Resumo da notícia
- Rio Verde, Goiás, decora espaços públicos com abóboras gigantes em agosto e setembro para celebrar seus 178 anos, atraindo moradores e turistas e resgatando uma tradição local histórica.
- A relação com abóboras começou em 1870, quando soldados do Exército brasileiro encontraram os frutos abundantes após a Guerra do Paraguai, originando os apelidos “Arraial das Abóboras” e “Rio Verde das Abóboras”.
- A prefeitura cultiva seis hectares com variedades gigantes, produzindo cerca de 500 toneladas por ano, valorizando a memória local e transformando o apelido antes negativo em símbolo cultural da cidade.
Rio Verde, no sudoeste de Goiás, decora praças, rotatórias, avenidas e prédios públicos com abóboras gigantes durante agosto e setembro. A iniciativa marca o aniversário do município, que completou 178 anos em 5 de agosto.
Embora a cidade se destaque pela produção de soja, milho e carnes, as grandes abóboras atraem moradores e visitantes nessa época do ano.
Frutos viram atração em Goiás
Além de decorar a cidade, as abóboras ajudam a recuperar uma tradição ligada à história de Rio Verde. Com o passar do tempo, os moradores passaram a associar um antigo apelido à identidade cultural do município.
Tradição começou no século XIX
A relação entre Rio Verde e as abóboras teria começado por volta de 1870. Na época, cerca de 3 mil soldados do Exército brasileiro, recém-saídos da Guerra do Paraguai, montaram acampamento entre os rios Verdão e Verdinho.
A região recebia o nome de Arraial de Nossa Senhora das Dores do Rio Verde. Como estavam famintas, as tropas encontraram nas abóboras abundantes nos campos uma fonte de alimento.
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O escritor Visconde de Taunay relatou o episódio. Segundo a tradição local, o relato deu origem aos apelidos “Arraial das Abóboras” e “Rio Verde das Abóboras”.
Apelido ganhou novo significado
Durante décadas, os moradores receberam a denominação com desconforto. Mais recentemente, contudo, o cultivo e a exposição dos frutos ajudaram a recuperar essa referência histórica.
Com isso, o apelido deixou de representar apenas uma lembrança negativa. Atualmente, ele também integra a memória e a identidade de Rio Verde.
Prefeitura cultiva abóboras
A Prefeitura de Rio Verde reserva seis hectares para o cultivo das abóboras usadas na decoração da cidade. A área produz cerca de 500 toneladas por ano, o equivalente a aproximadamente 10 mil frutos.
Cada unidade pesa, em média, 50 quilos. Alguns exemplares, porém, chegam a quase 100 quilos.
Variedades se destacam pelo tamanho
A área cultiva as variedades norte-americanas Atlantic Giant e Mammoth. Nos Estados Unidos, os produtores também usam as duas durante as comemorações do Halloween.
Além dessas espécies, a produção inclui a variedade brasileira Landa. Conhecida como abóbora seca, ela apresenta formato alongado, semelhante ao de um “pescoço”.
Produção ocorre na Colônia dos Americanos
Uma fazenda localizada a poucos quilômetros do centro de Rio Verde concentra o cultivo. A propriedade fica na região conhecida como Colônia dos Americanos.
Produtores dos Estados Unidos e seus descendentes chegaram à área em meados da década de 1970. A migração ocorreu quase um século depois do episódio associado à origem dos apelidos da cidade.
Dessa forma, a produção atual reúne diferentes momentos da história local.
Irrigação exige controle na seca
Os produtores cultivam as abóboras durante o período seco do Cerrado. Por isso, precisam controlar a irrigação e acompanhar o manejo constantemente.
Segundo Camila Caixeta, engenheira agrônoma da prefeitura responsável pela área, os frutos exigem cuidados específicos para atingir o peso, o formato e a coloração esperados.
A equipe realiza a adubação e acompanha o desenvolvimento das plantas. Além disso, aplica uma espécie de “protetor solar” nas abóboras.
Manejo protege os frutos
O produto ajuda a preservar a aparência das abóboras até a colheita. Depois, os trabalhadores retiram os frutos da lavoura e os levam para praças, avenidas e outros pontos da cidade.
Por isso, a equipe planeja o cultivo tanto para garantir a produção quanto para manter a qualidade visual das abóboras expostas durante as comemorações.
Tradição aproxima campo e cidade
Para Camila, as abóboras representam mais do que uma produção agrícola. Por meio dos frutos, a cidade apresenta sua história a moradores e visitantes.
Todos os anos, a prefeitura espalha as abóboras por Rio Verde durante as celebrações do aniversário municipal. Assim, um apelido antes visto de forma negativa ganhou novo significado e passou a representar a identidade local.
Ao mesmo tempo, a tradição aproxima a produção rural da população em um dos principais polos do agronegócio brasileiro.