros e prazos adequados, especialmente para investimentos de longo prazo.

O documento com as propostas foi entregue nesta quinta-feira (24) ao secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos. Em geral, a CNA ressalta que o foco do governo deve ser o financiamento de ações estratégicas, como os investimentos no meio rural.

Recursos não chegam na ponta, afirma CNA

A entidade criticou a baixa execução dos recursos nesta temporada. Os desembolsos estão quase 20% abaixo dos registrados na safra 2023/24. Para a CNA, é fundamental garantir que os recursos anunciados cheguem ao produtor final. “Os valores precisam estar disponíveis ao longo de toda a safra, sem interrupções”, afirma a confederação. Em fevereiro, o governo suspendeu temporariamente as operações equalizadas por falta de orçamento. Um crédito extraordinário de R$ 4,1 bilhões permitiu a retomada.

CNA defende equilíbrio fiscal e menos juros

Com a expectativa de a taxa Selic atingir 15% até dezembro, a CNA não definiu taxas específicas para 2025/26. No entanto, pediu compromisso com o equilíbrio fiscal e a estabilização da dívida pública. Segundo a entidade, essas medidas podem conter a inflação e abrir espaço para juros menores no futuro.

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A confederação também propôs elevar o orçamento do seguro rural. O valor solicitado para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) é de R$ 4 bilhões, frente aos R$ 1,06 bilhão atuais. A CNA apoia a aprovação do Projeto de Lei 2.951/2024, que prevê a criação de um Fundo Catástrofe e proteção orçamentária ao programa.

Por outro lado, a entidade se opõe à obrigatoriedade do seguro rural vinculado ao crédito. Embora reconheça avanços com a adesão compulsória, afirma que o setor ainda precisa amadurecer em gestão de riscos e estrutura do mercado segurador.

Recursos devem priorizar pequenos e médios produtores

Dos R$ 594 bilhões solicitados, R$ 103 bilhões devem atender ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), ante R$ 77 bilhões deste ciclo. Para médios e grandes produtores, o pedido é de R$ 491 bilhões, com R$ 390 bilhões destinados a custeio e comercialização, e R$ 101 bilhões para investimentos.

A CNA defende que o governo priorize recursos para pequenos e médios produtores. Além disso, pede atenção especial a programas de armazenagem, irrigação, inovação tecnológica e produção sustentável.

Menos burocracia e mais crédito sustentável

A entidade propôs a redução de burocracias e custos adicionais na contratação do crédito, como taxas cartorárias. Também sugeriu ajustes nos limites de renda bruta dos programas e a eliminação de entraves regulatórios que vão além da legislação brasileira.

Para incentivar práticas sustentáveis, a CNA apoia descontos nas taxas de juros ou aumento dos limites financiáveis. Contudo, alerta que o processo de comprovação ambiental não deve onerar o produtor. A entidade também pede o fim da venda casada nas operações de crédito rural.

Execução dos programas está abaixo do esperado

Mesmo programas importantes têm desempenho aquém do necessário. A aplicação de recursos em investimentos raramente chega a 90%. No caso do Renovagro, linhas como o Prodecoop apresentam apenas 31% de execução. O Moderfrota, voltado à compra de máquinas, registra desembolso de apenas 57%.

Para a CNA, a baixa execução não ocorre por falta de interesse, mas por indisponibilidade de recursos. Há relatos de produtores com projetos parados há meses nas instituições financeiras.

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CNA propõe novas fontes de financiamento

Diante da limitação orçamentária, a CNA sugeriu novas fontes para financiar o setor. Entre as medidas, propôs o uso de recursos ociosos de mais de 200 fundos públicos, como o Fundo Social, FAT, FDS e fundos constitucionais.

A ideia é usar esses valores, que estão sem uso há mais de três anos, para financiar custeio e investimento agropecuário. A operacionalização seria feita pelo BNDES, priorizando operações de longo prazo e garantias ao crédito rural.

A CNA reconhece que o uso desses recursos exige mudanças legislativas. Para isso, sugere incluir o crédito agropecuário no escopo das leis que regem esses fundos.

Entidade quer mudanças nas exigibilidades

A CNA também propôs alterações nas exigibilidades da poupança rural e das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). A sugestão é aumentar de 65% para 70% no caso da poupança, e de 50% para 85% nas LCAs.

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A entidade quer ainda que parte desses recursos possa ser usada na compra de cotas de Fiagros, ampliando o acesso ao mercado de capitais. Segundo a CNA, a instabilidade nas regras das LCAs dificulta o planejamento de investimentos de longo prazo pelas instituições financeiras.

Embora o estoque de LCAs tenha crescido 13% entre fevereiro de 2024 e fevereiro de 2025, o ritmo é menor que nos anos anteriores. Além disso, a entidade aponta que, apesar da alta da Selic, a atratividade das LCAs tem caído com as recentes mudanças nas regras de resgate.

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