Resultado supera o avanço de 6,8% do agro brasileiro e reflete alta na produção de grãos, frutas e pecuária no Estado
boiada
Foto: Wenderson Araujo - Sistema CNA Senar

O PIB da agropecuária do Ceará cresceu 13,88% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado ficou acima do avanço de 6,8% registrado pelo setor no Brasil e ajudou a sustentar o crescimento de 2,21% da economia cearense entre abril e junho.

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Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, a economia cearense avançou 0,18%, enquanto a agropecuária estadual cresceu 7,17%. Mesmo com esse desempenho, o setor responde por 6,9% das riquezas produzidas no Estado.

Agroindústria ajuda a ampliar o valor da produção

A assessora técnica do Ipece, Ana Cristina Lima, explica que a agropecuária tem participação menor na composição do PIB cearense. Ainda assim, a atividade influencia outras áreas da economia e contribui para a segurança alimentar.

Segundo a especialista, os produtores cearenses continuam cultivando grãos de sequeiro, principalmente milho, feijão e fava. Essas culturas ajudam a abastecer a população, embora apresentem menor valor agregado em comparação com outros segmentos.

“O IBGE indica crescimento de 84% dessas lavouras em 2026 comparado com 2025. As frutas são destaque na produção agrícola, puxadas por melancia, mamão e maracujá, além da pecuária, no abate de bovinos, suínos e galináceos”, observa Lima.

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Além das lavouras, a agroindústria amplia o valor gerado pelas cadeias produtivas. As indústrias compram matérias-primas dos produtores, processam esses produtos e criam itens com maior valor agregado.

“A agroindústria pode contribuir para o crescimento da agropecuária, com maior demanda da indústria para processar e transformar em produtos derivados, como o setor de laticínios, que demanda leite dos produtores para produzir iogurte; das frutas, com doces e sucos derivados. Isso gera maior valor agregado, contribuindo para crescer o PIB.” – Ana Cristina Lima, assessora técnica do Ipece

Clima pode limitar avanço do agro cearense

Apesar do crescimento, o setor continua dependente das condições climáticas. Para os próximos meses, Ana Cristina Lima aponta a possibilidade de temperaturas mais elevadas e de um período mais longo de escassez de chuvas.

“Estamos sujeitos a enfrentar um El Niño forte que está se formando, com grande probabilidade de temperaturas mais elevadas e maior período de escassez de chuvas, podendo afetar o setor agropecuário nos próximos meses”, pondera.

Nesse cenário, o desempenho registrado até junho não elimina os riscos para a sequência do ano. A Funceme já apontava, em maio de 2026, o avanço do desenvolvimento do El Niño no Pacífico Equatorial e a possibilidade de intensificação do fenômeno ao longo do segundo semestre. Segundo o órgão, eventos de El Niño moderados ou fortes costumam estar associados à redução das chuvas e ao aumento das temperaturas durante a estação chuvosa no Ceará.

Por isso, a distribuição das chuvas e a disponibilidade de água podem influenciar as próximas safras e a produção pecuária no Ceará.

Pecuária e produção agrícola sustentam resultado

Os números do PIB trimestral também acompanham o avanço dos indicadores anuais da produção agropecuária. Segundo os dados citados na análise, a Produção Agrícola Municipal (PAM) alcançou mais de R$ 6,6 bilhões no Ceará em 2025. Já a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), considerando também a aquicultura e os produtos de origem animal, chegou a R$ 7,3 bilhões.

Na avaliação do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Amílcar Silveira, algumas cadeias ampliaram a produção, especialmente a pecuária leiteira.

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“Os produtores começaram a produzir mais, inclusive a pecuária leiteira tem puxado isso para cima, melhorou o preço do leite. Os plantios que aconteceram no primeiro trimestre, com a chuva bem distribuída, facilitaram muito a produção no segundo trimestre. Estou muito satisfeito porque acho que estamos seguindo o caminho certo”, analisa Silveira.

Além do leite, a pecuária de corte também ganha espaço no Estado. A instalação de frigoríficos no interior pode ampliar a capacidade de abate e estimular a produção local.

Nesse contexto, a Masterboi prevê iniciar as obras até o começo de 2027. A nova estrutura pode ampliar a participação da pecuária na geração de riqueza do agronegócio cearense.

“Os produtores estão aumentando o gado confinado no Ceará, reflexo dos frigoríficos. Vai ser uma grande alavancagem. Vamos fazer inseminação artificial para termos maior produção de gado de corte”, aponta Silveira.

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